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Doses de ioga A recomendação não é só para relaxar ou meditar, nem restrita a vegetarianos ou àquela turminha zen. Agora, até mesmo os médicos têm indicado a técnica milenar para o tratamento de várias doenças. E o que é melhor: praticamente não há contra-indicação
POR RENATA AFONSO
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Variação da uttkatasana ou 'postura poderosa' - aumenta o fluxo de sangue nas costas, aliviando tensões e dores. Massageia os órgãos e coloca o ORGANISMO EM ORDEM |
Até pouco tempo, deste lado do mundo, acreditava-se que a técnica indiana milenar, que une exercícios, relaxamento, controle respiratório e meditação, só funcionava para quem adota um estilo de vida zen, não come carne, odeia os padrões de beleza disseminados pelo mundo e se preocupa muito mais em cuidar da mente do que do corpinho. O ocidente, porém, está mudando a maneira de enxergar a ioga.
Várias pesquisas têm comprovado - e isso era o que faltava para chamar a atenção dos ocidentais mais céticos - que a prática é capaz de promover maravilhas ao organismo e ajudar a medicina a resolver inúmeros problemas de saúde. Resultado: nas aulas de ioga, é crescente o número de sedentários, fumantes, gestantes, idosos, enfim, de pessoas que procuram a prática por indicação médica. "Tenho vários alunos que fazem aula porque o médico pediu. São pessoas com bronquite, asma, depressão, problemas cardíacos e até lúpus, uma doença inflamatória de causa desconhecida, que ataca o sistema de defesa do organismo. Com a ioga, os pacientes respondem mais rápido aos tratamentos", afirma a professora Lúcia Sandri, do Centro Integrado de Yoga, Meditação e Terapias.
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virabhadrasana ou "postura do guerreiro" - fortalece os membros inferiores, estimula a força de vontade, a determinação e a disciplina. Desenvolve a CONSCIÊNCIA CORPORAL |
Para muitos médicos ocidentais, ela é uma poderosa ferramenta até nas situações mais graves. "Tem paciente que não pode fazer ginástica porque está acamado, mas pode fazer ioga", afirma Marcos Rojo Rodrigues, professor de educação física da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do curso de pós-graduação de ioga das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU). O especialista lembra, porém, que a ioga não substitui o tratamento convencional. "O ideal é que os dois - a medicina e a ioga - trabalhem juntos", avalia.
O médico naturalista Cesar Deveza, da Clínica Yam, em São Paulo, indica a ioga para todos os seus pacientes. "Ela não surgiu especificamente para tratar doenças, mas para trazer saúde. A ioga reduz o nível de estresse. A pessoa respira, come e dorme melhor. E a qualidade de vida também melhora", explica.
O ortopedista esportivo Teodomiro Rodrigues da Cunha Neto, do Hospital e Maternidade São Luis, em São Paulo, também concorda com a prescrição da ioga. "Pode-se recomendar para o alívio de quase todas as doenças. É um complemento eficaz ao tratamento clínico e sem efeito colateral". O médico só ressalta que algumas posições devem ser evitadas, dependendo do problema de saúde. "Eu costumo dizer ao meu paciente o que ele pode ou não pode fazer", revela. Na opinião do médico, a ioga ajuda na área de ortopedia, porque os exercícios de respiração aumentam a oxigenação dos tecidos inflamados, melhorando a condição das regiões musculares e das articulações comprometidas. "O paciente se sente mais a vontade do que em uma sessão de fisioterapia. Durante as aulas, a sensação é de que ele não está mais doente", comenta Teodomiro.
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matsyendrasana ou "rei dos peixes" - massageia os órgãos abdominais (estimulando os ovários, por exemplo). Por isso, é indicada em casos de DISTÚRBIOS HORMONAIS. A posição também trabalha a musculatura da coluna, dos glúteos e do quadril |
O professor de ioga Rui Afonso, pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembra que há várias pesquisas feitas no ocidente que confirmam a importância da ioga para a saúde do ser humano. "Há estudos que comprovam as melhorias em casos de epilepsia, problemas respiratórios, enxaqueca e até câncer. Afinal, os remédios e os procedimentos médicos funcionam melhor quando em um organismo equilibrado", explica. E este equilíbrio a ioga garante. Na Unifesp, Rui desenvolve um mestrado em que aplica a técnica em mulheres que estão na menopausa e que sofrem de insônia. "São praticantes que nunca tiveram contato com a filosofia da técnica, e, mesmo no início, elas já relatam diminuição dos sin tomas da menopausa, como os famosos fogachos", conta. Mas os benefícios da técnica para as mulheres não param por aí.
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vrkshasna ou "postura da árvore" - a coluna fica estendida, por isso favorece a consciência corporal. Traz harmonia e paz interior. Perfeita para driblar o ESTRESSE |
Liberada na gestação
A ioga aumenta o contato da mãe com o bebê durante a gravidez. "Além disso, nas aulas a gestante treina a respiração e chega com mais calma na hora do parto", revela a professora Márua Pacce, do Núcleo Ganesha, em São Paulo. Segundo a especialista, as diferentes posturas da ioga são adaptadas às fases da vida. "Para as grávidas, selecionamos exercícios indicados para eliminar as dores nas costas e para fortalecer a musculatura pélvica e das coxas. "Elas só precisam da autorização do médico para praticar, especialmente no caso de gravidez de alto risco", avisa.
A socióloga Luciana de Medeiros Cestari praticou ioga durante a gestação da segunda filha. A pequena Alice nasceu há dois meses. "Na minha primeira gravidez fiz natação. Nesta optei por fazer algo diferente", ressalta. "Desta vez tive menos dores nas costas e a minha circulação estava bem melhor", compara.
Para Luciana, que parou com a técnica duas semanas antes do parto, o período dedicado à ioga também foi bom para manter um contato maior com o bebê. "Com a correria do diaa- dia, a gente até esquece que está grávida. Na aula, eu relaxava. Era uma hora do dia totalmente dedicada à minha gestação", conta.
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