O sexo entre um homem e uma mulher que se desejam é um momento mágico. Uma das mais plenas e intensas sensações que dois indivíduos podem experimentar. Para muitos, o êxtase de um orgasmo é a razão da própria vida. Exagero? Talvez sim, talvez não. Um dia saberemos! Por ora, a única certeza é a de que o sexo, além de prazeroso, faz bem à saúde física e mental. Porém, como se sabe, a natureza criou esse mecanismo tão especial com um objetivo claro, o de perpetuar a espécie. Ou seja, para a reprodução. Justamente por isso, é fundamental que os casais, sejam os parceiros fixos ou não, estejam eles em situações inesperadas ou não, façam a seguinte pergunta antes de dar vazão à libido: queremos ter um filho agora?
Planejamento familiar
Esse é o primeiro passo para que as pessoas busquem maneiras de manter uma vida sexual ativa, sem riscos de causar uma gravidez indesejada. E a única maneira de se fazer isso é utilizar os chamados métodos de planejamento reprodutivo (ou familiar, para o caso de relações estáveis). Alguns são bastante populares, como a “camisinha” e a “pílula”. Mas existem outros e o que pouca gente leva em consideração é que ninguém é obrigado a usar o que “todo mundo usa”. Na verdade, para escolher a forma mais adequada de se evitar a chegada inesperada de um bebê, é preciso conhecer todas. Além, é claro, de conversar antes com um médico. Isso porque não existe um método melhor do que o outro e nenhum deles é 100% eficaz, especialmente quando são mal-utilizados. Ou seja, conforme o modo de vida, o perfil e a saúde de uma pessoa, uma técnica de contracepção pode ser mais ou menos indicada.
No Brasil, o governo federal passou a oferecer mais condições às pessoas para decidir quantos filhos querem ter e em que momento. Com a Política Nacional de Planejamento Familiar, os anticoncepcionais e os preservativos estão até 90% mais baratos em farmácias e drogarias credenciadas no Programa “Aqui tem Farmácia Popular”. Além disso, houve uma ampliação da oferta de contraceptivos gratuitos nas unidades básicas de saúde. O governo espera ainda fechar convênios com farmácias particulares para reduzir o preço de camisinhas e pílulas.
Prevenção de doenças
O planejamento reprodutivo não significa falta de liberdade. Ao contrário, é a garantia, principalmente para jovens e adolescentes, de uma vida sexual plena e livre, mas também segura e consciente. Mesmo porque, as camisinhas também são decisivas na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis. Em um período em que o número de casos de aids entre mulheres vem crescendo muito, mesmo entre aquelas que têm parceiros fixos, os preservativos se tornaram uma ferramenta vital de proteção. Portanto, para planejar sua vida sexual, evitando uma gravidez indesejada e prevenindo doenças, ouça sempre seu médico e leia atentamente as dicas deste artigo.
CONSULTOR: DR. ADSON FRANÇA — GINECOLOGISTA OBSTETRA DA SECRETARIA DE ATENÇÃO À SAÚDE DO MINISTÉRIO DA SAÚDE
Anticoncepcionais
PÍLULA
É um dos métodos mais eficazes. O risco de gravidez é de apenas 0,1%. Mas somente quando utilizado adequadamente. A pílula deve ser tomada todos os dias, no mesmo horário. Quando isso não acontece, a chance da gestação sobe para 8%. São feitas de hormônios parecidos com o estrogênio e a progesterona, produzidos no ovário. Agem impedindo a ovulação e dificultando a passa gem dos espermatozóides pa ra o interior do útero. Não há necessidade de fazer “pausas” para descanso, porque as pílulas não ficam acumuladas no organismo. O que é preciso é conversar com um médico para saber o tipo mais adequado do medicamento e sua dosagem, que variam conforme a faixa etária e o perfil das mulheres. Além disso, o contraceptivo oral pode ser contra-indicado em casos especiais, como câncer de mama e problemas cardiovasculares. Existem as versões combinadas (com estrogênio e progesterona) e as minipílulas (só com progesterona). Enjôos, vômitos, sangramento ou manchas de sangue entre as menstruações, redução do fluxo menstrual, aumento de pe so, dor de cabeça leve, tontura, dor nas mamas e mudanças de humor podem ocorrer. Mas não são sintomas perigosos e costumam desaparecer. A mulher retoma sua capacidade de engravidar logo após parar de tomar a pílula.
PÍLULA DE EMERGÊNCIA
São as famosas pílulas do dia seguinte, utilizadas para evitar uma gravidez indesejada, após relação sexual desprotegida ou em situações de violência sexual ou de coerção. Não é um método anticoncepcional de rotina. Deve ser usado apenas em emergências, pois a dose de hormônio é grande. Não é abortiva, uma vez que os hormônios atuam antes da fecundação. A pílula age impedindo ou retardando a ovulação e diminuindo a capacidade dos espermatozóides chegarem ao óvulo. Deve ser usada logo após a relação sexual desprotegida ou, no máximo, após 72 horas — tomando-se os dois comprimidos de uma vez ou em duas doses — a primeira, até cinco dias após a relação sexual e a segunda, doze horas após a primeira. Quanto mais rápido a pílula for usada, maior será a sua eficácia.
ESPERMICIDA
É uma substância química que recobre a vagina e o colo do útero, impedindo a penetração dos espermatozóides no interior do útero, imobilizando-os ou destruindo-os. Pode ser usado sozinho ou combinado com o diafragma. É importante falar com um médico antes de utilizá-lo. O espermicida é eficaz por um período de até uma hora após a sua aplicação. É colocado com um aplicador, que deve ser introduzido na vagina o mais profundo possível.
CIRURGIAS PERMANENTES
São operações simples, seguras e rápidas, que não afetam o prazer se xual. Após a cirurgia, a pessoa dificilmente recupera a capacidade de ter filhos. Por isso, os jovens têm grandes chances de se arrepender. Além disso, mesmo sendo simples, apresentam todos os riscos de uma cirurgia. A Lei do Planejamento Familiar permite as operações apenas a mulheres com gravidez de risco e maiores de 25 anos, com capacidade civil, ou pelo menos com dois filhos vivos, desde que observado um prazo mínimo de 60 dias entre a solicitação da cirurgia, que deve ser uma decisão do casal, e a operação em si.
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