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Edição 51 - Julho/2007
 
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  Sem marcas nos pés
Muita gente só repara neles quando o calo aperta, uma ferida aparece, a unha encrava ou o 'chulé' começa a incomodar. Não deveria. Confira, passo a passo, como cuidar de quem nos garante postura, equilíbrio e locomoção

POR SUCENA SHKRADA RESK

Os pés escondem uma complexa anatomia para dar conta de nossa estrutura e movimento. Revestidos pela pele - que pode ser comparada a uma capa protetora -, estão 26 ossos, 114 ligamentos e 20 músculos em cada pé. Tudo funciona como uma orquestra, em que todos os componentes devem estar em perfeita sintonia. Uma pequena desafinação pode comprometer todo o conjunto. O problema é que o maestro neste caso somos nós, responsáveis, na maioria das vezes, por dores, bolhas, feridas, calos e mau cheiro que nos tiram, literalmente, o chão e acabam afetando o ritmo de nosso dia-a-dia e até o nosso humor.

Resultado: os problemas decorrentes da falta de cuidados com higiene são os que mais levam os pacientes aos consultórios, alerta a dermatologista Márcia Naomi Yoshioka, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). "Cerca de 90% dos casos ficam por conta de micoses, seguidos pela calosidade e pela verruga plantar, mais conhecida como "olho de peixe", revela a especialista. A maioria desses transtornos é causada por falta de cuidados básicos: usar objetos (alicates, tesouras, lixas) infectados, deixar os pés úmidos, usar sapatos inadequados, andar descalço ao redor de piscinas e na areia da praia.

Já nas clínicas de podologia, os principais incômodos são os calos, segundo Carlos Roberto Basseto, coordenador do Curso Técnico de Podologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial de São Paulo (Senac-SP). "Por isso, não é recomendável passar, com freqüência, lixa na planta dos pés. Os calos nada mais são do que uma defesa do organismo, mais especificamente da pele, contra o atrito com o solo", explica.

O ortopedista Carlos Alfredo Lobo Jasmin, da Associação Brasileira de Medicina e Cirurgia do Tornozelo e Pé (ABTPé) e da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia, também aconselha sobre a escolha dos sapatos: "o pé não pode ficar espremido, mas distribuído de forma harmoniosa". A seguir, Viva Saúde levantou com os especialistas os cuidados essenciais para manter os pés saudáveis. Confira.

Os cuidados devem ser redobrados com o pé diabético

Quem tem diabetes é mais suscetível a feridas constantes e de difícil cicatrização nos membros inferiores. De acordo com o Ministério da Saúde, a doença atinge hoje cerca de 8 milhões de brasileiros ou 7,6% da população com idades entre 30 e 60 anos. Esse número deverá duplicar em 2025.

Aproximadamente, 2 milhões (25%) dessas pessoas desenvolverão o pé diabético (as úlceras/feridas). E o mais alarmante é que o problema é a principal causa de amputações no país. Em 2006, foram registradas 37 mil amputações de membros inferiores, sendo 80% delas originadas de seqüelas do diabetes.

O caminho que levará você a pisar nas nuvens

1º PASSO: limpar e secar
Isso significa esfregá-los com esponja, água e sabão, com uma atenção especial à parte entre os dedos e cantos das unhas. E, para completar o ritual de limpeza, depois do banho, secar bem os pés com uma toalha. Uma boa dica para garantir a secagem e afastar os fungos causadores das frieiras é passar papel higiênico entre os dedos. Para evitar micoses e o incômodo mau cheiro, também é recomendado o uso uniforme de talco (de preferência os de polvilho). Aqueles que costumam suar muito nos pés devem dar preferência aos sprays antitranspirantes.

2º PASSO: hidratar
Após a correta higienização, o uso de cremes hidratantes (principalmente aqueles à base de uréia) deixa a pele dos pés mais macia e evita rachaduras - especialmente nas estações mais frias e secas. Entretanto, fique atento ao excesso de hidratante entre os dedos e nos cantinhos das unhas, pois isso serve de porta de entrada para os fungos.

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