Sabe por que aquela dieta funcionou tão bem para a sua irmã e não fez efeito para você? Porque o metabolismo de ambas é diferente. E é provável que a explicação para isso esteja no seu DNA, mesmo que vocês sejam gêmeas.
Durante a vida, os genes que herdamos dos nossos pais (e que determinam as nossas características físicas como cor dos olhos, altura e tipo de cabelo, assim como as doenças a que estamos mais predispostos a desenvolver ao longo da vida) reagem ao meio em que vivemos. Especialistas garantem que nossas escolhas alimentares, por exemplo, são capazes de inibir ou ativar certas partes do nosso código genético. Resultado: os genes podem interagir de maneiras diferentes em cada organismo.
Agora, imagine se o seu médico, seu nutricionista ou outro especialista em nutrição pudesse ler e interpretar as informações contidas no seu DNA, a fim de descobrir como exatamente os seus genes, seu metabolismo e seu organismo inteiro respondem a cada nutriente ingerido. Depois, com esses dados em mãos, ele conseguisse prescrever uma dieta exclusiva para você emagrecer sem tanto esforço, não sentir os efeitos da andropausa ou da menopausa, ser mais ativo no trabalho, gostar mais da vida e, de quebra, não ter câncer... Imaginou? Pois a boa notícia é que o caminho para chegar a esse cardápio perfeito está bem próximo - aliás, será uma realidade daqui a míseros três a cinco anos.
Quem garante isso é a nutrigenômica, uma ciência revolucionária que estuda a interação entre genes e alimentos. Por meio dela, já se descobriu que certos nutrientes são capazes de alterar a expressão dos genes (alguns têm sua ação estimulada ou inibida e influencia na manifestação ou não da doença, seu desenvolvimento e sua progressão. Ou, ainda, que variações genéticas individuais afetam a forma como os nutrientes são assimilados, metabolizados, armazenados e excretados pelo corpo.
Na prática, segundo a pediatra Rosane Caetano, da Universidade de São Paulo (USP), por meio do mapeamento genético de uma criança, por exemplo, a medicina será capaz de identificar sua propensão a desenvolver certas doenças. E a partir daí prescrever uma alimentação exclusiva e capaz de protegê-la.
PRESERVE O SEU DNA
É certo. Os alimentos afetam a estrutura do DNA e o funcionamento dos genes. Quanto mais íntegros os genes, menor a probabilidade de se desenvolver a maioria das disfunções e doenças, especialmente câncer, infertilidade, distúrbios de crescimento e doenças degenerativas do cérebro, como Alzheimer. "Diversos fatores agridem o DNA e ele deixa de funcionar como deveria", explica o gastroenterologista Dan Waitzberg, estudioso de nutrigenômica da USP.
Exposição a determinados tipos de radiação ou elementos químicos (incluindo poluição e agrotóxicos), além de deficiência de certos nutrientes são alguns deles.
De acordo com cientistas, a alimentação é a mais perigosa, por ser cotidiana. Pequenas variações na concentração de nutrientes podem afetar a estrutura do genoma tanto quando altas doses de radiação iônica.
NOVOS ESPECIALISTAS
"Com ensino de medicina nos Estados Unidos (um pouquinho de genética e quase nada de nutrição) e a prática médica (consultas de 20 minutos), é improvável que os médicos sejam os provedores das informações para nos dizer o que comer", lamenta Jim Kaput, cientista de biotecnologia da Universidade da Califórnia (EUA), um dos maiores especialistas em nutrigenômica. "Eu vejo nutricionistas ou consultores genéticos nesta tarefa. Novos profissionais serão importantes", prevê. |
Nutrigenômica: a nova ciência sugere que todas as soluções para se viver mais e melhor estão no prato - mais especificamente em um cardápio exclusivo e capaz de interferir na atuação dos genes de cada pessoa. Na prática, os alimentos passariam a ser receitados, literalmente, como remédios
"Porém, para que isso se torne realidade, é preciso que antes se entenda melhor de que forma os compostos bioativos dos alimentos interagem com nosso genoma (nome que se dá a toda a informação hereditária que vem escrita em nosso DNA).
E como eles influenciam o funcionamento dos genes e nossa saúde", defende Thomas Ong, professor do departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>