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Edição 50 - Julho/2007
 
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  Emoções desequilibram o açúcar
Algumas pessoas acreditam que têm diabetes emocional e que, para controlar os níveis de glicose no sangue, precisam ficar de olho no prato e na cabeça... Mas será que essa doença existe?

POR ROSANA FARIA DE FREITAS FOTOS FERNANDO GARDINALI

Fátima, de 55 anos, que prefere não revelar sua verdadeira identidade, foi diagnosticada há 10 anos com diabetes emocional, após ter feito uma peregrinação por especialistas de São Paulo em busca de uma razão para seu emagrecimento repentino e para a oscilação dos níveis de glicose no sangue (que atingiam picos altíssimos). O médico que a atendeu se baseou nesse aumento do nível de açúcar no sangue e em um episódio de síndrome do pânico enfrentado pela paciente para, enfim, bater o martelo quanto à doença. Desde então, além de um controle alimentar rígido, Fátima - que é nervosa por natureza - procura evitar o estresse e controlar suas emoções negativas o máximo que pode.

Como a história de Fátima não é um relato isolado, uma pergunta começa a despontar na cabeça de quem se preocupa com o diabetes...

Além do tipo 1, do tipo 2 e do diabetes gestacional, será que agora existe uma nova versão da doença? A Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) garante que não.

"Não existe diabetes emocional. A doença pode, sim, ser desencadeada por um problema de ordem psíquica, porém, somente em quem apresenta condições para isso, quer dizer, alguma predisposição genética", explica Marcos Tambascia, professor de endocrinologia da Universidade Es tadual de Campinhas (Unicamp) e presidente da SBD.

"O estresse emocional, tanto o bom quanto o ruim, pode funcionar como um gatilho que aciona o diabetes do tipo 1 e 2 em indivíduos com histórico familiar para o problema", reforça Leão Zagury, membro da American Diabetes Association e da Sociedade Argentina de Diabetes, ex-presidente da Associação Brasileira de Diabetes e professor de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

CONHEÇA OS TIPOS DE DIABETES RECONHECIDOS

DIABETES DO TIPO 1, que se instala na infância e adolescência e é ocasionada pela destruição imunológica das células protetoras de insulina - e, nesse caso, é necessário o uso de insulina para o tratamento.

DIABETES DO TIPO 2, que é a forma mais comum e abrange quase 90% dos quadros, acometendo primordialmente os adultos. Aqui a doença é provocada pela resistência do organismo à ação da insulina e produção insuficiente da mesma, em geral relacionada a quadros de obesidade e sedentarismo.

DIABETES GESTACIONAL, que, como o nome indica, se instala durante a gravidez. A explicação está nas alterações hormonais dessa fase de vida, que leva à resistência à insulina.

OUTROS TIPOS DE DIABETES, que ocorrem por doenças pancreáticas, genéticas ou hormonais.

Estresse como gatilho
O estado emocional desencadeia e agrava a doença. Afinal, é preciso relembrar que o diabetes é uma doença caracterizada pela elevação do nível da glicose (açúcar) no sangue. Esse aumento ocorre em três situações: quando o organismo não produz insulina - hormônio que ajuda a transportar a glicose do sangue para o interior das células -, quando fabrica insulina em quantidade insuficiente ou quando o corpo não consegue absorver adequadamente a insulina produzida. "Durante uma situação de tensão emocional, o corpo libera hormônios, como a adrenalina e o cortisol, que têm ação contrária à insulina", salienta Marcos Tambascia.

Independentemente do tipo de diabetes, o controle dos níveis de açúcar no sangue e os exames periódicos são essenciais

Isso explica porque, em indivíduos predispostos, os fatores psicológicos disparam o problema. E isso acontece de duas formas distintas. Na primeira, a pessoa desenvolve o mal depois de sofrer um impacto emocional inesperado - como a perda de um ente querido ou de um emprego, por exemplo. Acredita-se, no entanto, que, nessas situações, a reserva de insulina estava no limite e, portanto, o indivíduo já estava a um passo de apresentar a disfunção. Na segunda, não há um abalo psíquico e sim um estresse crônico ou prolongado, que contribui para o surgimento da doença em quem tem fatores de risco.

A psicóloga clínica Mara Pusch, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), lembra que "nenhuma enfermidade, do ponto de vista de seu aparecimento, está livre de sofrer a influência de aspectos emocionais".

Essa é a base da psicossomática: nenhuma reação do organismo ocorre por acaso, há uma série de conjunções que a influencia. Um quadro emocional mais tenso desencadeia a produção de hormônios e isso altera os níveis glicêmicos, no caso do diabetes, da mesma forma que poderia atingir outras áreas - como a cardíaca, por exemplo, levando a um infarto.

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