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Edição 50 - Julho/2007
 
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  Pílula causa trombose?
Esta é a pergunta que muitas mulheres têm feito, depois de uma enxurrada de e-mails que estão circulando pela internet, e associam o uso do anticoncepcional ao risco da doença

POR MARIANA VIKTOR

A polêmica teve início quando se espalhou, pela rede vir tual, o relato de uma consumidora que culpa a pílula anticoncepcional Yasmim por ter sofrido uma trombose venosa profunda (TVP) — problema causado pela coagulação do sangue no interior das veias, principalmente dos membros inferiores, e que pode causar a morte, se um dos coágulos entrar na corrente sangüínea e parar no pulmão, por exemplo, o que provoca uma embolia pulmonar.

A notícia, recebida por milhares de mulheres, de que o anticoncepcional mais consumido no país, e considerado o precursor de uma nova geração deste tipo de medicamento, é responsável por sérios problemas causou grande alarme. Quem não leu a mensagem certamente ouviu de uma colega, o que já é o suficiente para encher a cabeça de dúvidas. O laboratório Schering, fabricante da Yasmin, recebeu inúmeros telefonemas, cartas e e-mails de mulheres que buscavam esclarecimentos sobre os perigos da pílula, que foi lançada em 2003 e que revolucionou a categoria ao combater também a retenção de líquidos e a sensação de inchaço (efeitos colaterais comum aos anticoncepcionais orais).

MAIS DE UM CULPADO
  A trombose está relacionada, basicamente, a três principais fatores: estase venosa, lesão do vaso e hipercoagulabilidade. O primeiro é caracterizado pela diminuição da circulação sangüínea, que pode acontecer quando a pessoa fica muito tempo parada, na mesma posição. Exemplos: viagens longas e cirurgias que obrigam o indivíduo a ficar muito tempo na cama. O segundo distúrbio diz respeito a lesões que podem ocorrer no interior dos vasos (ruptura, infecções), associadas até mesmo ao uso do cateterismo e pela introdução de medicação na veia. Essa ferida pode levar à formação de trombos (pequenos coágulos). Já o terceiro acontece quando há um desequilíbrio que aumenta o poder dos agentes coagulantes do sangue. Assim como o uso de anticoncepcionais, grávidas, diabéticos e pessoas com predisposição genética à trombose fazem parte desse grupo.
   

Separando o joio do trigo
Mas, afinal, a tal da pílula provoca ou não a trombose? A verdade é que todos os anticoncepcionais orais e também outros métodos que liberam hormônio, independentemente de marca, têm como um de seus efeitos colaterais uma chance maior de desenvolver a TVP. Esta informação vem na bula. Pode verificar. Mas a questão é que poucos ginecologistas previnem suas pacientes desse e de outros riscos associados ao uso da pílula.

Isso porque esses medicamentos trazem em sua formulação hormônios, como o estrógeno e a progesterona, que podem afetar a coagulação sangüínea. Embora o estrógeno tenha uma ligação, por assim dizer, mais íntima com a alteração, “as fórmulas que têm apenas progesterona também devem ser usadas com acompanhamento médico por pacientes de risco”, afirma a ginecologista e obstetra Ângela Maggio da Fonseca, professora livre-docente da Universidade de São Paulo (USP).

Sim, há pessoas que correm um risco maior de ter o problema. A gravidez, por exemplo, quando provoca um aumento da pressão arterial é um importante fator de risco para a trombose. Um relatório do CPMP/Emea, órgão regulador do setor farmacêutico na Europa, diz que a cada cem mil mulheres que desenvolvem a TVP, de cinco a dez não tomam pílula e de 20 a 40 tomam o medicamento. No entanto, 60 delas desenvolvem o problema na gestação.

Existe uma lista de doenças e problemas que algumas mulheres têm e que podem ser agravadas com o uso da pílula. “Mulheres com histórico familiar de trombose e problemas circulatórios não deveriam tomá-la, porque ela aumenta suas chances de desenvolver trombos e também um acidente vascular cerebral (o popular derrame)”, esclarece a especialista.

Diabetes, enxaqueca, insuficiência renal e câncer de mama, de ovário ou endométrio são outros complicadores. Em relação a esses tipos específicos de câncer, por exemplo, as células cancerosas, para sobreviverem, se alimentam dos hormônios liberados pelo corpo. Neste caso, se a mulher tomar pílula (ou outro método anticoncepcional com o mesmo princípio), irá piorar o quadro.

Segundo a médica e obstetra Maria do Socorro Lage, de São Paulo, o mesmo vale para quem sofre de cirrose, hepatite aguda e insuficiência hepática, pois a pílula é metabolizada exatamente no fígado, órgão atingido por essas enfermidades. Aquelas que padecem por conta de varizes devem saber que anticoncepcional com estrogênio etinilestradiol favorece a formação de coágulos que podem chegar ao cérebro e ao coração, com o risco de causar infarto ou derrame, alerta a especialista. Já quem tem depressão ou mesmo histórico familiar da doença deve se preocupar com a progesterona. Por isso, a orientação básica para todas as mulheres é conversar bastante com o médico logo na primeira consulta.

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