Viva Saúde
Edição 5 - Setembro/2004
 
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  Gente que deu a volta por cima

FOTO: FERNANDO GARDINALI
"Fiz a reconstrução da mama"
A cirurgia ajudou a auxiliar de enfermagem Vera Maria Bessa Conti, de 52 anos, a vencer o câncer

"Na minha profissão, sempre convivi com dramas pessoais, mas jamais imaginei que fosse protagonizar uma dessas histórias. Há dois anos, ao fazer o auto-exame das mamas, senti um pequeno caroço no seio esquerdo. Sem condições financeiras, recorri ao Serviço Único de Saúde (SUS) para realizar a mamografia. O resultado levou 35 dias para ficar pronto, o que afetou completamente o diagnóstico: o carocinho que nem era palpável agora tinha ficado do tamanho de um ovo!

Imediatamente, fui submetida a uma cirurgia para retirada do nódulo, que foi enviado para biópsia. De novo, vivi a agonia da espera. Só depois de um mês tive a certeza de que estava com câncer. No auge do desespero, pedi franqueza ao médico do hospital público sobre o meu estado e as minhas chances. Ele disse que me restava pouco tempo de vida. Para piorar, fui avisada de que teria de amputar a mama. Perdi o chão. O procedimento foi realizado no dia 23 de março de 2002.

Mesmo arrasada, decidi lutar com todas as forças que me restavam e prometi a mim mesma que logo estaria curada. Sempre fui muito alegre, porém confesso que a perda do seio me abalou. Logo após a cirurgia, tirei todos os espelhos de casa e tomava banho sem olhar para baixo.

A hora da virada
Só fiquei animada quando a quimioterapia começou a surtir efeito. Com o tempo meus cabelos voltaram a crescer e me senti preparada para reconstruir a mama. O problema é que não teria como pagar. Por uma bênção, fui encaminhada ao cirurgião Ewaldo Bolívar (SP). Sensibilizado, ele concordou em me operar gratuitamente, durante um simpósio médico. Serei eternamente grata. Depois disso, recomecei a minha vida, com o entusiasmo de antes. Ainda tomo remédios e faço exames de acompanhamento a cada dois meses, mas sei que sou uma vencedora!"

DEPOIMENTO A ADRIANO CATOZZI

ENTENDA BEM
 

ILUSTRAÇÃO: MARCELO GARCIA
A técnica aplicada em Vera usa músculos das costas para formar o novo seio.
A retirada do seio esquerdo teve de ser radical. Quando foi identificado o câncer, o tumor já estava enraizado até bem próximo das axilas. O diabetes da paciente era outro fator complicador, uma vez que a doença poderia causar inflamações. Por isso, os cuidados foram redobrados durante a reconstrução da mama. Segundo o cirurgião plástico Ewaldo Bolívar, dois músculos das costas foram retirados e enxertados no peito, por cima da prótese. Hoje, as técnicas para esse procedimento variam. As mais comuns são as que aproveitam os próprios tecidos da mama para preencher os vazios causados pela retirada do câncer. Nos casos de perdas maiores, como não há pele suficiente, lança-se mão de implantes mamários e/ou de tecidos de outras partes do corpo - dorso (caso de Vera) ou abdômen.

 


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