"Fiz a reconstrução da mama"
A cirurgia ajudou a auxiliar de enfermagem Vera
Maria Bessa Conti, de 52 anos, a vencer o câncer
"Na minha profissão, sempre
convivi com dramas pessoais,
mas jamais imaginei
que fosse protagonizar uma
dessas histórias. Há dois anos,
ao fazer o auto-exame das mamas,
senti um pequeno caroço
no seio esquerdo. Sem condições
financeiras, recorri ao
Serviço Único de Saúde (SUS)
para realizar a mamografia. O
resultado levou 35 dias para
ficar pronto, o que afetou
completamente o diagnóstico:
o carocinho que nem era palpável
agora tinha ficado do
tamanho de um ovo!
Imediatamente, fui submetida
a uma cirurgia para retirada
do nódulo, que foi enviado
para biópsia. De novo, vivi a
agonia da espera. Só depois
de um mês tive a certeza de
que estava com câncer. No
auge do desespero, pedi franqueza
ao médico do hospital
público sobre o meu estado e
as minhas chances. Ele disse
que me restava pouco tempo
de vida. Para piorar, fui avisada
de que teria de amputar a
mama. Perdi o chão. O procedimento
foi realizado no dia
23 de março de 2002.
Mesmo arrasada, decidi lutar
com todas as forças que
me restavam e prometi a mim
mesma que logo estaria curada.
Sempre fui muito alegre,
porém confesso que a perda
do seio me abalou. Logo após
a cirurgia, tirei todos os espelhos
de casa e tomava banho
sem olhar para baixo.
A hora da virada
Só fiquei animada quando a
quimioterapia começou a surtir
efeito. Com o tempo meus
cabelos voltaram a crescer e
me senti preparada para
reconstruir a mama. O problema
é que não teria como
pagar. Por uma bênção, fui
encaminhada ao cirurgião
Ewaldo Bolívar (SP). Sensibilizado,
ele concordou em me
operar gratuitamente, durante
um simpósio médico. Serei
eternamente grata. Depois
disso, recomecei a minha vida,
com o entusiasmo de antes.
Ainda tomo remédios e faço
exames de acompanhamento
a cada dois meses, mas sei
que sou uma vencedora!"
DEPOIMENTO A ADRIANO CATOZZI