Viva Saúde
Edição 49 - Junho/2007
 
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  Acertando os ponteiros

A Cronobiologia, área que estuda o ritmo circadiano, também é usada no auxílio da cura de diversas doenças. Por exemplo, sabe-se que na parte da manhã há um aumento da coagulação sangüínea e da pressão arterial, o que explica a incidência maior do infarto do miocárdio nesse período. “Tendo essa informação, os médicos podem indicar o uso dos remédios por quem sofre de doenças cardiovasculares de maneira que o efeito máximo seja bem no momento de maior risco”, afirma a especialista. Outro problema que pode ter seu tratamento beneficiado com a cronobiologia é a insônia. É a partir do conhecimento do funcionamento do organismo do paciente que a terapia é estipulada. Para a pneumologista Luciane Fujita, do Instituto do Sono, em São Paulo, pacientes com insônia são normalmente tratados com melatonina, substância produzida em maior quantidade pelo corpo quando começa a anoitecer, induzindo ao sono. “Mas mesmo que esses medicamentos têm, hoje, ação mais rápida e alteram menos a estrutura do sono, é fundamental saber o cronotipo do paciente para dar o remédio na hora correta”, conclui.

Curiosidades do sono
Conheça a maneira como o organismo se prepara para uma noite de sono revigorante e como ele se reajusta para enfrentar um novo dia:

1) Os estímulos luminosos (geralmente do sol) recebidos pelos olhos indicam que o dia está começando e é hora de acordar. A temperatura do organismo apresenta uma elevação e o nível de melatonina diminui, deixando o indivíduo preparado para iniciar as atividades diárias.

2) O pico de temperatura de uma pessoa matutina ocorre por volta das 13 horas, enquanto uma vespertina poderá apresentar o seu melhor desempenho às 20 horas. Já uma indiferente tem um pico de temperatura às 17 horas.

3) À noite, quando os estímulos luminosos são menos intensos, o corpo se prepara para o repouso. A temperatura começa a diminuir e os níveis de melatonina aumentam, induzindo ao sono. Fontes: A bióloga Roberta Arêas, do GMDRB da USP e Edson Delattre, professor-assistente de Fisiologia e Biofísica, especialista em Cronobiologia da Unicamp (SP).

Horário de verão
Outro dado apresentado na mesma pesquisa diz respeito ao horário de verão. Cerca de 5% a 10% da população analisada afirma sofrer com a alteração. “Nosso relógio biológico está sincronizado com os ciclos da natureza. O adiantamento em uma hora (ou o atraso, no caso do fim do horário de verão) é uma mudança brusca para o organismo e o indivíduo sofre um abalo na sincronia do seu ritmo biológico com os ciclos externos”, esclarece a bióloga. “O organismo consegue reajustar seu funcionamento, mas cada um possui um ritmo interno com uma velocidade diferente. Quando mais lenta é a readaptação, maior é o desconforto e a irritabilidade”, acrescenta.


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