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Edição 49 - Junho/2007
 
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  O que você tem na cabeça
Se as pontadas nessa região nunca o incomodaram, saiba que isso é uma questão de tempo... A cefaléia é a dor mais comum de todas, afeta pelo menos 90% da humanidade

POR ROSE MERCATELLI | ILUSTRAÇÃO MG STUDIO

Na enxaqueca, a dor, que pode ser unilateral, começa ao redor dos olhos e se irradia para outras partes do cérebro

Ela pode surgir de repente ou dar sinais de sua chegada com horas de antecedência. Quando vem, pode se manifestar como pontada, um aperto nas têmporas, como se fosse o efeito de um forte torniquete em cima dos olhos, uma dor pulsante em um ou ambos os lados da cabeça... Sua intensidade também varia de incômoda a muito severa, de tal modo que sua vítima não consegue sequer abrir os olhos. Seu nome é cefaléia, a popular dor de cabeça, queixa mais comum nos consultórios. "Seja a dor a doença ou o sintoma de um outro problema de saúde, a cefaléia é um fenômeno universal que, segundo estimativas, atinge 90% da humanidade", garante o neurologista Mário Peres, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, e professor de Neurologia e coordenador do Ambulatório de Cefaléia da Faculdade de Medicina do ABC (SP).

Estudos recentes registram que, ao longo da vida, 69 a 93% de indiví duos do sexo masculino e 94 a 99% da população feminina terão ao menos um episódio de cefaléia. Os sintomas são variados e os especialistas contabilizam entre 150 e 300 tipos de dores de cabeça. Não existe também apenas uma causa para o mal. Fatores como fi- car sem se alimentar, o estresse, a falta ou o excesso de sono, variações de temperatura ambiente, a presença de um tumor cerebral e até o orgasmo (em alguns casos raros) podem servir de gatilhos para a dor.

A boa notícia é que o tratamento existe, evoluiu e não se limita apenas ao uso de analgésicos. Aliás, muitas vezes, esse tipo de remédio nem é o mais indicado - o abuso de analgésicos pode até transformar uma cefaléia episódica em crônica. O primeiro passo é procurar um profissional que faça o diagnóstico certo, especialmente nas seguintes situações: "quando a freqüên cia das crises ultrapassar três episódios por mês; se houver mudança no padrão habitual da sensação dolorosa; caso a dor aumente progressivamente; se os analgésicos rotineinão estiverem fazendo efeito; ou se houver uma associação com sintomas como febre, déficits neurológicos e visão dupla, por exemplo", enumera a neurologista Valéria Santoro Bahia, do Hospital São Camilo, em São Paulo.

Como prevenir-se

O tratamento preventivo, que tem como objetivo diminuir a freqüência, a intensidade e a duração das crises, também é importante. "Em muitos casos são indicados medicamentos anticonvulsivantes, antidepressivos e anti-hipertensivos em doses pequenas", informa o neurologista Mário Peres, professor da Faculdade de Medicina do ABC. Como medidas preventivas, a Sociedade Internacional de Cefaléia recomenda que a pessoa faça as refeições e durma em horários regulares; diminua ou elimine alimentos que possam detonar a dor, como queijos e chocolates; evite bebidas fermentadas; não fique muito tempo exposto ao sol ou à claridade; evite se exercitar em dias quentes; maneire o uso de perfume; não permaneça em locais recém-pintados ou onde esteja sendo usado solvente; e invista em qualidade de vida, alimentando- se bem e praticando atividades físicas regularmente e relaxamento.

Para afastar essa doença que afeta de crianças a idosos, Viva Saúde levantou os tipos de cefaléias mais comuns e as formas mais eficazes de prevenção e tratamento.

ENXAQUECA

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia, afeta cerca de 20% das mulheres e de 5 a 10% da população masculina.

O QUE É: também conhecida como migrânea, é uma doença neurovascular causada por uma disfunção química cerebral hereditária. Apresenta- se como uma dor latejante que pode durar de quatro horas a até três dias seguidos", avisa a neurologista Célia Roesler, coordenadora do Departamento Científico de Cefaléia da Academia Brasileira de Neurologia. Alguns pacientes apresentam poucas crises durante toda a vida, outros relatam diversos episódios a cada mês.

A DOR: uma crise típica, reconhecida pela dor que envolve metade da cabeça, piora com qualquer atividade física. "Em geral, vem acompanhada por outros sintomas, como náuseas, vômitos, intolerância à luz, odores, barulho e movimentos", explica a neurologista Célia. Outra característica menos comum, porém diagnosticada em portadores de enxaqueca, é a presença da aura - um conjunto de reações neurológicas que se manifestam, em geral, antes das crises. São flashes de luz, falhas no campo visual ou imagens brilhantes em ziguezague.

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