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| Na enxaqueca, a dor, que pode ser unilateral, começa ao redor dos olhos e se irradia para outras partes do cérebro |
Ela pode surgir de repente ou dar sinais de sua chegada com horas de antecedência. Quando vem, pode se manifestar como pontada, um aperto nas têmporas, como se fosse o efeito de um forte torniquete em cima dos olhos, uma dor pulsante em um ou ambos os lados da cabeça... Sua intensidade também varia de incômoda a muito severa, de tal modo que sua vítima não consegue sequer abrir os olhos. Seu nome é cefaléia, a popular dor de cabeça, queixa mais comum nos consultórios. "Seja a dor a doença ou o sintoma de um outro problema de saúde, a cefaléia é um fenômeno universal que, segundo estimativas, atinge 90% da humanidade", garante o neurologista Mário Peres, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo, e professor de Neurologia e coordenador do Ambulatório de Cefaléia da Faculdade de Medicina do ABC (SP).
Estudos recentes registram que, ao longo da vida, 69 a 93% de indiví duos do sexo masculino e 94 a 99% da população feminina terão ao menos um episódio de cefaléia. Os sintomas são variados e os especialistas contabilizam entre 150 e 300 tipos de dores de cabeça. Não existe também apenas uma causa para o mal. Fatores como fi- car sem se alimentar, o estresse, a falta ou o excesso de sono, variações de temperatura ambiente, a presença de um tumor cerebral e até o orgasmo (em alguns casos raros) podem servir de gatilhos para a dor.
A boa notícia é que o tratamento existe, evoluiu e não se limita apenas ao uso de analgésicos. Aliás, muitas vezes, esse tipo de remédio nem é o mais indicado - o abuso de analgésicos pode até transformar uma cefaléia episódica em crônica. O primeiro passo é procurar um profissional que faça o diagnóstico certo, especialmente nas seguintes situações: "quando a freqüên cia das crises ultrapassar três episódios por mês; se houver mudança no padrão habitual da sensação dolorosa; caso a dor aumente progressivamente; se os analgésicos rotineinão estiverem fazendo efeito; ou se houver uma associação com sintomas como febre, déficits neurológicos e visão dupla, por exemplo", enumera a neurologista Valéria Santoro Bahia, do Hospital São Camilo, em São Paulo.
Como prevenir-se
O tratamento preventivo, que tem como objetivo diminuir a freqüência, a intensidade e a duração das crises, também é importante. "Em muitos casos são indicados medicamentos anticonvulsivantes, antidepressivos e anti-hipertensivos em doses pequenas", informa o neurologista Mário Peres, professor da Faculdade de Medicina do ABC. Como medidas preventivas, a Sociedade Internacional de Cefaléia recomenda que a pessoa faça as refeições e durma em horários regulares; diminua ou elimine alimentos que possam detonar a dor, como queijos e chocolates; evite bebidas fermentadas; não fique muito tempo exposto ao sol ou à claridade; evite se exercitar em dias quentes; maneire o uso de perfume; não permaneça em locais recém-pintados ou onde esteja sendo usado solvente; e invista em qualidade de vida, alimentando- se bem e praticando atividades físicas regularmente e relaxamento.
Para afastar essa doença que afeta de crianças a idosos, Viva Saúde levantou os tipos de cefaléias mais comuns e as formas mais eficazes de prevenção e tratamento.
ENXAQUECA
Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaléia, afeta cerca de 20% das mulheres e de 5 a 10% da população masculina.
O QUE É: também conhecida como migrânea, é uma doença neurovascular causada por uma disfunção química cerebral hereditária. Apresenta- se como uma dor latejante que pode durar de quatro horas a até três dias seguidos", avisa a neurologista Célia Roesler, coordenadora do Departamento Científico de Cefaléia da Academia Brasileira de Neurologia. Alguns pacientes apresentam poucas crises durante toda a vida, outros relatam diversos episódios a cada mês.
A DOR: uma crise típica, reconhecida pela dor que envolve metade da cabeça, piora com qualquer atividade física. "Em geral, vem acompanhada por outros sintomas, como náuseas, vômitos, intolerância à luz, odores, barulho e movimentos", explica a neurologista Célia. Outra característica menos comum, porém diagnosticada em portadores de enxaqueca, é a presença da aura - um conjunto de reações neurológicas que se manifestam, em geral, antes das crises. São flashes de luz, falhas no campo visual ou imagens brilhantes em ziguezague.
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