É proibido coçar
Quando o problema aparece, coçar e esfregar o local atingido, além de não aliviar, pode levar a um aumento ainda maior da irritação da pele. Assim, a simples atitude de evitar o contato direto das mãos com os produtos e substâncias que provocaram a dermatite é suficiente para que em alguns dias já se comece a notar melhoras. Em pouco tempo, o aspecto de vermelhidão da pele desaparece, as bolhas “estouram”, formando crostas que secam rapidamente. A melhora prossegue com o fim das coceiras, e a aparência da pele volta ao normal, sem descamações. Isto pode acontecer entre um período de dias ou semanas, dependerá de cada caso.
Dois tipos de alergia
1. A DERMATITE ALÉRGICA DE CONTATO se manifesta após a exposição constante e o contato direto das mãos com substâncias para as quais o organismo apresenta maior sensibilidade. “Ela ocorre quando a pessoa é alérgica e o organismo tem uma predisposição a reagir mal a determinado agente químico, presente em produtos de limpeza (detergentes, sabão em pó, lustra-móveis, luvas de borracha...), bijuterias e jóias (anéis com níquel), além de certos cosméticos (esmaltes, removedores para unhas, hidratantes...)”, explica a dermatologista Meire Brasil Parada, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
2. JÁ A DERMATITE IRRITATIVA surge por conta da ação agressora de algumas substâncias químicas fortes, como ácidos, formol, soda cáustica, entre outros “irritantes”, que provocam uma reação inflamatória no local do contato. “A diferença é que a inflamação será observada somente na região exposta ao produto químico. Ela não se estende pela mão”, compara Meire Brasil.
Quando se desconhece a razão da alergia
Se a pessoa não consegue identificar o que está provocando a alergia ou a irritação nas mãos, é recomendável procurar a ajuda de um dermatologista. No consultório, o especialista irá verificar a ficha completa do paciente, incluindo histórico médico, hábitos, atividade profissional... Por meio desse levantamento, é possível saber se ele lida com substâncias que podem ter causado o problema. O médico, então, enumera os possíveis culpados pela alergia e pede para que a vítima evite o contato direto com os suspeitos durante cerca de 15 dias. Se os sintomas desaparecerem, descobre-se a causa do problema e, conseqüentemente, a solução. Quando a reação continua, no entanto, o caminho é a realização de testes alergênicos.
Tratamento com remédios
O primeiro passo para amenizar os sintomas das dermatites é se afastar dos agentes que irritam a pele. Se isso não resolver, os médicos indicam o uso de medicamentos. Atualmente, a medicina dispõe de cremes ou pomadas antiinflamatórias à base de corticosteróides, além de imunossupressores — a mais recente novidade para este tipo de tratamento e utilizados com o intuito de diminuir o processo inflamatório crônico das mãos.
Já os óleos vegetais, como o de semente de uva, camomila, entre outros, exercem um papel calmante na região afetada, sendo indicados apenas para os casos mais leves, ou seja quando as lesões ainda não estão inflamadas.
SIMPLES DE SE PREVENIR
Nos dois tipos de dermatite que atingem as mãos, a recomendação inicial para livrar-se dessas doenças é bem simples e clara: evitar as substâncias que provocam a alergia.
FATORES QUE PODEM CAUSAR AS DERMATITES:
• COMPOSTOS METÁLICOS (NÍQUEL): anéis e outros adereços fabricados a partir deste material.
O que fazer: havendo uma reação alérgica aos acessórios, aconselha-se a evitar o seu uso ou optar por modelos que contenham outro tipo de material, como ouro ou prata.
• COSMÉTICOS: esmaltes, removedores para unhas, filtros solares e hidratantes contêm químicas que podem agredir quem tem sensibilidade a elas.
O que fazer: a indicação neste caso é para que se “experimente” outros tipos de produtos, especialmente os hipoalergênicos (isentos de certas substâncias químicas). Se os sintomas permanecerem, o ideal é evitar esses cosméticos.
• COMPOSTOS QUÍMICOS: formol, impermeabilizantes, látex e similares...
O que fazer: evitá-los. No caso das luvas, elas podem ser substituídas por versões especiais feitas de algodão ou de vinil.
A importância dos exames
Entre os testes alergênicos, o mais comum é o chamado “teste do adesivo”. É um procedimento que consiste em colar na pele um adesivo com substâncias que costumam desencadear alergias. Após um determinado período de tempo (que pode variar de 24 a 48 horas), o médico observa os pontos em que a pele manifestou uma reação alérgica e identifica a substância responsável pelo processo.