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Edição 49 - Junho/2007
 
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  Sal: consumo consciente
Ele é um nutriente obrigatório na dieta de qualquer pessoa, mas é preciso cautela. O cloreto de sódio é responsável por males perigosos como hipertensão e doenças cardiovasculares. Conheça o lado bom e o lado ruim deste alimento

POR PRISCILA GORZONI FOTOS FERNANDO GARDINALI

Responda rápido: você consome pouco, mais ou menos ou muito sal diariamente? Alguns certamente irão dizer que ingerem uma quantidade bem pequena do alimento, pois preferem temperar a salada somente com azeite e limão, não acrescentam a substância à comida, e outras medidas semelhantes. É exatamente esse grupo que ficará surpreso com a notícia de que 75% do sal que consumimos vem dos alimentos industrializados. Ou seja, apenas 25% origina-se dos alimentos naturais e do sal acrescentado na hora do cozimento ou como tempero daquela saladinha.

Mas não adianta afirmar que você não come alimentos industrializados. Nos dias atuais, é praticamente impossível que isso ocorra. A não ser que você viva em alguma comunidade isolada, que não tenha contato com a civilização, por conseqüência, com enlatados, ensacados e embalados de uma maneira geral...

PITADAS DE SAÚDE

Existem várias possibilidades para você diminuir o consumo de sal de sua alimentação. “Afinal, os alimentos que ingerimos na forma natural, sem adição de sal, já contêm uma pequena quantidade, suficiente para suprir nossas necessidades do nutriente”, explica o infectologista Paulo Olzon, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Confira as dicas do especialista:

• Deixe o saleiro fora de seu alcance durante as refeições. O ideal é guardá-lo no armário e não colocá-lo à mesa.
• Dê mais sabor ao seu cardápio, misturando alguns temperos saborosos, como os marinados, vinagres balsâmicos, vinagres de fruta, alho, sucos cítricos, ervas e temperos aromáticos (como sementes de coentro, sementes de cominho, pimenta, alecrim em pó, tomilho e orégano).
• Atenção ao rótulo: o sal pode vir disfarçado de sódio, cloreto de sódio, glutamato monossódico ou bicarbonato de sódio.
• Use margarina sem sal.
• Cuidado com os condimentos comerciais como mostarda, ketchup, molhos prontos para saladas e outros.
• Comidas de restaurantes fastfood são freqüentemente ricas em sódio (apenas um sanduíche pode chegar a ter a quantidade que você necessita do nutriente por dia). Evite-as ou escolha uma porção pequena.

Uma pessoa deve ingerir no máximo 5 gramas de sal por dia, o equivalente a uma colher rasa das de chá do alimento. Mas o brasileiro consome diariamente quase o dobro disso, principalmente porque o cloreto de sódio está presente em muitos alimentos industrializados.

O sal e o sódio

Mas antes de se desesperar, é importante saber que o sal é um alimento essencial para o bom funcionamento do organismo. Ele é uma mistura de cloreto de sódio (sódio mais cloro), iodeto de potássio (responsável pela presença do iodo), ferrocianeto de sódio e alumínio silicato de sódio (responsáveis pela diminuição da umidade do produto, evitando que o sal empedre). Tanto o sódio quanto o potássio ajudam na manutenção da pressão sangüínea, uma vez que regulam a passagem de líquidos pelas células. “O sódio também atua na transmissão de impulsos nervosos em todo o corpo, permitindo assim o funcionamento do cérebro e o controle de nossas funções vitais”, explica Paulo Olzon Monteiro da Silva, infectologista e Chefe da Disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo, Unifesp. Já o cloro é fundamental para o processo digestivo. No estômago, ele é a base para o suco gástrico, que “quebra” e ajuda a digerir os alimentos. Também aumenta a capacidade do sangue de carregar gás carbônico das células para o pulmão. O cloreto de sódio está presente em todos os tecidos e fluidos do organismo humano, como o suor e as lágrimas.

Por essa razão sua falta pode, por exemplo, causar distúrbios mentais, hipotireoidismo, aborto espontâneo, nascimento de bebês mortos e de crianças com baixo peso. Isso não significa que o sinal está verde para o sal. Como qualquer outro alimento, ele precisa ser ingerido na quantidade adequada para produzir benefícios e afastar os riscos ligados ao seu consumo excessivo. Por isso, os especialistas fazem um alerta: sal é diferente de sódio. Pode parecer óbvio, mas muita gente acredita que são sinônimos e na hora de ler os rótulos dos produtos só levam em consideração a quantidade de sódio, que é apenas um dos componentes do tempero.

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