Quem nunca chegou quebrado em casa depois de um dia puxado de trabalho? Essa cena clássica é cada vez mais comum no dia-a-dia moderno, o que tem chamado a atenção de especialistas da área de gestão. Afinal, funcionário esgotado física e mentalmente, sofrendo com dores localizadas pelo corpo e desânimo generalizado, não é bom negócio para a empresa. O ideal é que ele cuide da própria saúde e faça exercícios regularmente. Mas quem tem tempo, disposição e dinheiro para isso? A solução para o impasse pode ser mais simples e barata do que se pensa. Preocupadas com o bem-estar - e a produtividade - de seus funcionários, algumas companhias brasileiras estão apostando em um programa bastante promissor: a ginástica laboral.
Não é uma novidade. A ginástica laboral surgiu na Polônia, em 1925, destinada a operários, e se espalhou pela então Alemanha Oriental, Bulgária e Holanda. Um dos países onde mais se desenvolveu foi no Japão e, atualmente, um terço dos trabalhadores se exercita diariamente. Já na Rússia 150 mil empresas, envolvendo 5 milhões de funcionários praticavam e ainda praticam a chamada "ginástica de pausa", adaptada a cada função.
No Brasil, os exercícios chegaram por meio de executivos japoneses, por volta de 1969. Porém, até hoje são poucas as empresas que incluem a ginástica para os funcionários entre seus planos e estratégias. Felizmente, essa realidade está mudando e a tendência é que esse número cresça nos próximos anos. "A ginástica laboral oferece benefícios físicos, mentais e sociais ao empregado. Também contribui para a melhoria na produção", garante a fisioterapeuta Clarice Tanaka, diretora do Serviço de Fisioterapia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP).
PARADAS DE DEZ MINUTOS |
Os especialistas acreditam que a legislação pode ser um ótimo argumento para que as empresas implantem um programa de ginástica laboral. "Legalmente, as pessoas devem fazer uma pausa de dez minutos a cada 50 minutos de trabalho", informa. Uma nova lei que passou a valer em abril também pode servir de estímulo para as empresas cuidarem da saúde dos funcionários. A partir de agora, se o empregado adoece no trabalho, é a empresa que tem de provar que o ambiente profissional não é o responsável pela situação. |
A especialista já adianta que os exercícios são simples. Também não demandam aparato, equipamento especial ou local específico. Mas o programa precisa ser adaptado ao tipo de trabalho dos empregados. A atividade deve acontecer em uma área comum, próxima ou no próprio local de trabalho. "Se a pessoa trabalha de salto alto, saia, terno, gravata, não tem problema nenhum... É assim mesmo que ela vai fazer os exercícios", explica a fisioterapeuta Clarice Tanaka. O objetivo da ginástica é principalmente alongar e relaxar a musculatura, mas os ganhos vão muito além, melhorando a qualidade de vida do trabalhador.
A ginástica deve ser realizada diariamente, antes, durante e após o expediente. São sessões de pelo menos dez minutos. A primeira delas é preparatória e tem como principal objetivo condicionar o indivíduo para o início das atividades, aquecendo os músculos que serão solicitados na sua tarefa. Depois vem a compensatória, que visa aliviar tensões, fortalecer a musculatura, interromper os movimentos repetitivos impostos pelas tarefas de trabalho e evitar fadigas. Por fim, há o relaxamento, que ajuda a soltar os músculos e acalmar a mente.
O programa deve ser elaborado por um médico do trabalho ou outro especialista. "É fundamental conhecer o perfil dos funcionários, que tipo de atividades fazem, quais tarefas cumprem e qual é a jornada de trabalho deles. Também é preciso levar em consideração fatores de risco do trabalho, como turno, ambiente inadequado, claridade e barulho", ressalta a especialista.
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