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Edição 48 - Junho/2007
 
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  Captura híbrida alcança o HPV
Capaz de identificar o vírus por meio de uma técnica genética, este sistema de análise é mais um importante aliado da medicina diagnóstica

POR SHIRLEY SANTOS

FOTO: SÍMBOLO IMAGENSVariados meios diagnósticos têm surgido na tentativa de fazer a detecção precoce do HPV (papilomavírus humano), vírus que apresenta mais de 100 variações diferentes e que pode levar ao desenvolvimento de tumores.

A captura híbrida, nome da técnica que veio complementar o rastreamento desse vírus, mostrou-se capaz de identificar o HPV, mesmo antes de a pessoa apresentar qualquer sintoma. O grande diferencial da tecnologia é a maior sensibilidade na detecção.

Segundo a ginecologista e obstetra Lizandra Marcondes, do Hospital São Camilo, de São Paulo, “a captura híbrida serve como um apoio diagnóstico na identificação do vírus HPV, antes mesmo dele causar a lesão, informando se o subtipo viral é altamente oncogênico (capaz de levar ao câncer) ou não. Isto faz com que ele seja muito importante para a prevenção”, garante a médica.

Os vírus HPV podem causar verrugas pelo corpo (na pele e na região oral — lábios, boca...). Outros infectam a região anal e genital. No colo uterino, podem ocasionar lesões que, se não tratadas, têm potencial de progressão para o câncer.

Estudos mostram que 99% das mulheres, que têm câncer de colo uterino, foram antes infectadas pelo HPV. Quando ocorre a infecção genital, ela se manifesta de duas formas: de baixo e de alto risco. Neste caso, o processo infeccioso pode levar ao câncer. A confirmação, porém, só se estabelece por meio de um diagnóstico preciso, capaz de mostrar claramente o subtipo de maior risco.

Mas, embora tenha se tornado uma ferramenta importante, a captura híbrida não exclui os outros métodos para detecção do vírus. A técnica veio somar-se a outros exames já disponíveis para a detecção do HPV, como o papanicolau (capaz de mostrar alterações que o vírus pode causar nas células); a colposcopia (utilizada na identificação de lesões no órgão genital feminino); peniscopia (identifica lesões no órgão genital masculino) e biópsia (retirada de parte do tecido para análise). A utilização criteriosa desses exames permite prevenir, detectar e tratar a maioria das doenças sexualmente transmissíveis.

Embora seja específica para o HPV, a captura híbrida pode ainda detectar as bactérias transmitidas pelo contato sexual e que infectam as genitálias, tanto de homens quanto de mulheres — como a clamydia (agente que provoca inflamação no colo do útero, uretra, bexiga, útero e trompas) e os gonococos (que produzem a gonorréia, agridem a uretra e o colo do útero, provocando corrimento vaginal).

Novo e mais sensível
O sistema de análise por captura híbrida é relativamente novo no país (existe há 10 anos). Atualmente, toda a rede privada de saúde no Brasil já dispõe deste exame, porém a rede pública ainda não oferece o teste.

O valor cobrado por clínicas e laboratórios pode variar de R$ 200 a R$ 300 (para cada área que será feita a coleta). A maioria dos convênios médicos já oferece esta cobertura.

O sistema de captura híbrida consiste em identificar o DNA do HPV por meio de uma técnica chamada “biologia molecular”.

De acordo com o médico Sérgio Mancini Nicolau, diretor do Instituto de Oncologia em Ginecologia, de São Paulo, “é um exame muito mais sensível para a detecção de infecção por HPV, chegando a resultados muito próximos de 100%, quando o vírus está presente no trato genital da mulher”.

De acordo com o especialista, a eficácia deste método consiste em detectar o vírus antes mesmo dele significar a infecção propriamente dita, diferenciando a captura híbrida em relação aos outros exames. “O papanicolau irá diagnosticar a infecção por HPV somente quando a célula manifestar alterações, já na colposcopia é preciso haver a infecção pelo vírus para que ele seja identificado, ou seja, o material para análise, colhido nestes exames, precisa estar “doente” e apresentar-se alterado”, explica Nicolau.

Estes exames, porém, permanecem decisivos para rastrear e confirmar a doença precursora do câncer do colo ou o próprio câncer cervical uterino.

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