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Edição 46 - Maio/2007
 
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sete perguntas para um especialista
  COMA: a dificuldade em viver fora do mundo real
O coma é uma situação cerebral delicada e que requer atenção médica e cuidados especiais

POR LUCIANA FUOCO

1- O QUE É COMA?
O paciente que está em coma vive um estado parecido a um sono profundo, porém, ele não pode ser acordado (se alguém chamálo, ele não vai responder) e não demonstra nenhum conhecimento de si próprio nem do ambiente ao seu redor. Por isso, os especialistas definem o coma como um estado caracterizado, principalmente, pela ausência ou extrema diminuição da consciência (nível de alerta comportamental), e pela falta de resposta aos estímulos, tanto internos quanto externos. Durante o coma, a pessoa mantém os olhos fechados e, se fizer algum movimento, este é involuntário. Também, os médicos não podem afirmar se o paciente está dormindo ou acordado. Como o estado de consciência está alterado, não é possível fazer essa diferenciação. No entanto, ainda que o paciente esteja com suas funções neurológicas prejudicadas, a participação e a atenção dos familiares no atendimento médico é muito importante. Tranqüilidade, compreensão, auxílio e carinho são fundamentais para uma possível recuperação.

2- O QUE PODE PROVOCAR O COMA?
Muitas doenças, lesões ou anomalias graves podem afetar o bom funcionamento do cérebro e provocar o coma.

Entre elas estão o traumatismo craniano, as reações tóxicas aos medicamentos ou a ingestão voluntária de sedativos e outras substâncias tóxicas. Os neurologistas dividem as causas que levam ao coma em três tipos: supratentoriais, infratentoriais e difusas (também chamadas de multifocais ou metabólicas). As duas primeiras levam o indivíduo ao coma, quando há lesões localizadas no encéfalo, acima ou abaixo de uma estrutura anatômica do cérebro chamada tenda do cerebelo. A difusa é conseqüência de lesões que afetam vários pontos do encéfalo (e não apenas uma determinada região), sendo que esta é mais comum. As situações clínicas que provocam esse tipo de coma são bastante abrangentes: hemorragias, tumores, infartos, traumas cranianos, insuficiências hepáticas, renal e pulmonar, intoxicações, falta de oxigenação no cérebro, entre outros comprometimentos.

3- O QUE UMA PESSOA EM COMA SENTE DURANTE ESSE PERÍODO?
Os pacientes em coma não sentem nada e não demonstram percepção nenhuma. Mas é uma opinão que varia entre os especialistas. Apesar de não ter sido comprovado cientificamente, muitos médicos acham que os pacientes que vivem esse estado podem, sim, ouvir e perceber o mundo ao seu redor. Entretanto, alguns médicos acreditam que isso não é possível e, dependendo do grau do coma, muitos pacientes não demonstram sequer os reflexos mais primitivos, como o de evitar a dor. Segundo o neurologista Getúlio Daré Rabello, coordenador de Educação médica da Academia Brasileira de Neurologia, o paciente, realmente, não percebe nada do que está acontecendo à sua volta.

4- O QUE É COMA INDUZIDO?
O coma induzido acontece quando os especialistas recorrem às drogas sedativas para baixar o nível de consciência do paciente. Esse recurso é utilizado, normalmente, para permitir um melhor atendimento médico em determinados momentos da enfermidade. Além da diminuição da consciência, o metabolismo cerebral também é desacelerado, o que melhora a resposta terapêutica do paciente em várias situações. A encefalopatia decorrente da parada cardíaca, traumas cranianos, crise epiléptica, entre outros, são exemplos de situações nas quais é comum o coma induzido.

5- EXISTEM TIPOS DIFERENTES DE COMA?
Na realidade, não há uma classificação de tipos de coma, porque é uma situação que comporta apenas duas possibilidades: estar em coma ou não estar. O que existe são outras alterações de estado de consciência e que não são, do ponto de vista médico, consideradas como coma (apesar de muitas pessoas as confundirem). São elas: estado confusional agudo, morte encefálica, estado vegetativo persistente, estado minimamente responsivo (com pouca resposta).

Além disso, há situações que apenas se parecem como o coma: catatonia, síndrome do cativeiro, estados psiquiátricos de retirada. Muitas pessoas também confundem o estado de coma com a morte encefáfica, por exemplo. Mas, enquanto o coma é uma alteração de consciência potencialmente reversível, em que há prejuízo momentâneo nas respostas do indivíduo aos estímulos, a morte encefálica é uma morte, ou seja, uma situação de irreversibilidade total para a vida, sem nenhuma possibilidade de recuperação e parada de todas as funções do encéfalo.

A diferença é basicamente de prognóstico, ou seja, quanto às possibilidades de recuperação.

6- POR QUE ALGUMAS PESSOAS CONSEGUEM SAIR DO COMA DEPOIS DE LONGOS PERÍODOS?
É comum isso acontecer quando o paciente está em um estado vegetativo persistente, ou seja, quando ele ainda responde a alguns estímulos externos.

Eventualmente, essa volta também acontece do próprio coma, quando as estruturas cerebrais que são responsáveis pela consciência melhoram. No entanto, é difícil para os médicos afirmarem se esta melhora irá ou não acontecer.

7- O COMA PODE PRODUZIR ALGUM TIPO DE SEQÜELA? QUAIS?
As seqüelas dependem da causa do coma e da velocidade com que essa causa é revertida (se isso for possível). Podem haver seqüelas motoras, sensitivas, intelectuais, convulsivas ou até comportamentais. O que deve ser feito para minimizar as conseqüências é evitar as complicações decorrentes do coma e combater a causa básica.

Qualquer afecção, desde que combatida com sucesso, pode determinar êxito no tratamento. Vale lembrar que, durante o estado de coma, o paciente deve permanecer sob cuidados intensivos em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) e ligado a aparelhos que controlam suas funções vitais, como a respiração.

Getúlio Daré Rabello, neurologista e coordenador de Educação Médica da Academia Brasileira de Neurologia.


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