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Edição 46 - Maio/2007
 
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a visão médica sobre assuntos polêmicos
  Ereção prolongada nem sempre é sinal de virilidade

No imaginário masculino, e porque não dizer também no feminino, o homem que tem ereções prolongadas é viril, ou seja, sua saúde sexual é melhor do que a dos outros. Ele é o verdadeiro macho. No entanto, nem sempre é assim. Essa condição pode indicar uma doença chamada de priapismo. O homem que tem esse problema apresenta ereção prolongada, acima de seis horas, com ou sem estímulo sexual prévio. Ela é geralmente dolorosa e, mesmo após a ejaculação, o pênis não entra em repouso.

O quadro é grave e exige tratamento imediato para a preservação da saúde dos tecidos que compõem os corpos cavernosos do membro (dois cilindros localizados nas extremidades do pênis, que se enchem e se esvaziam de sangue durante a ereção e o relaxamento).

Quando o diagnóstico é feito tardiamente (ou o tratamento é protelado), os tecidos responsáveis pelo mecanismo da ereção, principalmente o músculo liso, são substituídos por fibrose (formação de cicatriz no local, com crosta) que, como conseqüência, leva a uma impotência sexual de difícil tratamento. Nesse caso, a impotência, resultado do priapismo, não pode ser resolvida com as terapias disponíveis. Por conta disso, a última alternativa é a colocação de próteses que, em grande parte das vezes, são de difícil manuseio, devido à presença de fibrose intensa.

Existem dois tipos de priapismo: o de baixo fluxo ou venoso e o de alto fluxo. O primeiro é caracterizado por ereção plena, rigída e dolorosa. O de alto fluxo, que raramente acontece, não apresenta ereção tão severa, é indolor, e pode passar muito tempo sem lesar os corpos cavernosos. Sua principal causa é o trauma peniano.

Nos Estados Unidos, por exemplo, ocorrem 1,5 casos da doença a cada 100.000 pessoas por ano. Em homens acima dos 40 anos, esta incidência aumenta para 2,9 casos para cada 100.000 habitantes, anualmente. Isso porque a causa mais freqüente do priapismo é o uso de medicamentos contra a impotência sexual, principalmente as drogas injetáveis, utilizadas, geralmente, por pacientes mais velhos, que já passaram dos 40 anos.

O PRIAPISMO É UMA DOENÇA GRAVE QUE, QUANDO NÃO É TRATADA IMEDIATAMENTE, LEVA, MUITAS VEZES, À IMPOTÊNCIA SEXUAL DEFINITIVA

No entanto, pacientes que apresentam anemia falciforme, correm mais riscos de desenvolver o priapismo, que atinge 38% a 42% dessa população. Entre os outros fatores desencadeantes do problema estão alguns medicamentos para o tratamento de transtornos psiquiátricos e, muito raramente, o uso de drogas, como cocaína, maconha e ecstasy.

Mas há casos em que o priapismo é um sinal de algo mais grave, como tumores, e algumas doenças hematológicas, como leucemia, mieloma múltiplo, anemia falciforme e talassemia (ou anemia do Mediterrâneo).

O tratamento do priapismo envolve várias terapias, indicadas de acordo com cada caso específico. Primeiramente, são aplicadas injeções de substâncias capazes de contrair o músculo liso dos corpos cavernosos, facilitando a drenagem do sangue da região. Se este procedimento não der resultado, o próximo passo é realizar o esvaziamento e a lavagem dos corpos cavernosos. Mas se nada disso adiantar, vale recorrer à cirurgia.

Esse procedimento, mesmo que devolva ao pênis a sua condição normal de relaxamento (flacidez do membro), deixa todos os pacientes impotentes. Sendo assim, outras cirurgias, na tentativa de restaurar a potência sexual, precisam ser realizadas.

Portanto, o prapismo, longe de ser uma condição de privilégio, apresenta uma ereção prolongada e dolorosa e é, por si só, uma doença grave que deve ser levada ao conhecimento de um especialista, assim que for notada, para um tratamento adequado. Isso porque o diagnóstico tardio torna, na maioria das vezes, a impotência sexual provocada pelo priapismo um quadro difícil de ser revertido.

ADRIANO FREGONESI É ASSISTENTE DOUTOR DE UROLOGIA DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP)


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