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Edição 46 - Maio/2007
 
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  Querer é poder?
A ciência afirma, quando o assunto é saúde: enfrentar situações difíceis com atitudes positivas ajuda na prevenção e na recuperação de doenças

POR EULINA OLIVEIRA E LILIAN HIRATA

FOTO: PETER GARFIELD/CORBISVocê deve estar pensando: "já vi esse filme antes". Provavelmente. Até porque, em tempos modernos, todo mundo valoriza a importância do otimismo, por esse ou aquele motivo. Mensagens positivas estão por toda parte, em livros, CDs, palestras, outdoors. Até mesmo o Orkut, maior site de relacionamento do mundo, mantém várias comunidades sobre o assunto. Essas pessoas acreditam que agindo dessa maneira irão atrair mais dinheiro, imóveis, carros, amigos, melhores posições sociais, ou seja, coisas boas. Até aí nenhum problema. No entanto, quando a ques tão chega à área da saúde, uma pertinente discussão surge: afinal, será que para garantir uma excelente condição física, mental e emocional, manter o pensamento positivo, mentalizar a melhora do próprio estado de saúde ou desejar ardentemente que uma doença desapareça são estratégias que produzem efeito?

Certamente os especialistas vão dizer que não. Ficar parado imaginando-se curado de um câncer, definitivamente, não é a terapia ideal. No entanto, estudos científicos sérios, realizados em diversos países, comprovam que uma atitude positiva diante de uma doença é um forte aliado para a melhora geral do indivíduo. Mas por que isso acontece ainda não se sabe. É unânime a conclusão de que a pessoa que encara com otimismo uma situação de doença tem mais disposição para seguir o tratamento pro posto pelo médico, de cuidar melhor de si mesma e tomar decisões que favoreçam o seu bem-estar.

Na prática
Há três anos, pesando 163 kg, o administrador de empresas Douglas Braga, de Niterói (RJ), decidiu emagrecer sem recorrer aos medicamentos nem à cirurgia de redução do estômago. Ele perdeu 47 quilos. Como? "Além de fazer dieta, usei, e ainda uso, o pensamento positivo para eliminar peso", afirma Douglas, de 41 anos, que pretende enxugar mais 20 quilos. Esse é o tipo de depoimento que não convence a classe médica. Principalmente porque a obesidade já virou problema de saúde pública. Além disso, a maioria das pessoas sente dificuldade em atingir seu peso ideal, mesmo com os mais modernos tratamentos disponíveis. Os especialistas também apontam pa ra o fato de que Douglas não ficou esperando seu objetivo cair do céu. Ele também se submeteu a uma reformulação em sua dieta alimentar, o que é fundamental nesse caso.

Assim como o administrador de empresas, muitas pessoas acreditam que a recuperação de alguma doença se deve ao otimismo, à esperança ou à fé (como você quiser chamar esse tipo de atitude). No entanto, a ciência também dá o devido crédito ao pensamento positivo. "Um indivíduo autoconfiante, centrado, seguro e com boa auto-estima, não entra em depressão por conta de uma enfermidade", explica o médico psiquiatra José Toufic Thomé, coordenador do Departamento de Psicoterapia da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

O especialista lembra que vários estudos publicados pela literatura médica comprovam que um bom humor incentiva a liberação da substância serotonina e de outros neurotransmissores responsáveis pe las sensações de prazer e bem-estar. "Desta forma, a pessoa fica mais motivada para buscar o que quer, inclusive lidando melhor com as dificuldades que uma doença pode proporcionar", explica o psiquiatra. "Quando o paciente acredita na cura e a deseja de verdade, vai usar todos os seus esforços de maneira consciente ou inconsciente para conseguir esse objetivo", afirma Plínio Montagna, diretor-científico da Sociedade Brasileira de Psicanálise.

Segundo o psicanalista, "estados mentais positivos estimulam o sistema imunológico. Por outro lado, a atitude negativa pode diminuir o poder de defesa do organismo". A explicação é a de que o otimismo e a alegria inibem a produção de hormônios como a adrenalina que, em excesso, baixam essas defesas e ainda podem elevar a pressão arterial, o que favorece os problemas cardiovasculares.

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