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Edição 46 - Maio/2007
 
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  O "barato" da corrida e os riscos de viciar
Correr é um esporte cada vez mais popular. E não é para menos: pode ser praticado em qualquer lugar e ainda ajuda a manter a saúde em dia. Mas atenção: quando vira um vício pode causar problemas

POR ROSANA FARIA DE FREITAS
FOTOS FERNANDO GARDINALI

Atividade física é saúde. Alguém duvida? A prática constante de um exercício ou esporte diminui a ansiedade, ajuda a descarregar as tensões do dia-a-dia e promove inúmeros ganhos ao organismo. A corrida se insere nesse contexto e, por sua simplicidade de execução e baixo custo, ganha cada vez mais adeptos de todas as idades e classes sociais. Mais do que isso, vem entrando no receituário de médicos que enxergam no esporte uma forma de prevenir e tratar diversas patologias. Só para se ter uma idéia, já foram descritos mais de 20 benefícios fisiológicos decorrentes dessa atividade, desde o melhor funcionamento do sistema cardiovascular até a fixação de cálcio na matriz óssea, que combate a osteoporose.

"O conceito de qualidade de vida é muito valorizado hoje em dia. As pessoas buscam, então, exercícios que proporcionem mais contato com a natureza, como é o caso da corrida", diz Marcos Paulo Reis, especialista em treinamento desportivo. "Ela acaba se tornando uma válvula de escape, que contagia e deixa seus adeptos viciados", completa João Ricardo Cozac, psicólogo que atua na área esportiva.

Exagero falar em vício? Tudo leva a crer que não. Quando uma pessoa corre, o organismo produz substâncias, como endorfina, serotonina e dopamina, utilizadas pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso - daí serem chamadas de neurotransmissores. O cérebro as produz em resposta à atividade física, de forma a relaxar o corpo, preservá-lo da dor e provocar sensação de prazer, euforia e bem-estar. "O aumento da freqüência cardíaca, durante o exercício, faz com que todo o organismo passe a absorver e utilizar mais oxigênio, tanto para os músculos quanto para o sistema nervoso central", esclarece Wanderlei de Oliveira, diretor da Federação Paulista de Atletismo e da Run for Life (SP). É por esse mecanismo que se dá a liberação dos neurotransmissores, que atuam no controle da tensão e da ansiedade, levando a um maior relaxamento e auto-confiança.

Mudanças na cabeça e no corpo
Além dessas alterações físicas, o vício no esporte acontece também por questões de ordem psicológica. "A ação da endorfina, juntamente com a sensação de missão cumprida ao terminar um treino, completar um percurso ou cruzar a linha de chegada de uma prova, traz uma enorme satisfação, que estimula a correr mais e mais", avalia o personal trainer Isaías Rodrigues. Há que se levar em conta, ainda, que a corrida é uma das atividades mais eficientes para emagrecer - e, por isso, muitos praticantes, especialmente mulheres, tornam-se dependentes na tentativa de manter o peso. Neste caso, o exercício funciona como contra-peso, uma forma de compensar os exageros à mesa.

VOCÊ PODE ESTAR VICIADO SE...
... CORRE DE CINCO A SETE VEZES POR SEMANA. ... CONSIDERA A CORRIDA COMO A ATIVIDADE MAIS IMPORTANTE DE SUA VIDA. ... SENTE IRRITAÇÃO E CULPA SE NÃO PRATICA. ... TENTA CORRER, MESMO QUANDO ESTÁ DOENTE, LESIONADO OU COM QUALQUER CONTRA-INDICAÇÃO MÉDICA. ... ACREDITA QUE SÓ CORRENDO CONSEGUIRÁ MANTER A FORMA.

"Tudo isso é potencializado se a pessoa teve o seu corpo transformado pelo esporte. Há aqueles que moldaram as curvas ou eliminaram muitos quilos correndo e temem perder tudo se pararem", alerta Wanderlei.

Quando existe uma certa obsessão pela imagem corporal, então, o risco de se viciar é maior. "Cuidar-se, de maneira adequada, significa zelar por si próprio. Mas alguns extrapolam - são os chamados 'ginastocólatras' -, estimulados por uma auto-idolatria que rompe os limites do aceitável. Tornamse compulsivos pelo exercício e dão uma importância descomunal a qualquer detalhe do corpo - mesmo que seja 1 kg a mais", diz João Ricardo.

Identificar benefícios no físico e não querer perdê-los - e, assim, tornar- se um viciado no esporte - não é, necessariamente, algo negativo. A dependência só começa a preocupar, se está prejudicando a pessoa de alguma forma ou colocando a sua saúde em risco. Basicamente, é importante ficar atento a três sinais de que algo está errado. Em primeiro lugar, observar se a corrida é tão importante que todo o resto - família, trabalho, amigos, vida social - fica em segundo plano. Também, perceber se a dependência faz com que a pessoa tenha sintomas de abstinência quando não consegue treinar, como irritabilidade, ansiedade e depressão. Em terceiro, checar se o exagero no exercício não está colocando a saúde em risco.

CORRIDA X DEPRESSÃO
O ESPORTE É UM IMPORTANTE ALIADO NO TRATAMENTO DA DEPRESSÃO. TANTO QUE, QUANDO ELE ENTRA EM CENA, MUITOS MÉDICOS DIMINUEM A DOSE DO REMÉDIO. SUA EFICÁCIA É TÃO GRANDE, QUE A ASSOCIAÇÃO MÉDICA AMERICANA INDICA O EXERCÍCIO COMO FORMA DE PREVENÇÃO PARA QUEM TEM TENDÊNCIA À DEPRESSÃO.

ESTUDOS NORTE-AMERICANOS DETECTARAM QUE 86% DE UM GRUPO DE CORREDORES SE SENTIA CULPADO, CASO PERDESSE UMA SESSÃO DE TREINAMENTO, E 72% FICAVA TENSO, IRRITADO OU DEPRIMIDO

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