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Edição 46 - Maio/2007
 
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  alimentos mais completos
Os mais variados produtos enriquecidos já estão nas prateleiras. Eles têm doses extras de vitaminas, minerais, fibras e ácidos graxos, que vão revolucionar a sua alimentação. Mas é preciso consumi-los na quantia adequada

POR YARA ACHÔA
FOTOS FERNANDO GARDINALI

Vitaminado. Enriquecido com ferro. Mais vitaminas e sais minerais. Rico em fibras. Não há como negar que todos esses apelos, sempre em destaque nas embalagens alimentícias, chamam a nossa atenção. "Os consumidores são atraídos por essas palavras nos rótulos, uma vez que a preocupação com a qualidade da alimentação cresceu nos últimos anos", atesta a nutricionista Raquel Maia Chaves, da Sprim Brasil, do Rio de Janeiro. Aumentar o poder nutritivo dos alimentos industrializados é, portanto, a mais forte tendência do momento. Para se ter idéia, nos Estados Unidos, esse mercado movimenta cerca de 15 bilhões de dólares por ano. No Brasil, ainda não existem números exatos, mas pela quantidade de novos produtos do gênero que chegam aos supermercados, constantemente, por aqui o volume também é grande.

Segundo a nutricionista, esse movimento pelo bem-estar começou nos anos 60, quando surgiram os primeiros estudos que apontavam que gordura e açúcar em excesso podem prejudicar a saúde. A partir daí, a corrida da indústria alimentícia para desenvolver produtos mais saudáveis avançou consideravelmente. "O caminho, hoje, é tentar aumentar, o mais possível, o valor nutricional dos alimentos", explica Raquel Chaves.

Universidades e centros acadêmicos, em todo o mundo, também enxergam nessa tecnologia a chance de suprir deficiências nutricionais encontradas na população. "O departamento de Nutrição da Universidade Federal do Rio Grande do Norte conseguiu fazer um pão enriquecido com ômega 3, nutriente encontrado principalmente nos peixes, que foi oferecido para pessoas com altas taxas de triglicéride e colesterol no sangue. O desafio maior era obter um alimento sem gosto e sem cheiro de peixe para não agredir o paladar. O resultado foi satisfatório: o produto foi bem aceito e os índices de triglicéride e colesterol que estavam elevados foram reduzidos", diz a endocrinologista e nutróloga Valéria Goulart, de São Paulo.

No entanto, o que vemos por aí agora são salgadinhos, biscoitos, cereais matinais, gelatinas, farinhas e até balas e água em versões fortificadas. Mas, afinal, esses produtos industrializados carregam mesmo quantidades suficientes de nutrientes para fazer bem à saúde? Aliás, podem ser consumidos à vontade? Substituiriam os alimentos naturais?

O SEGREDO DO RÓTULO
Em primeiro lugar, o consumo saudável começa com a observação das palavras - geralmente miudinhas - no rótulo da embalagem. É na hora da compra que é preciso colocar "uma lente de aumento" sobre essas informações. Ali você poderá fazer sua própria avaliação. Se por um lado, determinado produto fornece doses de vitaminas e sais minerais, por outro, muitas vezes, ele apresenta altos índices de gorduras, açúcares e sódio, que podem levar a problemas como obesidade e diabetes e, no caso do sódio, há uma sobrecarga dos rins.

ENTENDA OS ENRIQUECIDOENTENDA OS ENRIQUECIDOS
O produto enriquecido ou fortificado oferece acréscimo real do nutriente apontado. No caso brasileiro, deve corresponder, para alimentos sólidos, a 30% das necessidades diárias daquele nutriente, em cada 100 g. Para produtos líquidos, esse valor é de 15% para cada 100 ml. Caso o produto não atinja esse índice, mas forneça metade dele, então o rótulo só poderá informar que ele é fonte de determinado nutriente ou somente que o contém em sua composição.

Traduzindo: "os enriquecidos são os que contêm a maior quantidade de determinado nutriente, seguidos dos que são fonte dele e depois pelos que apenas têm a substância", explica a nutricionista Maria Pia Costa.

"Assim, se seu filho tem deficiência de cálcio na alimentação, prefira os produtos enriquecidos com o mineral. Aquele que apenas contém esse nutriente, não produzirá resultados no equilíbrio da dieta", completa a especialista Gabriella Guerrero Pereira.

Segundo a Anvisa, os alimentos enriquecidos de vitaminas ou sais minerais, para que possam ser chamados assim, devem fornecer na porção média diária ingerida (para adulto em estado físico normal), 60% dos nutrientes contidos no produto, no mínimo, da quota diária recomendada para adultos. Porém, é permitida a adição de até 100% a mais de vitaminas no alimento industrializado, exceto da vitamina D, para compensar as perdas eventuais decorrentes do tempo de prateleira.

Lembre-se: no rótulo, a descrição dos ingredientes aparece em forma decrescente. Ou seja, do que há em maior quantidade para o que há em menor quantidade. E, às vezes, as vitaminas estão no final desta lista

"Por isso, é fundamental observar as informações como teor de carboidratos, de sódio e de gordura. E ainda checar se possui quantidade pequena ou é isento de gordura trans", ensina Raquel Maia Chaves. "Quanto mais gorduras, açúcares e corantes, mais comprometida fica a qualidade nutricional do alimento", completa Márcia Regina Del Grandi, nutricionista, da NutriEstética, de São Paulo.

A médica Valéria Goulart lembra também que muitos rótulos vêm com dizeres bastante atraentes: achocolatado com Actigen-E, leite com Prebio 1+, queijinho com Maxi-D, com Pantotenato de Cálcio, biscoito com Niacina. "O consumidor, com certeza, fica na dúvida sobre o que significam esses aditivos, mas pensa: 'devem ser bons'. O mesmo ocorre quando é adicionada a palavra 'plus'. Às vezes, a impressão é de que não se está comprando um alimento e, sim, um poderoso medicamento", alerta Valéria.

OS MAIS MAIOS MAIS MAIS
Estes produtos foram eleitos pelos especialistas porque cumprem a finalidade para a qual estão destinados e, paralelamente, ajudam na alimentação saudável e natural:
1) Leite enriquecido com ferro, cálcio ou vitaminas.
2) Achocolatado fortificado.
3) Pão enriquecido com fibras (inclusive, já existe pão francês rico em fibras).
4) Iogurte com prebióticos (microrganismos que melhoram o funcionamento do intestino).
5) Água com adição de fibras.
6) Margarina enriquecida com vitaminas, mas isenta de gordura trans.
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