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Edição 45 - Abril/2007
 
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  Dieta das Calorias Inteligentes
O método, elaborado pelo Hospital das Clínicas de São Paulo, promete a perda de peso com um cálculo simples e sem restrições alimentares. Entenda como funciona e a opinião de profissionais da saúde sobre sua eficácia

POR AGUINALDO PETTINATTI

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENSÉ inegável que estamos vivenciando uma época, na qual o sobrepeso e a obesidade já não são mais só uma mera questão de estética, são também um grande problema de saúde pública. No mundo todo, quase 50% da população está acima do peso. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a obesidade atinge 8,9% das mulheres e 13,1% dos homens brasileiros. Uma estatística para lá de preocupante. Isso porque já está comprovado, por exemplo, que uma pessoa que está acima de seu peso ideal tem mais chances de desenvolver doenças como o diabetes tipo 2 e distúrbios cardiovasculares.

De olho no problema e na tentativa de reverter essa situação, o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - maior complexo de saúde da América Latina - criou, em 2006, a Dieta das Calorias Inteligentes. Ela foi elaborada por uma equipe de nutricionistas, coordenada por Cesar Pedroso, administrador- hospitalar e fundador do Instituto da Saúde Integral (ISI).

O sucesso do método - registrado no livro A Dieta das Calorias Inteligentes - foi imediato por conta da credibilidade do hospital. "Criamos uma cultura de preocupação com o sobrepeso. Não é uma dieta, mas um programa de reeducação alimentar", explica o coordenador do projeto no HC, Haino Burmester. Mas há quem critique sua funcionalidade, como acontece com qualquer outro tipo de dieta que logo ganha fama e é indicada para todo mundo.

Por isso, Viva Saúde conversou com alguns especialistas, para saber qual a opinião deles em relação à Dieta das Calorias Inteligentes. Confira.

É impessoal e deixa de lado fatores importantes
O médico nutrólogo do Instituto de Metabolismo e Nutrição, de São Paulo, Celso Cukier, acredita que toda dieta leva à perda de peso, quando o indivíduo reduz a ingestão de calorias e adquire uma alimentação balanceada com todos os nutrientes necessários - carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e fibras. "No entanto, o melhor método é aquele que oferece orientação individualizada", aponta. Para ele, as dietas (inclusive a do HC) também devem incluir um programa que considere o gasto energético, o estilo de vida de cada um, além de gostos e horários. O nutrólogo ainda levanta uma questão: "resta saber se os resultados com esta dieta podem ser perpetuados ou durar, pelo menos, cinco anos".

Outro ponto esquecido pela dieta do HC, segundo Celso Cukier, é a situa ção dos esportistas. "Quem pratica esportes possui necessidades diferentes, que variam de acordo com a modalidade escolhida e a intensidade do esforço físico", aponta.

De acordo com o nutrólogo, a dieta também não considera o gasto energético individual que cada pessoa tem, estando em repouso. Além disso, "o peso mostrado pela balança não revela o que realmente a pessoa perdeu: massa muscular, massa óssea ou gordura", analisa. Essas informações são indicadores importantes, que mostram se a pessoa realmente está atingindo seus objetivos.

A dieta não atende a necessidade de todos
Na opinião de Cláudia Cozer, doutora em endocrinologia pela USP e diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), "realizar um trabalho de reeducação alimentar sem ver o paciente pessoalmente é muito subjetivo". "O profissional precisa saber onde está localizada a gordura do paciente, fato que muda todo o enfoque do tratamento. Se for no abdômen, por exemplo, é sinal de perigo, pois isso pode predispor a doenças cardíacas, altas taxas de colesterol no sangue, diabetes, arteriosclerose, entre outros", esclarece.

No entanto, a médica avalia o fato de o programa se basear na pirâmide alimentar, o que está correto. Mas alerta que pacientes com problemas de saúde precisam de orientações especiais. "Quem tem altas taxas de triglicéride, por exemplo, precisa reduzir a ingestão de carboidratos. Aqueles com colesterol acima do normal precisam consumir menos gorduras. Já quem sofre com ácido úrico, não pode comer carne e frutos do mar. Os diabéticos, por sua vez, têm que enriquecer a alimentação com cereais integrais", afirma.

Um método vantajoso
A simplicidade do método é a explicação para o segredo do sucesso da dieta, segundo o chefe da disciplina de Clínica Médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Olzon Monteiro da Silva. Para ele, outra vantagem da Dieta das Calorias Inteligentes está no fato de privilegiar o consumo dos carboidratos complexos - que por conta de sua absorção lenta, pelo organismo, proporciona sa ciedade por mais tempo -, como os cereais integrais, algumas frutas e nozes. O consumo de carboidratos simples (alimentos refinados, como macarrão, açúcar, arroz branco), por outro lado, são usados rapidamente e a pessoa logo fica com fome.

Boa alternativa
"A Dieta das Calorias Inteligentes é uma ferramenta interessante para melhorar a qualidade da alimentação e contribuir para a perda de peso, além de apresentar uma linguagem fácil, importante para a população em geral", opina a nutricionista Patrícia Bertolucci, de São Paulo.

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