Imagine se você fizesse o seguinte pedido em um restaurante: "Por favor, quero um ômega 3 grelhado, acompanhado de alfa e beta-caroteno, genisteína, adenosina e bem temperado com quercitina, alicina, trissulfeto de metil-alila, capsaicina e um fio de ácido graxo monoinsaturado. Para beber, um cálice de luteonina e resveratrol. Ah! Como sobremesa, uma salada de flavonóides e fibras insolúveis, regada a suco de triterpenóides e vitamina C e salpicada com fibras solúveis." Certamente, o garçom não entenderia nada.
Em compensação, seu organismo sim. E o seu coração ficaria eternamente grato se esses nutrientes de nomes esquisitos fossem incluídos diariamente no seu cardápio. Em outras palavras, nosso menu ficaria assim: "Por favor, quero um peixe grelhado, acompanhado de cenoura e abóbora, ervilhas, grãos de soja e cogumelos e bem temperado com cebola, alho e pimenta e um fio de azeite extra-virgem. Para beber, um cálice de vinho tinto. Ah! Como sobremesa, uma salada de frutas, regada a suco de laranja e salpicada com aveia."
Essa é a típica refeição dos povos mediterrâneos, como portugueses, gregos, espanhóis e italianos, e alvo de vários estudos que comprovam que ela mantém as artérias livres de gorduras e a saúde do coração.
De acordo com os especialistas, manter essa dieta mediterrânea e associá- la a hábitos de vida saudáveis, como praticar atividades físicas regularmente, não fumar e não beber, afastam os perigos que ameaçam o coração.
O elo entre a alimentação e os prejuízos para a saúde cardíaca é tão verdadeiro, que entre os principais causadores de doenças cardiovasculares estão o colesterol elevado, a obesidade e o diabetes.
Apesar disso, especialistas garantem que não há um alimento que possa ser considerado vilão ou mocinho por si só. Sua ação dependerá de como ele é consumido por você.
Confira, a seguir, os alimentos que disputam o seu coração - ou protegendo esse órgão vital ou atacando...
Os amigos do peito
PEIXES
Há uma associação entre a baixa incidência de doenças cardiovasculares e o elevado consumo de peixes e animais marinhos.
Certos tipos de peixes, especialmente os de água fria, como salmão, cavala, sardinha, arenque, atum e truta, são ricos em ômega 3. Esse tipo de gordura beneficia o coração, porque é capaz de reduzir os níveis de gordura no sangue. A pesquisadora Joyce Netleton, da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, constatou que o ômega 3 diminui a agregação das plaquetas, um tipo de célula do sangue que entra no mecanismo de coagulação. Essas células, mais as substâncias gordurosas do sangue, como triglicéride e colesterol, aos poucos, podem formar coágulos e placas que vão se depositar no interior dos vasos, diminuindo o fluxo sangüíneo e aumentando os riscos de infarto. O ácido graxo polinsaturado também ajuda a diminuir a viscosidade do sangue (tornando-o mais fluido), promove o relaxamento das artérias coronárias e reduz a pressão arterial.
AZEITE
"Dados epidemiológicos mostram que populações que vivem na região do mar Mediterrâneo possuem menor risco de desenvolver doenças cardiovasculares, devido ao tipo de alimentação adotada, na qual a principal fonte de gordura é o azeite de oliva", alerta a nutricionista Rosana Perim, do Hospital do Coração (SP).
Calcula-se que 70 % da composição do azeite seja de ácido oléico, um ácido graxo que estimula o fígado a produzir HDL, o colesterol bom que arrasta para fora dos vasos o mau colesterol (LDL), aquele que entope as artérias, diminui a circulação do sangue e aumenta a pressão arterial e os riscos de infarto e derrames. Já os compostos fenólicos (também presentes no tempero) atuam como antioxidantes e impedem que o LDL se oxide e ataque as artérias. Os fenóis ainda aumentam a elasticidade dos vasos.
VINHO TINTO
Apenas uma taça da bebida por dia pode diminuir o risco de ataques cardíacos, dizem os pesquisadores. Essa proteção ao coração ocorre por conta de substâncias encontradas na película interna das cascas da uva. Conhecidas como flavonóides, elas inibem a oxidação do colesterol ruim (LDL), diminuindo as malefícios que causa aos vasos, como a formação de placas e o endurecimento de suas paredes. Além disso, os flavonóides também diminuem a agregação das plaquetas (células sangüíneas atuantes na coagulação) e, conseqüentemente, o surgimento de coágulos, que podem provocar uma obstrução fatal em vasos já bloqueados por gorduras. Entre os flavonóides, a substância mais importante é o resveratrol, componente do vinho que não é apenas antioxidante, mas que também apresenta propriedades antiinflamatórias que colaboram na prevenção de doenças cardiovasculares.
Um estudo realizado pela Universidade de Barcelona, na Espanha, e publicado na revista americana Analytical Chemistry, demonstra que o resveratrol é capaz de diminuir os níveis de LDL humano, comprovando assim seu papel protetor das artérias.
Outro estudo, realizado pelo cardiologista Protásio Lemos da Luz, do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, revelou que o suco natural da uva, sem a presença do álcool, também tem a capacidade de ajudar o organismo na prevenção de problemas cardiovasculares. Essa, aliás, é uma boa notícia, especialmente para quem sofre com a hipertensão. Para essas pessoas, a ingestão de álcool pode aumentar a pressão arterial e, por isso, os riscos para a saúde do coração.
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