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Edição 45 - Abril/2007
 
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  Tempo de se prevenir
Neste momento, institutos de pesquisa de todo o mundo, inclusive do Brasil, testam a eficácia de várias vacinas para proteger a população de antigos males, doenças graves e da ameaça de epidemias. Saiba quais as fórmulas mais promissoras e quando elas estarão disponíveis

POR EULINA OLIVEIRA
FOTOS FERNANDO GARDINALI

O Brasil poderá se tornar o primeiro país a produzir uma vacina contra a dengue, doença causada por um vírus transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. O Instituto Butantan (SP), que responde por 85% da produção de vacinas na América Latina, espera lançá-la em 2009. Segundo o Ministério da Saúde, só nos meses de janeiro e fevereiro foram registrados quase 80 mil casos de dengue, um aumento de cerca de 30% em relação ao primeiro bimestre de 2006.

O Instituto Butantan também planeja produzir mais 11 vacinas nos próximos três anos: contra o botulismo (ainda este ano), a gripe aviária (2008), a leishmaniose (2009), o amarelão e as doenças pneumocócicas (2010).

Outra vacina bastante esperada, que promete barrar de alguma forma a ação do vírus HIV, causador da Aids, também está nos laboratórios. Atualmente, cerca de 30 tipos de vacinas preventivas contra o HIV estão sendo testados no mundo — embora não haja uma previsão de quando essa imunização será possível. “É difícil estabelecer prazos, mas o objetivo é descobrir a vacina o mais rápido possível”, garante o infectologista Esper Georges Kallás, coordenador de estudos sobre a vacina contra a Aids na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Segundo ele, a definição de uma data para o lançamento pode gerar falsas expectativas e frustração na população. “Também não sabemos ainda se a vacina vai dar certo. É importante deixar claro que, mesmo que ela venha a existir, não se deve prescindir de outras medidas de prevenção, como o sexo seguro, com o uso de preservativos”, adverte Kallás.

ANTES DA VACINA EXISTIR ...
... a única maneira de uma pessoa se tornar imune a uma doença era adoecer e sobreviver a ela. Isso porque, quando o organismo entra em contato com um agente agressor (vírus, bactéria, fungo, protozoário), é acionado o sistema imunológico. Este mecanismo de defesa natural, entre outras ações, tem a função de estimular uma espécie de memória celular, fazendo com que as células de defesa guardem a lembrança do inimigo e partam para o mesmo eficiente ataque, assim que uma nova invasão por este agente ocorra.

AGORA ... as vacinas têm a função de imitar essa reação natural de ataque. Para isso, suas fórmulas contém o próprio agente causador da doença — mas ele está morto, enfraquecido ou foi produzido em laboratório.

Mas, para os especialistas, os avanços na área de vacinas são bem promissores. Porém, mais importante do que descobrir imunizantes poderosos, para conter a evolução de determinados males, será investir em pesquisas e obter vacinas a um custo acessível, para atingir o maior número de pessoas possível. Esse será o maior desafio no futuro, principalmente para os países que estão em desenvolvimento, como o Brasil.

Atualmente, os governos buscam vacinar apenas grupos de risco, como os maiores de 60 anos contra a gripe, por exemplo, ou bebês prematuros contra a meningite pneumocócica. Outras vacinas, como a que previne o sarampo, a varicela e, mais recentemente o HPV (vírus responsável por 98% dos casos de câncer de colo de útero), infelizmente ainda estão disponíveis somente na rede particular, a preços que poucos podem pagar.

Esforço que vale a pena
O pediatra Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), ressalta que é “somente por meio da imunização que as populações podem realmente se proteger de determinadas doenças”, afirma.

Ele lembra, inclusive, que foi com a vacinação em massa que, em 1989, o país parou de registrar casos de poliomielite (doença causada por vírus e responsável pela paralisia infantil).

De acordo com Kfouri, além de reduzir o número de mortes e complicações, a vacinação provoca o chamado “efeito rebanho”, ao evitar a transmissão da doença até entre as pessoas que não se vacinam e, assim, reduzir os riscos de epidemias. “Indiretamente, as vacinas diminuem a incidência da doença entre os não-vacinados, que também deixam de ser portadores, de adoecer e de transmitir a doença”, explica.

Confira, a seguir, as vacinas que acabaram de chegar, as que estão a caminho no mercado brasileiro e outras que se encontram em processo de desenvolvimento pelo mundo.

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