O Brasil poderá se tornar o primeiro país a produzir uma vacina contra a dengue, doença causada por um vírus transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti. O Instituto Butantan (SP), que responde por 85% da produção de vacinas na América Latina, espera lançá-la em 2009. Segundo o Ministério da Saúde, só nos meses de janeiro e fevereiro foram registrados quase 80 mil casos de dengue, um aumento de cerca de 30% em relação ao primeiro bimestre de 2006.
O Instituto Butantan também planeja produzir mais 11 vacinas nos próximos três anos: contra o botulismo (ainda este ano), a gripe aviária (2008), a leishmaniose (2009), o amarelão e as doenças pneumocócicas (2010).
Outra vacina bastante esperada, que promete barrar de alguma forma a ação do vírus HIV, causador da Aids, também está nos laboratórios. Atualmente, cerca de 30 tipos de vacinas preventivas contra o HIV estão sendo testados no mundo — embora não haja uma previsão de quando essa imunização será possível. “É difícil estabelecer prazos, mas o objetivo é descobrir a vacina o mais rápido possível”, garante o infectologista Esper Georges Kallás, coordenador de estudos sobre a vacina contra a Aids na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo ele, a definição de uma data para o lançamento pode gerar falsas expectativas e frustração na população. “Também não sabemos ainda se a vacina vai dar certo. É importante deixar claro que, mesmo que ela venha a existir, não se deve prescindir de outras medidas de prevenção, como o sexo seguro, com o uso de preservativos”, adverte Kallás.
ANTES DA VACINA EXISTIR ...
... a única maneira de uma pessoa se tornar imune a uma doença era adoecer e sobreviver a ela. Isso porque, quando o organismo entra em contato com um agente agressor (vírus, bactéria, fungo, protozoário), é acionado o sistema imunológico. Este mecanismo de defesa natural, entre outras ações, tem a função de estimular uma espécie de memória celular, fazendo com que as células de defesa guardem a lembrança do inimigo e partam para o mesmo eficiente ataque, assim que uma nova invasão por este agente ocorra.
AGORA ... as vacinas têm a função de imitar essa reação natural de ataque. Para isso, suas fórmulas contém o próprio agente causador da doença — mas ele está morto, enfraquecido ou foi produzido em laboratório. |
Mas, para os especialistas, os avanços na área de vacinas são bem promissores. Porém, mais importante do que descobrir imunizantes poderosos, para conter a evolução de determinados males, será investir em pesquisas e obter vacinas a um custo acessível, para atingir o maior número de pessoas possível. Esse será o maior desafio no futuro, principalmente para os países que estão em desenvolvimento, como o Brasil.
Atualmente, os governos buscam vacinar apenas grupos de risco, como os maiores de 60 anos contra a gripe, por exemplo, ou bebês prematuros contra a meningite pneumocócica. Outras vacinas, como a que previne o sarampo, a varicela e, mais recentemente o HPV (vírus responsável por 98% dos casos de câncer de colo de útero), infelizmente ainda estão disponíveis somente na rede particular, a preços que poucos podem pagar.
Esforço que vale a pena
O pediatra Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), ressalta que é “somente por meio da imunização que as populações podem realmente se proteger de determinadas doenças”, afirma.
Ele lembra, inclusive, que foi com a vacinação em massa que, em 1989, o país parou de registrar casos de poliomielite (doença causada por vírus e responsável pela paralisia infantil).
De acordo com Kfouri, além de reduzir o número de mortes e complicações, a vacinação provoca o chamado “efeito rebanho”, ao evitar a transmissão da doença até entre as pessoas que não se vacinam e, assim, reduzir os riscos de epidemias. “Indiretamente, as vacinas diminuem a incidência da doença entre os não-vacinados, que também deixam de ser portadores, de adoecer e de transmitir a doença”, explica.
Confira, a seguir, as vacinas que acabaram de chegar, as que estão a caminho no mercado brasileiro e outras que se encontram em processo de desenvolvimento pelo mundo.
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