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Edição 45 - Abril/2007
 
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Quando o bebê balbucia as primeiras palavras, é uma festa em família. Mas o que fazer quando isso demora a acontecer ou quando a criança troca as letras, gagueja ou não consegue pronunciar algum som?

POR AGUINALDO PETTINATI

FOTOS: SÍMBOLO IMAGENS

Márcia Luciana Concílio, 35 anos, percebeu que sua fi- lha, Amanda, com um ano e meio, tinha dificuldades em pronunciar as palavras. "Ela trocava o T pelo C, mas queriam que eu esperasse a fase de alfabetização para corrigir o problema", lembra. Sem esperar, Amanda foi levada ao fonoaudiólogo e o tratamento, iniciado imediatamente. Por chupar o dedo, ela teve problemas no céu da boca e no freio lingual (aquela pele embaixo da língua) encurtado. "Achei que os exercícios simples recomendados (como encher uma bexiga com a boca e com o nariz, soprar língua de sogra, manter uma espécie de hóstia no céu da boca, morder uma borracha e ranger os dentes) não funcionariam. Mas, em um ano e meio, minha filha, que agora tem cinco anos de idade, falava perfeitamente", comemora a mãe.

Amanda tinha um distúrbio de fala, que precisava de tratamento, portanto, sua mãe fez muito bem em buscar ajuda especializada o quanto antes.

A fala, nosso principal meio de interagir com o mundo, deve ser cuidada desde cedo. "O sistema fonológico é adquirido gradativamente até mais ou menos os quatro anos de idade. Por isso, se a criança, a partir desta idade, não apresentar uma fala inteligível, com omissões ou trocas de fonemas, um especialista deve ser consultado", explica a fonoaudióloga Maria Angela Nico, psicopedagoga da Associação Brasileira de Dislexia (ABD).

A linguagem, expressão fundamental em nosso cotidiano, não está separada do contexto social. "Criança com atraso ou problemas de linguagem sente dificuldade na comunicação, percebe a irritação das pessoas ao redor, sofre a sensação de estar sendo inadequada e de não satisfazer a expectativa dos adultos", alerta a psicóloga Vera Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Ou seja, esses distúrbios podem afetar até mesmo a personalidade.

Durante a fase escolar, dos sete anos em diante, as crianças desenvolvem seu senso crítico e se tornam mais analíticas e qualquer diferença no comportamento, no visual e, claro, na fala é motivo de gozação entre eles. "Distúrbios da fala podem gerar isolamento, baixa auto-estima e difi- culdades de aprendizagem".

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