Quem nunca ouviu um amigo falar que conhece alguém, que, após ter sido submetido à endoscopia, sentiu dores, passou mal e não sei mais o quê? O fato é que há muita lenda envolvendo esse exame, que se caracteriza pela introdução de um "fio" - chamado de gastrofibroscópio - pela boca, que passa por garganta, esôfago, estômago até chegar ao intestino. Mas, a verdade é que o exame tem uma função bem nobre: revelar como está a saúde do aparelho digestivo e ainda tratar eventuais problemas na região, como úlceras, irritações, inflamações e até tumores.
Atualmente, com os aprimoramentos nessa área, a endoscopia digestiva está longe de ser sinônimo de sofrimento. Pode até parecer simplista, mas um dos grandes avanços foi a adoção de sedativos, antes da realização do exame, que, além de evitar a dor, ajuda a pessoa a relaxar. O gastrofibroscópio tornou-se "flexível" e mais fino, o que colabora para sua movimentação dentro do corpo e ainda proporciona muito mais conforto.
Segundo o gastroenterologista José Celso Ardengh, membro da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), "existem aparelhos tão finos que permitem até ser introduzidos pela boca, sem mesmo a necessidade de sedação. São muitas as novidades dentro desse segmento que têm tornado melhor o tratamento e o diagnóstico de várias doenças".
Para que serve
O exame de endoscopia é indicado quando o médico desconfia de que algo está errado com o aparelho digestivo. Os distúrbios e as alterações que podem ser identificados nessa região são: gastrites, úlceras, lesões, câncer, sangramentos, entre outros. A realização de biópsia (extração de tecido para análise) é uma de suas grandes vantagens, em termos de diagnóstico.
A endoscopia também é útil no tratamento de algumas patologias - dependendo do estágio de evolução em que se encontram -, como o câncer de estômago. Sua versatilidade ainda lhe permite auxiliar na colocação de sondas e cateteres e na retirada de pólipos (pequenas lesões, nódulos, que se formam no intestino grosso).
MITOS & VERDADES
NÃO DÁ PARA RESPIRAR DURANTE O EXAME - pura bobagem. O canal por onde o gastrofibroscópio passa não é o mesmo do sistema respiratório, portanto, respire aliviado. ELE É DOLORIDO - devido ao uso de sedativos, isso já não é mais verdade. O máximo que pode ocorrer é um leve incômodo na passagem do aparelho.
É DESCONFORTÁVEL - essa sensação de desconforto só acontece após o término da endoscopia, devido ao efeito dos sedativos e não ao exame em si. "O paciente sente sonolência e, raramente, náuseas. Mas meia hora de descanso resolvem o problema.
É DEMORADO - o tempo médio de duração do exame é de apenas 15 minutos. |
POR DENTRO DO EXAME
1. O gastrofibroscópio é um cabo flexível, acoplado a uma microcâmera, que permite a visualização de todo o trajeto percorrido (da boca à entrada do intestino, chamado de duodeno). Sua espessura varia de 5 mm à 12 mm.
2. No paciente, deitado na posição lateral, é colocado um protetor bucal que impede o fechamento da boca, evitando que ele se machuque ou danifique o aparelho. Um spray anestésico é aplicado na garganta.
3. O gastrofibroscópio, ao passar pela garganta, pode causar um leve incômodo, mas não há dores (por conta do anestésico e do sedativo). O cabo permite a visualização e a análise de toda a região do aparelho digestivo.

1- ESÔFAGO
2- TRAJETO DO GASTROFIBROSCÓPIO
3- ESTÔMAGO
4- GASTROFIBROSCÓPIO
5- CÂMERA ACOPLADA À PONTA DO CABO
6- DETALHE DA CÂMERA
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