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Edição 45 - Abril/2007
 
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  Essa terapia é o bicho
Estudos comprovam que donos de animais de estimação vivem mais e melhor. Se é assim, por que não usar esses dóceis bichinhos para ajudar as pessoas a ter mais saúde e bem-estar? Essa é a idéia da 'pet terapia', um método de tratamento que faz muito sucesso na terceira idade

POR ROSANA FARIA DE FREITAS

Um estudo publicado no conceituado American Journal of Cardiology, dos Estados Unidos (EUA), mostrou que o convívio com animais ajuda a controlar o estresse, diminui a pressão arterial e reduz o risco de problemas cardiovasculares. Pesquisas médicas realizadas na Austrália, por sua vez, concluíram que os donos de bichos fazem consultas com menor freqüência a clínicos gerais e requerem menos medicação do que as outras pessoas. Não acabou, não: são incontáveis os trabalhos científicos que apontam o quanto a interação do homem com o animal é capaz de reduzir problemas como depressão, ansiedade e solidão.

Agora tente relacionar esses dados com a realidade dos idosos no Brasil. Não são poucos os indivíduos que chegam à terceira idade sem uma atividade que os mantenha ocupados e, pior, sem um acolhimento familiar que lhes garanta o mínimo de atenção, cuidado e afeto. "Vivemos em uma sociedade que está envelhecendo e, mais que isso, por força das circunstâncias, as famílias são menores e há uma rejeição ao idoso. Seus contatos sociais se reduzem, ele vive, muitas vezes, isolado e acaba se sentindo inútil perante o mundo.

O animal de estimação vem suprir essas carências, trazer novas responsabilidades e facilitar a comunicação com as pessoas", observa a médica veterinária Hannelore Fuchs (SP), mestre e doutora em psicologia, especialista em comportamento animal e zooterapia. A psicóloga e psicanalista formada pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), do Rio de Janeiro, Sara Gradel, concorda. Para ela, a grande e mais importante função do pet é estabelecer uma relação afetiva. "O bicho passa a substituir uma companhia, como a presença de um filho."

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Ganhos para a saúde

Vários benefícios para o bem-estar físico e mental já foram comprovados, como diminuição da pressão sangüínea e da freqüência cardíaca, melhora do sistema imunológico, da capacidade motora e da auto-estima, incremento da interação social e, por fim, até uma ação calmante e antidepressiva. Muitas vezes, a simples presença do animal estimula processos cognitivos, ajuda a relembrar fatos do passado, dá força para enfrentar tratamentos dolorosos e desconfortáveis e favorece a recuperação física. "Todas as doenças de origem psíquica e as decorrentes do processo de envelhecimento podem ser atenuadas - como o mal de Alzheimer, outros tipos de demência senil, depressão e artrite", explica a veterinária Hannelore.

Vale observar que adotar um bicho de estimação que exija dedicação diária mexe com a rotina - o que só traz vantagens para os idosos. Os cuidados necessários demandam um mínimo de exercício físico - e, no caso dos donos de cães, umas boas caminhadas diárias. A cabeça igualmente sai ganhando. "Pesquisadores da África do Sul comprovaram que o convívio com animais ativa a liberação de diferentes hormônios e neurotransmissores - como endorfina, dopamina, prolactina e oxitocina -, razão pela qual auxilia na diminuição do estresse", explica Vinicius Fava Ribeiro, fisioterapeuta da Organização Brasileira de Interação Homem-Animal Cão Coração (Obihacc) e da Terapia Assistida por Cães (TAC). Outro estudo desenvolvido pelo Journal of the American Association of Human-Animal Bond Veterinarian (EUA) mostra que a interação entre humanos e cães detona em ambos alterações hormonais que afetam o nível de endorfinas e outras substâncias pelo período de 15 minutos. A liberação desses componentes diminui a ação do cortisol, o hormônio do estresse, provocando sensações de bem-estar.

Segundo Sara Gradel, quando o idoso é acometido por doenças cerebrais em que há destruição de células - como no derrame - o animal pode funcionar como um grande estímulo para amenizar as seqüelas e acelerar a recuperação da fala e dos movimentos, por exemplo.

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