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Edição 44 - Abril/2007
 
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a visão médica sobre assuntos polêmicos

FOTO: ARQUIVO PESSOAL
MEIRE RIBEIRO, TERAPEUTA CORPORAL E SEXÓLOGA, DO PROJETO SEXUALIDADE DO INSTITUTO DE PSIQUIATRIA DA FACULDADE DE MEDICINA, DA USP

Já no interior do ventre materno, o ser humano se desenvolve experimentando sensações. Nossos primeiros registros corporais ocorrem por meio do contato materno: uma mãe atenta e carinhosa sabe reconhecer os mais sutis sinais de necessidade de seu filho e atendêlos. Assim, o bebê é embalado, cuidado e acarinhado... Tudo isso acompanhado da melodia da voz da mãe, de conversas, palavras de confortos e de canções de ninar. Esses contatos do ser humano consigo mesmo, com o mundo e com os outros, vão sendo registrados pouco a pouco na pele e formando lentamente um universo de vivências que irão interferir indiretamente em uma série de aprendizados ao longo da vida - inclusive o sexual.

Ou seja, ninguém nasce sabendo fazer sexo, mas aprende sempre. E a masturbação é parte desse aprendizado. Tanto homens quanto mulheres podem descobrir partes do corpo que lhes dão mais prazer: uma descoberta que faz toda a diferença durante o ato em si, colaborando para melhorar o desempenho do casal na cama.

O homem pode se masturbar para aprender a segurar a ejaculação pelo tempo que for necessário, para que, em uma relação sexual, ele e sua parceira fiquem satisfeitos. Já a mulher pode se masturbar para explorar o corpo e observar sensações na vagina, no clitóris, e em toda a região genital. Cada mulher sente prazer em regiões ou em posições diferentes. Algumas, aliás, têm orgasmo, pela primeira vez, se masturbando. É nesse momento que elas descobrem exatamente o que e como fazer para ter mais prazer. Além disso, há mulheres que não chegam ao orgasmo só com a penetração e precisam estimular o clitóris enquanto são penetradas.

Ouvimos confidências de mulheres insatisfeitas, com inúmeras queixas sobre a atuação de seus companheiros. Ora, esses homens não têm bola de cristal, e a melhor forma de orientá-los é mostrando o 'caminho das pedras' na cama. "Assim eu prefiro... assim é melhor, é mais gostoso..." E isso, por sua vez, só é possível quando a mulher se conhece e sabe o que a satisfaz.

Por isso tudo, a masturbação deve ser encarada como uma prática saudável e não pode continuar à sombra de mitos que acabam causando ainda mais dúvidas e preocupações.

A PRÁTICA NATURAL PERMITE QUE HOMENS E MULHERES EXPLOREM NOVAS SENSAÇÕES DE PRAZER E MELHOREM O DESEMPENHO SEXUAL

A masturbação faz mal à saúde? Aumenta a acne? Vicia? Causa ejaculação precoce? Não. Em relação à última questão, aliás, como já disse, a prática pode auxiliar no controle da ejaculação. Há até exercícios masturbatórios que são prescritos por terapeutas sexuais para essa finalidade.

Outra dúvida comum se refere à freqüência da masturbação. Será que se masturbar mais de uma vez por dia é normal? A resposta varia, pois depende da fase de vida e dos estímulos pelos quais a pessoa passa. A prática é saudável, desde que não atrapalhe a rotina. Ou seja, não dá para deixar de trabalhar e estudar, por exemplo, para se masturbar. Também não dá para se masturbar e sentir-se culpado ou envergonhado depois. Se algo assim estiver acontecendo com você, sugiro que busque orientação e ajuda de um terapeuta sexual.

Agora, se você é homem e fica inseguro toda vez que sua parceira pede para que a masturbe, esqueça. Isso não significa que ela esteja insatisfeita. Lembre-se que homens e mulheres têm tempos diferentes para se excitar. Há exceções, mas a maioria dos homens pode ter uma ereção e estar pronto para o sexo só de olhar a parceira. As mulheres, por outro lado, necessitam de mais tempo para relaxar e ficarem lubrificadas. Mulheres precisam de mais preliminares: as carícias antes da penetração, que envolvem beijos, abraços, contato corporal e masturbação, por que não?

Saber o que deseja e respeitar os próprios limites e os do outro fazem parte de uma vida sexual responsável e saudável. Mais do que ficarem incomodados com a masturbação, todos deveriam se preocupar mesmo é com a prevenção. Não usar camisinha, hoje, deveria causar muito mais vergonha.


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