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Edição 44 - Abril/2007
 
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sete perguntas para um especialista
  ÍNGUA: fique atento a esse "carocinho"
Os pequenos nódulos que costumam aparecer em determinadas partes do corpo podem revelar desde uma simples infecção até um problema grave como o câncer

POR LUCIANA FUOCO

1- O QUE É ÍNGUA?
É o termo popular para uma espécie de "carocinho" (linfonodo ou gânglio linfático) que aparece em determinadas partes do corpo, quando o organismo está com alguma infecção. Em geral, representa uma resposta de defesa do próprio organismo e, portanto, tem ação benéfica, uma vez que sua presença revela ao paciente que o corpo está combatendo a infecção. Sendo assim, quando o organismo se recupera, a íngua desaparece.

2- EM QUAIS REGIÕES, COSTUMAM SURGIR?
Nas áreas do corpo em que os gânglios linfáticos são mais evidentes, como pescoço, axilas e virilhas. Porém, as ínguas também podem surgir nas regiões abdominal (retroperitônio) e torácica (mediastino), que não são palpáveis, mas podem ser detectadas em exames de imagens, como a tomografia computadorizada e o ultra-som

3- POR QUE ESSES NÓDULOS APARECEM?
Ocorrem quando há um aumento dos gânglios linfáticos, decorrentes de alguma infecção. Esses gânglios são formados por glóbulos brancos que têm a função de defender o organismo dos agentes infecciosos.

4- COMO SE DÁ ESTE "FENÔMENO"?
Se um indivíduo desenvolve uma infecção dentária, por exemplo, é provável que a íngua apareça (gânglio com inflamação) na região da mandíbula, próxima ao dente "doente", pois a ação de agentes externos, como a das bactérias, desperta o sistema imunológico que se arma para combater o inimigo. Digamos que o invasor causa uma reação inflamatória na região, aumentando o tamanho do gânglio. Com a infecção sob controle, a inflamação regride e a pessoa se recupera. No entanto, vale lembrar, também, que as ínguas podem aparecer nas regiões do pescoço, axilas e virilhas de crianças que estejam com algum tipo de virose, ou seja, os "carocinhos" também podem surgir paralelamente a um quadro febril ou a problemas cutâneos. Porém, assim que a criança se recupera, os sintomas desaparecem, inclusive as indesejáveis ínguas.

5- POR QUE ALGUMAS PESSOAS CONFUNDEM A ÍNGUA COM ALGO MAIS GRAVE?
Isso acontece, porque o aumento dos gânglios linfáticos também pode ocorrer em virtude da presença de câncer no gânglio linfático. Este tumor maligno recebe o nome de linfoma. Por isso, quando há um aumento dos gânglios na região próxima às mamas e axilas, por exemplo, algumas mulheres costumam se assustar e acreditam estar com câncer de mama - antes mesmo de consultar um especialista. Portanto, a confusão é gerada porque, nestas duas situações, o "caroço" se torna aparente e palpável - exceto quando ocorrem nas regiões abdominal e torácica, que só podem ser detectados por exames específicos.

6- OS SINTOMAS NAS DUAS SITUAÇÕES (ÍNGUA E CÂNCER) SÃO SEMELHANTES?
Não. Na íngua, a área ao redor dos nódulos fica quente e avermelhada, e o paciente sente dor. Já os gânglios com linfoma, ou seja, câncer, normalmente não apresentam nenhum destes sintomas. E os nódulos que surgem não desaparecem com o tempo, ao contrário, crescem ainda mais. Isso porque, há uma proliferação desordenada e descontrolada dos linfócitos que habitam os gânglios linfáticos, provocando uma espécie de mutação dos genes, que se multiplicam em progressão geométrica.

7- COMO SABER SE É ÍNGUA OU LINFOMA?
Quando suspeito de algo mais sério, indico ao paciente a biópsia do gânglio (retirada de um pedaço deste tecido). Com o exame patológico em mãos, tenho condições de afirmar se o problema é de origem inflamatória ou reacional ou se mostra a presença de um câncer linfático (linfoma).

Dr. Jacques Tabacof, médico hematologista e especialista em tratamento de leucemias e linfomas, coordenador do Centro Paulista de Oncologia.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL


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