BRINCANDO DE APRENDER
Todo brinquedo - e também brincadeiras que não envolvam objetos -, por mais simples que seja, pode ajudar no desenvolvimento cerebral da criança, inclusive das áreas ligadas à motricidade e à imaginação.
Existem, porém, os chamados brinquedos educativos, que facilitam o aprendizado ao permitirem um tempo maior de retenção da criança na atividade. Esses produtos fazem ainda a garotada agir de forma mais organizada e concentrada.
Cada faixa etária tem seu brinquedo apropriado. Até os dois anos, os estímulos são primordialmente sensoriais. Por isso, chocalhos, brinquedos com sons, cubos, móbiles, carrinhos e brinquedos para encaixar estão entre os mais recomendados. Entre os três e quatro anos, os especialistas recomendam triciclos, brinquedos de montar e desmontar mais complexos, jogos e quebra-cabeças. De quatro a seis anos, brinquedos com várias peças, como cidades, circos e casa de bonecas. E de seis a oito anos, jogos de tabuleiro, carrinhos de corrida, bicicletas, patins e skate, entre outros.
O PODER DOS CONTOS DE FADA
Contar histórias não serve apenas para ajudar a criança a dormir. Essa tarefa, quase que exclusiva dos pais, também tem um grande papel na formação das conexões cerebrais. Algumas pesquisas demonstram que é possível - e o pai e a mãe deveriam - contar histórias para seus filhos ainda na fase de gestação, assim como conversar e cantar.
Mas é preciso que os adultos se envolvam com a atividade, preocupando-se com a entonação da voz ao contar ou ler a história, para prender a atenção do filho. "Isso não pode ser feito de uma maneira mecânica, mas de uma forma lúdica, que envolva a criança e a faça de alguma forma compreender do que se trata o texto - se é um conto triste ou alegre, por exemplo", explica o neuropediatra Luiz Celso Pereira Vilanova.
Assim como o ato de contar histórias ativa a imaginação, a atenção e a audição, bem como ensina certos valores e deveres (especialmente naquele tipo de leitura com a moral da história no final), os livros específicos para bebês, com figuras coloridas, são importantes para ativar as funções visuais.
ESTÍMULOS EM EXCESSO NÃO FARÃO DA CRIANÇA UM GÊNIO, MAS UMA PESSOA ESTRESSADA, COM PROBLEMAS COMO INSÔNIA, DORES DE CABEÇA E FALTA DE APETITE
TECNOLOGIA A FAVOR
O videogame e a televisão podem estimular o desenvolvimento cerebral, sim - desde que o tempo em que esses aparelhos sejam utilizados não seja exagerado. "Em excesso, esses recursos são contraproducentes", adverte o neuropediatra Mauro Muszkat. De acordo com o especialista, o videogame deve ser usado a partir dos seis ou sete anos de idade, quando a criança já controla os seus impulsos e tem a noção de tempo e espaço. Antes dessa idade, esse recurso pode causar ansiedade.
"Os estímulos visuais e motores do videogame são evidentes, mas isso não significa que a criança vai ser mais inteligente. Ouvir histórias, por exemplo, promove um processamento cerebral muito mais amplo, além de ensinar a criança a ouvir e a silenciar", explica Muszkat. Já assistir à TV passivamente não é de todo ruim, mas tem basicamente como único estímulo o visual, por causa das cores. O efeito será melhor se os pais assistirem aos programas (adequados à faixa etária da criança) junto com os filhos e interagirem com eles (comentarem o que estão vendo, conversarem, brincarem, rirem) durante esse passatempo. Esse costume incentiva, entre outras coisas, o poder crítico e de decisão. |
OS PRÓS E CONTRAS DE UM NOVO IDIOMA
Os especialistas concordam que o cérebro infantil tem um "espaço" maior para o aprendizado de outros idiomas, principalmente até os sete anos de idade. É por isso que uma criança aprende outras línguas mais facilmente que o adulto. Porém, os médicos se dividem quando o assunto é fazer o filho aprender uma língua estrangeira, quando mal sabe o idioma pátrio.
"A criança pode aprender uma segunda língua até antes dos quatro anos de idade, mas os resultados serão melhores se esse idioma for utilizado em seu meio, como no caso de pais estrangeiros e bilíngües ou diante da necessidade da família viajar para o exterior", recomenda o neuropediatra Mauro Muszkat.
"Esse segundo idioma tem de ter alguma funcionalidade", acrescenta.
A pediatra Ana Maria de Ulhôa Escobar aconselha que a criança aprenda uma nova língua somente a partir dos seis ou sete anos de idade. Na avaliação da especialista, antes dessa idade, quando a criança ainda não sabe direito a língua pátria, um segundo idioma só vai confundi-la e deixá-la estressada.
PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2