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Edição 43 - Março/2007
 
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  Emoções à flor da pele
Manchas, descamações, espinhas, verrugas, vitiligo, psoríase e até rugas... Você sabia que essas marcas e doenças dermatológicas são causadas por situações crônicas de estresse e ansiedade? Entenda por que a sua pele grita quando há um descontrole emocional e descubra como evitar esses problemas

POR HELOÍSA NORONHA FOTOS MANOEL MARQUES

Por mais que a gente cuide da pele, usando diariamente cosméticos adequados e protetor solar e até se submetendo a tratamentos estéticos para melhorar a aparência e prevenir o envelhecimento, nem sempre nossos esforços impedem o ataque de um vilão silencioso: o estresse. Isso porque a pele, o maior órgão do corpo humano, reage progressivamente aos hormônios do sistema nervoso central, como a adrenalina e o cortisol, cuja produção aumenta em situações de tensão ou ansiedade. Em excesso, eles prejudicam o sistema imunológico e aumentam a produção das glândulas sebáceas, duas conseqüências atrozes para impulsionar o surgimento de problemas dermatológicos — dos mais simples, como dermatites e micoses, até mais graves, como vitiligo e psoríase.

A pele tem relação estreita com a nossa mente e reflete muito do que se passa em nosso interior, pois é altamente sensível às nossas emoções. “Muita gente desempenha a atividade diária sob alto nível de estresse. É comum, porém, que após a conclusão da tarefa desenvolva uma gripe ou contraia algum outro vírus. A pressão contínua pode acabar com a resistência da pessoa, diminuindo a eficiência do sistema imunológico”, explica a psicóloga Ana Maria Rossi, diretora da Clínica de Stress e Biofeedback, em Porto Alegre (RS), e presidente da unidade brasileira da International Stress Management Association (Associação Internacional para Gerenciamento do Estresse — Isma-BR), com sede na mesma cidade.

Vários dermatologistas norte-americanos associam acnes, dermatites, irritações da pele e determinadas alergias ao nível de estresse do paciente. “Outra reação comum desencadeada pelo estado emocional são erupções causadas por vírus, como verrugas e herpes”, completa Ana.

“Há muita chance dos distúrbios aparecerem nas fases de esgotamento físico e mental e de noites maldormidas. Nas mulheres, o período da tensão pré-menstrual também pode ser crítico”, afirma a dermatologista Sandra Hugenneyer, de São Paulo.

E não é só o estresse negativo (o chamado distresse) — aquele que tensiona os músculos e causa dor de cabeça — que desencadeia disfunções cutâneas. O positivo, chamado eustresse, é gerado por situações felizes (casamentos, viagens, promoções, nascimentos) e pode acarretar as mesmas conseqüências se a pessoa transformar o motivo de alegria em paranóia. Não acredita? Quem nunca presenciou uma debutante eufórica, às vésperas do baile, ter um ataque histérico ao notar uma feridinha nos lábios? Ou, ainda, noivas que são surpreendidas por brotoejas ou vermelhidão no rosto ou nas mãos?

Em 2003, um estudo do Departamento de Psiquiatria da Universidade Western Ontario, no Canadá, concluiu que mais de 40% das manifestações cutâneas estão associadas a transtornos psíquicos. As chamadas psicodermatoses podem acometer ambos os sexos, em qualquer idade ou raça. Nas crianças, geralmente, os distúrbios acontecem por causa das pressões emocionais dos pais — para estudar, emagrecer, não faltar à aula...

Dos pés à cabeça
  Assim como a pele somatiza nossas emoções, o mesmo acontece com o couro cabeludo e o cabelo. Nervosismo, irritação constante e estresse funcionam, juntos, como o passaporte perfeito para a proliferação de fungos que provocam dermatite seborréica (a caspa). Nos períodos de extrema preocupação, as defesas do nosso organismo diminuem e os fios também ficam opacos, ressecados e sem brilho. Pior: podem despencar. A chamada alopecia aerata faz cair grandes tufos de determinadas áreas do couro cabeludo. O problema é mais comum entre os homens, mas as mulheres não são imunes ao distúrbio. “Nem as crianças, embora a queda seja menos significativa”, diz Sandra Hugenneyer. Por dia, nós perdemos cerca de cem fios de cabelo. Caso você note uma queda mais agressiva, procure um dermatologista. O tratamento é à base de loções tópicas e remédios via oral.
   

Difíceis de disfarçar
Das heranças que o estresse pode contribuir para deixar na pele, duas doenças dermatológicas são os principais alvos de estudo: o vitiligo e a psoríase, que, assim como as demais disfunções cutâneas, surgem na epiderme, a camada superficial da pele, mas têm efeitos devastadores para a aparência e a auto-estima.

O vitiligo é o resultado da autodestruição dos melanócitos, células que produzem os pigmentos que dão a cor à nossa pele. Face, mãos, braços, pernas e genitais ganham manchas esbranquiçadas, visíveis até na tez bem clarinha. “Protetores solares com alto fator são indispensáveis, porque a ausência de pigmentação torna a pele mais vulnerável ao câncer de pele”, explica a dermatologista Adriana Vilarinho. Já na psoríase, caracterizada pela formação de placas vermelhas, espessas e que descamam em regiões localizadas ou no corpo todo, a pele se renova em ritmo mais rápido que o normal. Em uma pessoa saudável, o tempo médio de vida de uma célula da epiderme é de 28 dias. Em quem tem a doença, essa renovação ocorre em apenas três dias. Daí a descamação — que causa aflição em muitas pesso as. Na verdade, a pele só está se renovando de forma acelerada. Fato curioso: ao contrário do vitiligo, em geral, a exposição aos raios solares ajuda a manter essa moléstia sob controle.

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