Viva Saúde
Edição 43 - Março/2007
 
Sumário da Edição
Edições Anteriores
Editorial
Sala de Espera
Consultório Médico
Aconteceu Comigo
Raio x
Leveza à Mesa
Atividade física
Saúde Natural
Mundo Infantil
Olho Clínico
Mais Vitalidade
Onde Encontrar
Internet
 
Exclusivo assinantes
Fale conosco
Assine já
Anuncie
 

gente que deu a volta por cima
  "Nada me faz desistir "
A apresentadora de TV, Malvina Russo, de 50 anos, é exemplo de otimismo e perseverança. Ela enfrentou câncer de útero, derrame e a morte da mãe, sem nunca perder a vontade de viver

POR SHIRLEY SANTOS

Malvina não ficou com nenhuma seqüela e continua fazendo o que mais gosta: trabalhar

" Em 1999, eu estava em plena atividade profissional, exercendo o cargo de diretora-comercial de uma multinacional do ramo automobilístico. Também coordenava a inauguração de uma nova loja.

O trabalho era intenso e essa rotina agitada, de certa forma, fazia com que eu desprezasse as fortes dores abdominais que sentia. Percebia inchaço na barriga, tinha dificuldades até para me alimentar, meu estômago não aceitava mais tudo o que eu comia. Um indício de que algo ia mal.

Mesmo assim, insistia em não prestar atenção aos sinais do meu corpo. Cumpria todos os compromissos, tentando ser mais forte do que a dor. Foi quando, em uma das reuniões que eu participava como membro de um clube de serviços sociais, encontrei duas companheiras médicas que notaram a minha condição e me orientaram a realizar alguns exames.

Fui ao médico e fiz uma ultrassonografia. Como o exame não apontou qualquer alteração, então veio o diagnóstico: estresse. O resultado, naquele momento, não representava nenhuma novidade para mim. É claro que estava estressada - todo mundo está. Depois disso, continuei sem dar muita importância ao que sentia.

O tempo passava e, mesmo que eu quisesse ignorar, as dores se intensificavam. Tinha a impressão de que as pessoas não acreditavam quando eu dizia que estava sofrendo. Talvez porque eu mesma me esforçava a negar o que sentia.

Novo diagnóstico Em um certo dia, um médico, amigo meu, insistiu para que eu procurasse uma ginecologista. E foi com surpresa que recebi um novo diagnóstico médico: não era simplesmente estresse, estava com um mioma e precisava, imediatamente, fazer uma cirurgia para extrair o útero.

Conversei com meu marido a respeito e decidimos buscar outra opinião médica para comprovar a necessidade do procedimento.

Não demorou muito para que eu tivesse diante de mim, não um, mas dois médicos impressionados com a evolução do meu caso. Em menos tempo ainda ocorreu a cirurgia.

Foi confirmado que eu tinha, na verdade, um tumor no útero. Por mais incrível que pareça, receber o diagnóstico do câncer representou um alívio para mim. Lembro-me até de ter beijado o médico, porque finalmente havia uma causa para as minhas dores e não se tratava de uma 'frescura de mulher' ou de uma dor sem importância.

Dez longas horas. Este foi o tempo de duração da minha cirurgia. A solução não se resumia 'apenas' em retirar o tumor - o quadro se apresentou de forma mais delicada. O intestino havia aderido ao útero, haviam várias hérnias abdominais e uma diverticulite (inflamação no intestino grosso).

Foram onze dias de internação e, após seis meses, tive que me submeter a uma nova cirurgia, porque outros fatores agravaram a minha situação. No total, passei por quatro intervenções, todas necessárias para me livrar das dores e do sofrimento.

Enfrentei o período de recuperação de forma positiva. Não parei a minha vida, nem o trabalho e nem a dedicação à família - a minha rotina continuou a mesma. Eu só não sabia que viriam mais desafios para eu superar.

Precisava ser mais forte
Em 2001, minha mãe, com quem sempre tive uma ligação muito forte, também teve câncer.

Nem tive tempo de sofrer... Minha reação imediata foi ajudá-la. Esta dedicação fez com que eu, inclusive, esquecesse o que havia passado e até acelerou a minha recuperação.

Éramos duas unidas na mesma "fortaleza", com a coragem que ela me ensinou a ter desde muito pequena. Aprendi sempre a encarar tudo com alegria, procurando uma saída criativa para os problemas, mesmo quando estes demonstravam não ter solução. E tentava seguir em frente.

Dona Cica, apelido carinhoso que ela tinha, conseguiu superar as expectativas médicas, que eram de seis meses a um ano de vida, fazendo-me companhia por mais quatro anos. Este tempo foi suficiente para que ela pudesse realizar todos os seus sonhos.

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>


Faça já sua busca
no site da revista Viva Saúde


Copyright © 2008 - Editora Escala
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação sem autorização.