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| Normalmente, este tipo de lesão é descoberto antes da fratura real, por conta da dor causada por microfraturas. Essa mesma dor acaba forçando o corredor a diminuir naturalmente a carga de esforços repetitivos |
Ela não escolhe iniciantes ou corredores experientes, as vítimas preferidas da fratura por estresse são as que se descuidam e acabam treinando demais. Dados do Centro de Traumatologia do Esporte da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelam que 9% dos corredores apresentam algum quadro deste problema. Foi o caso da dentista Júlia Futaki, 31 anos, apaixonada pela corrida há mais de 10 anos.
Com uma planilha bem elaborada de treino, ela conseguiu realizar um sonho - completar a meia maratona do Rio de Janeiro. Mas a empolgação a atrapalhou. "Logo após essa conquista, pensei em fazer outra maratona." A corredora continuou a treinar no dia seguinte à prova de 22 km. Em vez de diminuir o ritmo, relaxar e preparar o corpo para uma nova etapa, Júlia acelerou na esteira. Conclusão: uma fratura por estresse na tíbia (osso posterior para todos os da perna que começa abaixo do joelho). "A sorte é que percebi muito rápido as dores e fiz uma ressonância magnética", lembra. Como a lesão estava no início, após dois meses de repouso, Júlia voltou a correr moderadamente. "Nesse tempo sem treinar, refleti muito sobre os limites do meu corpo e optei por atividades alternativas que não forçassem a região lesada, como deep running (corrida em piscina profunda) e natação", conta.
Parada forçada
O que interrompeu os treinos da dentista e corredora Júlia foram fraturas por estresse. "Ou seja, microrrupturas causadas por traumas repetitivos na estrutura óssea, diferentemente das fraturas clássicas, em que o trauma é agudo", diz Ricardo Cury, diretor do Comitê de Cirurgia do Joelho da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT).
INCIDÊNCIA
No Centro de Traumato-Ortopedia do Esporte da Unifesp, um estudo em corredores demonstrou que: |
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Segundo especialistas em ortopedia, qualquer pessoa está sujeita a este transtorno. "No entanto, a incidência é maior em mulheres e corredores que aumentam a quantidade de treino de maneira abrupta", explica o ortopedista André Pedrine lli, trau ma to logista e médico da Con - federa ção Brasi leira de Fu te bol de Salão. Os indivíduos sem um bom preparo físico e muscular também estão mais propensos à lesão. "É comum acontecer fratura por estresse em atletas que estão começando os treinos de corrida", explica o médico Carlos Vicente Andreoli, especialista em medicina esportiva da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte.
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