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Edição 43 - Março/2007
 
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  De olho no fundo dos olhos
Essa região reflete não apenas a presença de doenças oculares, como o glaucoma, mas também outros males como diabetes, distúrbios da tireóide e até câncer

POR LUCIANA FUOCO
ILUSTRAÇÃO MG STUDIO

Um olhar não mente, especialmente se for analisado por um oftalmologista e seus instrumentos especiais, como o oftalmoscópio, que permite ao médico examinar o interior da visão do paciente. Tudo aparece no fundo do olho, a região que fica entre o cristalino (espécie de lente atrás da íris) e a retina (a membrana de células sensíveis à luz e receptoras de imagens, localizada na parte posterior do olho). O fundo do olho é o único local do corpo humano em que os vasos sangüíneos são vistos diretamente. E qualquer alteração aí pode indicar um desequilíbrio. "Essa região ocular funciona como uma janela através da qual se enxerga a saúde do organismo de uma maneira geral", explica o gerente médico de oftalmologia do Hospital Cema, Pedro José Monteiro Cardoso. Entenda um pouco mais sobre esse exame e suas aplicações.

No olho normal, o líquido é produzido na câmara posterior e atinge a câmara anterior por meio da pupila. Depois é drenado pelos canais de saída

1 A dificuldade ou o bloqueio da saída do HUMOR VÍTREO (líquido do olho) aumenta a pressão ocular, o que pode levar à perda da visão

2 As setas vermelhas indicam a pressão feita sob o globo oculars

UM INIMIGO SILENCIOSO
 

O glaucoma é uma doença ocular caracterizada, basicamente, pelo aumento da pressão dos olhos. Isso provoca lesões no nervo óptico que, se não tratadas, podem levar à cegueira total. A oftalmoscopia é um dos principais exames para diagnosticar precocemente este problema, ou seja, o distúrbio.

TIPOS: há vários tipos de glaucoma. O crônico simples ou de ângulo aberto, que representa mais ou menos 80% dos casos, costuma acometer pessoas acima dos 40 anos e, normalmente não apresenta sintomas. Por isso a importância do exame. Uma alteração na anatomia do órgão, no ângulo da câmara anterior, dificulta a saída do líquido do olho, lesionando o nervo óptico. Neste caso, a pessoa perderá a visão lentamente. Entretanto, quem tem familiares com a doença poderá apresentar maior risco de desenvolver a lesão do nervo óptico. Já o glaucoma de ângulo fechado provoca episódios de aumento súbito da pressão ocular. Isso ocorre por conta do estreitamento do espaço entre a íris e a córnea, que impede a passagem do líquido do olho (humor vítreo). O tipo da doença que é decorrente de outras enfermidades, como o diabetes, é chamado de secundário e sua causa são infecções, inflamações, presença de tumores e qualquer outro problema que interfira no fluxo do líquido do olho.

TRATAMENTO: como a doença não apresenta sintomas é muito importante fazer exames específicos, como a oftalmoscopia (veja a seguir), pois este exame poderá detectar o glaucoma. A perda visual somente acontece nas fases mais avançadas da doença, quando já não dá para reverter o que se perdeu de visão. Mas quando percebida no início, mesmo que não seja possível evitar sua instalação, dá para se controlar a pressão ocular por meio de medicamentos, o que impede que ela progrida.

   

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