Limpando a área
O tratamento para os problemas de cálculo na vesícula podem ser feitos de várias maneiras. Uma é com medicamentos que ajudam a dissolver a solução dentro da vesícula, evitando a formação de pedras. É um tratamento que leva de seis meses a um ano, é caro e nem sempre resolve o caso. Existe também a tentativa de eliminação das pedras com ondas de choque - chamada de litotripsia -, semelhante ao tratamento para a destruição de pedras nos rins.
Mas a remoção cirúrgica da vesícula, ou colecistectomia, é a opção escolhida pela maioria dos médicos, depois de o paciente ter passado por uma bateria de exames, sendo o principal e o mais decisivo a ultra-sonografia. Só assim o distúrbio é efetivamente erradicado. E essa escolha também é feita porque as cirurgias convencionais - que até alguns anos atrás deixavam uma cicatriz de 20 a 30 cm de extensão, portanto, mais sujeitas a complicações e com uma internação de, no mínimo, cinco dias - foram deixadas de lado. "Hoje, com a videolaparoscopia, a cirurgia dura de duas a quatro horas, dependendo da anatomia do paciente, e a internação caiu para dois ou três dias. Os cortes têm apenas meio centímetro e a recuperação no pós-operatório é bem mais rápida", garante o médico.
E não faz falta?
Como a vesícula biliar armazena a bile e a joga no intestino somente quando há necessidade, com a sua retirada o próprio fígado se encarrega de enviar o líquido digestivo. Só que ele faz este trabalho constantemente e não somente quando é preciso. "Depois da cirurgia é comum ocorrer má digestão e diarréia. Estes sintomas podem ser, perfeitamente, controlados com medicação. E esse desconforto é temporário até que o organismo se adapte a esse novo sistema. Daí a digestão volta a se regularizar", tranqüiliza Vitório Kemp.
Normalmente, a melhora no pós-cirúrgico é gradual e constante. E em três ou quatro semanas é possível voltar às atividades normais. A videolaparoscopia facilitou tanto que há médicos que indicam a cirurgia mesmo nos casos que não apresentam sintomas, tentando evitar possíveis crises e complicações pelos cálculos que já estão formados na vesícula e, também, uma cirurgia de urgência, sempre mais arriscada. Mas, médico e paciente fazem essa escolha juntos.
A RETIRADA DA VESÍCULA É UMA DAS OPÇÕES MAIS INDICADAS PELOS MÉDICOS NO TRATAMENTO (INCLUSIVE PREVENTIVO, EM PACIENTES QUE TÊM PEDRAS NO ÓRGÃO, MAS AINDA NÃO SENTEM DORES E OUTRAS COMPLICAÇÕES) DO CÁLCULO BILIAR, POIS O FÍGADO É CAPAZ DE EXERCER SEU PAPEL COM A MESMA COMPETÊNCIA
DIGESTÃO TRANQÜILA
A dieta para quem tem qualquer problema na vesícula ou passou por uma cirurgia, sofre algumas restrições. A principal delas é evitar alimentos gordurosos. Segundo a nutricionista Tânia Regina Bonetti, de São Paulo, entre os principais fatores de risco para distúrbios na vesícula biliar estão a obesidade, grande ingestão de gordura, diabetes não controlado e dietas muito restritivas com grande e rápida perda de peso. "Por isso é importante manter uma dieta balanceada, rica em fibras e pobre em gorduras", avalia a especialista. Veja aqui como controlar melhor a alimentação:
PARA CONSUMIR COM MODERAÇÃO
Leite integral
Queijos amarelos, requeijão
Biscoitos amanteigados, tortas, pastéis, pães folhados
Carnes gordas, lingüiça, embutidos, aves com pele, mocotó
Lanches gordurosos com mortadela, presunto ou salame
Ovos fritos e frituras em geral
Enlatados
Manteiga, maionese
Frutas oleaginosas, como amendoim e castanha-do-pará
Bebidas alcoólicas
ALIMENTOS QUE FAZEM BEM À VESÍCULA
Leite desnatado, café, chá, suco de frutas
Queijo cottage ou ricota, iogurte e coalhada desnatados
Pão integral
Arroz, grãos integrais e macarrão (sem molhos gordurosos)
Frutas (com casca ou bagaço)
Açúcar e mel
Carnes magras cozidas ou refogadas, peixes e frango grelhados
Clara de ovo cozida
Fibras encontradas em grãos integrais e vegetais
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