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| Vitor, curtindo a companhia de seus amigos durante seu trabalho como voluntário em várias instituições |
" O meu parto demorou muito para ser realizado, e isso me trouxe complicações muito sérias. Fiquei nada menos do que 45 dias em coma, pesando apenas 1,5 kg - o que significava que a minha sobrevivência dependeria de muita sorte. Quando, finalmente, pude ir para casa, levei comigo o diagnóstico de um grave quadro de paralisia cerebral, que, de acordo com os médicos, poderia me fazer passar a vida inteira em uma cama. Mas, graças a Deus, o tempo demonstraria o contrário.
Porém, a minha recuperação não foi nada fácil. Com dois anos, eu tinha dificuldades em controlar a cabeça e aos seis ainda não conseguia me sentar. Aos poucos, e com o apoio de fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicopedagogos, as dificuldades de comunicação e locomoção foram sendo amenizadas e as crises de convulsão cada vez mais controladas
Claro que nada disso teria sido possível sem o acompanhamento dos meus pais e, principalmente, a forte crença deles na superação de meus limites. Um exemplo disso aconteceu logo depois que eu nasci - minha mãe foi aconselhada pelos médicos a "secar" o leite dos seus seios, pois eu não teria condições de sugar. Ela se recusou e estava certa: fui amamentado até um ano de idade! Sem dúvida, isso me fortaleceu.
Persistir e acreditar também foi necessário, quando todas as expectativas médicas diziam que eu não poderia andar. Estava na sala do médico quando ele comentou sobre esta impossibilidade. Chorei muito. Porém, depois de passar por várias avaliações com diferentes profissionais, realizei a cirurgia no pé que apresentava a deformação. E foi um sucesso - hoje já consigo dar alguns passos com o auxílio de muletas.
Um livro para os meus amigos
Minha saúde requer cuidados especiais até hoje. Faço fisioterapia três vezes por dia e também fico atento a qualquer manifestação do meu organismo, já que até uma simples gripe pode me levar para o hospital.
Em 2005, precisei ficar internado por um ano. Nesta época, eu conheci Lili, a quem chamo de "princesa".
Ela tem sérios problemas de saúde e, diferente de mim, não pode sair do hospital. Tem também o "seu" Orlando, jardineiro. Eles são apenas alguns dos muitos amigos que fiz naquele período. Ainda que eu quisesse, este espaço não seria suficiente para colocar o nome de todos. Foram eles que me motivaram a escrever o livro Meus Amigos - dedicado a todas as pessoas do meu convívio hospitalar que me cercaram de carinho e atenção.
Eu cresci acompanhando a minha mãe em seus trabalhos sociais. Ela é brinquedista (profissional que usa brinquedos e brincadeiras como ferramentas terapêuticas para a recuperação de crianças internadas em hospitais, associações assistenciais, ONGs, etc), uma belíssima profissão. Conviver tão pertinho com esse trabalho, realizado pela minha mãe, me motivou a querer ajudar também. E, assim, aos sete anos, tornei-me voluntário de algumas entidades nas quais minha mãe trabalha.
Atualmente colaboro com três associações que ajudam deficientes e crianças carentes e isso me faz muito feliz. Em conseqüência desta dedicação, recebi o título de "Voluntário Mais Jovem" e também o de "Conselheiro Vitalício" destas instituições. Lá, eu faço de tudo: ajudo nos eventos, brinco com as crianças e acredito que elas gostam muito da minha presença. Dizem que eu alegro o ambiente!
