Há cada vez mais evidências científicas, mostrando os efeitos positivos de um estilo de vida ativo durante o envelhecimento. Quem tem mais de 60 anos garante sua capacidade funcional e sua autonomia física muito mais facilmente quando mexe o corpo com regularidade. Estudos provam que os exercícios reduzem em 25% os riscos de doenças cardiovasculares e em 10% as chances de um acidente vascular cerebral (o popular derrame), doença respiratória e distúrbios mentais.
Outra boa notícia é a certeza de que nunca é tarde para começar. "Pesquisas demonstram que não há uma idade certa para aderir a esse mundo dos esportes e da ginástica.
Há casos de pessoas que iniciaram aos 50 e 60 anos e hoje são capazes de correr uma maratona, por exemplo", conta Wanderlei de Oliveira (SP), fundador da Corpore - Corredores Paulistas Reunidos, diretor da Federação Paulista de Atletismo e da Assessoria Esportiva Run for Life. Ele observa que, por diferentes motivos, indivíduos com mais de 40 anos são encorajados a reduzir ou eliminar a atividade física. "Nada mais errado.
Estudos recentes, realizados pelo Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM), mostram que a produtividade de homens e mulheres com mais de 50 anos, que seguem um programa de corrida orientado, é maior se comparada a de inativos da mesma faixa etária."
Veja, a seguir, histórias que assinam embaixo de tudo isso...
QUEM PRETENDE INICIAR UMA ATIVIDADE FÍSICA PRECISA: FAZER UM CHECK-UP CLÍNICO, ORTOPÉDICO (80% DOS IDOSOS NÃO SABEM QUE TÊM OSTEOPOROSE) E, SE POSSÍVEL, DENTÁRIO E OFTALMOLÓGICO. SUBMETA-SE TAMBÉM A UMA AVALIAÇÃO ESPECÍFICA, COM ELETROCARDIOGRAMA DE ESFORÇO, ACOMPANHADO PELO MÉDICO ESPORTIVO
"SAIO DA ACADEMIA COM UMA CANSEIRA GOSTOSA E CHEIO DE DISPOSIÇÃO"
"A atividade física entrou cedo na minha vida, aos 12 anos. Eu tinha o corpo pouco desenvolvido e resolvi fazer ginástica sueca e exercícios em aparelhos. Mas isso só durou até os 18 anos, quando comecei a trabalhar. Minha jornada era pesada, quase 14 horas todos os dias; eu dava aula de manhã e à noite para complementar o salário. Para piorar, fumei dos 20 aos 35 anos, um maço por dia. Felizmente eu não bebia e minha alimentação era mais ou menos saudável, não por consciência e sim por acaso, nunca gostei de álcool e de comidas gordurosas. De qualquer forma, cheguei aos 68 anos com o peso controlado, mas me sentindo pesado e sem disposição. Não havia dúvida de que a atividade física estava fazendo falta. Em 1992, entrei para uma academia e comecei a praticar hidroginástica e natação. Mantive esse ritmo por uns sete anos, até que mudei de academia e, como a piscina não estava pronta, me encaminharam para a musculação. Adorei e não parei mais. Hoje, sigo um programa de treino rígido, acompanhado por profissionais: segunda e sexta, alongamento e musculação; terça e quinta, natação; e quarta, musculação. Quando comecei, eu pesava 76 kg, hoje tenho 64 kg. Passei a competir nas provas de 100, 200 e 400 metros nado livre, categoria 80 mais. Nos últimos três anos, fui consagrado campeão por tempo. Como está minha saúde? Muito bem. Sinto-me melhor que antes, durmo oito horas por noite e tenho disposição para tudo. Saio da academia com uma canseira gostosa e lépido como nunca! Atribuo minha boa condição física à herança genética - meu pai chegou em ótimas condições aos 96 anos - e, claro, ao exercício regular. O melhor de tudo é que tenho metas a alcançar, objetivos que me impulsionam para a frente: se tudo der certo, pretendo disputar provas internacionais quando chegar aos 90 anos. Vontade e garra não me faltam!"
Daphnis de Lauro, economista, 82 anos. Treina na Academia Competition (SP) e é tri-campeão de natação por tempo.

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