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| THÉO LERNER, GINECOLOGISTA E SEXÓLOGO DO PROGRAMA DE ATENÇÃO À VIOLÊNCIA SEXUAL (PAVAS) |
A primeira imagem que vem à cabeça de boa parte das pessoas, quando pensa em violência sexual, é a de um bandido, desconhecido, que ameaça e obriga uma mulher a ter relações sexuais com ele. Esse conceito, porém, representa apenas uma pequena fração das ocorrências reais deste tipo de situação. São muito mais comuns as agressões cometidas contra crianças e adolescentes, que costumam acontecer dentro da própria família. O mais intrigante é que nem sempre há violência física ou ameaças explícitas.
A sedução é a arma mais usada pelos agressores que, na maioria das vezes, abusam da criança com carícias, sem que haja a penetração.
Vale ressaltar que, do ponto de vista legal, existem diferenças para cada situação. Quando a vítima de estupro for mulher adulta, ela não tem obrigação de ir à justiça para punir os culpados. Isso é uma decisão pessoal, embora seja aconselhável que a mulher vá até a polícia. Já no caso de crianças e adolescentes menores de 18 anos, mesmo que seja apenas uma suspeita, o Estatuto da Criança e do Adolescente determina que a agressão seja, obrigatoriamente, notifi cada às autoridades competentes. Independentemente de quem sofre este tipo de abuso, as conseqüên cias, físicas e psicológicas, irão depender da forma como o ato foi praticado, do tempo de duração e de quem o executou.
Na violência recorrente (de longa duração), mais freqüente em crianças e adolescentes, existe um maior risco de engravidar e de se contaminar com doenças sexualmente transmissíveis.
E, do ponto de vista psicológico, a vítima pode se tornar mais vulnerável emocionalmente para lidar com novas situa ções de abuso. Já episódios agudos de violência sexual, como o estupro por desconhecidos, causam lesões no corpo todo, especialmente na região dos genitais, e podem até ocasionar a morte.
ALGUNS CUIDADOS SÃO FUNDAMENTAIS PARA EVITAR DOENÇAS E TRAUMAS EMOCIONAIS. E ELES VARIAM DE ACORDO COM O TIPO DE AGRESSÃO E A IDADE DA VÍTIMA
Nesses casos, também há risco de gravidez indesejável e de transmissão de DSTs. Mas, com alguns cuidados simples, é possível reduzir essas chances. O atendimento médico de emergência em todos os casos pode ser feito, mesmo que a vítima não tenha registrado nenhuma queixa ofi cial.
A primeira recomendação é a ingestão de medicamentos de dose única, fornecidos por profi ssionais de saúde. No entanto, a efi cácia desses remédios será maior se forem ingeridos até 72 horas após a agressão.
Amostras de sangue também são recolhidas para checar a presença de sífi lis, HIV e hepatite. Algumas mulheres apresentam lesões físicas internas. Entretanto, por conta do trauma e da vergonha, algumas se sentem desconfortáveis em deixar que o médico as examinem. Mas é muito importante que isso seja feito.
Mesmo que o resultado dos primeiros exames não apresente alterações, é preciso que haja acompanhamento médico con tínuo e que esses testes sejam repetidos após um certo período. Os tratamentos psicológicos e/ou psiquiátricos também devem integrar os cuidados com a saúde da vítima. E, se a mulher engravidar após o estupro, o Código Penal Brasileiro garante a ela o direito de abortar. Para isso, não é necessária a autorização judicial, mas o procedimento deverá ser feito em serviços de saúde especializados que existem em todo país.
quanto a história da humanidade. Mas as pessoas deveriam continuar estimulando discussões e cobranças da sociedade por medidas políticas que combatam esse total desrespeito à integridade e à autonomia.