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| Ele precisou, literalmente, suar para emagrecer de 145 kg para 89 kg |
Como todas as pessoas com tendência a engordar, em algumas fases da minha vida estive bem acima do peso. E acredito que este quadro possa ter sido favorecido por vários fatores, como hereditariedade, ansiedade, maus hábitos alimentares e até pelo fato de morar em uma grande metrópole como São Paulo - o que contribui para uma vida sedentária e estressante. Ocorre que até pouco tempo atrás, eu não via meus quilos extras como um problema. Sempre fui euforicamente feliz e nunca me considerei gordo. Na verdade, acho que vivia uma espécie de anorexia contrária, uma vez que, mesmo ciente do resultado na balança, não me enxergava como obeso.
Senti na prática o quanto a obesidade é uma doença silenciosa, que se instala sem que a gente perceba, mesmo tendo que comprar calças de números cada vez maiores e ter que providenciar um novo furo no cinto a cada mudança de manequim. Até me divertia quando entrava no avião e olhava o rosto de espanto dos passageiros, situação em que podia ler os seus pensamentos. Contudo, não me incomodava com o preconceito.
Mas, em novembro de 2004, dois acontecimentos me fizeram repensar a vida. Estava no Estádio do Morumbi, quando Serginho, jogador do São Caetano, faleceu em campo. Na época, eu tinha 37 anos, 1,73 metro e pesava 145 quilos. Este episódio serviu para mostrar como o ser humano é frágil e o quanto é importante cuidar da saúde. Naquele instante pensei nos meus filhos (Caio, de 17 anos, e Henrique, de 14). Essa tragédia me fez refletir: se um 'atleta' morre subitamente, imagine o que pode ocorrer comigo, um sedentário, ansioso e obeso? Dias depois recebi a visita de um velho amigo, que não via há anos.
Em meia hora de conversa, ele disse várias vezes: "nossa, como você está gordo!" Quando ele se foi, decidi que mudaria minha vida."
Da caminhada à corrida
"Na mesma semana fui ao médico e tive a sorte de encontrar um endocrinologista que explicou as causas da minha obesidade. Fiz vários exames e meu estado de saúde geral era bom. Daí para a frente, a minha luta contra a balança dependeria apenas de mim.
Mas não seria nada fácil. Para alcançar o bem-estar físico e emocional precisaria de uma revolução em meu estilo de vida. Por isso optei pela reeducação alimentar e pelas práticas esportivas, descartando uma possível cirurgia de redução de estômago.
Comecei a praticar tênis e também investi nas caminhadas. Nos primeiros dias já pude notar alguma evolução em meu corpo. Monitorando meus batimentos cardíacos, percebi melhoras no meu condicionamento físico. Logo os trotes foram surgindo, as distâncias se alongando e os quilos sendo eliminados. Quando percebi, já estava correndo seis quilômetros por dia e bem mais disposto.
Um dia, conversando com um amigo sobre meu processo de emagrecimento e o prazer que havia encontrado em correr, descobri a Corpore (Corredores Paulistas Reunidos), uma entidade sem fins lucrativos, que reúne atletas amadores e organiza eventos esportivos. Encontrar esta turma foi como descobrir o mapa da mina.
Ao me associar ao grupo, pela internet, criei coragem e me inscrevi pa ra a prova do Centro Histórico, na região central da capital. Será que eu conseguiria completar o percurso?
Até hoje me lembro da emoção que senti ao ver o Vale do Anhangabaú, as tendas, os atletas... tudo era novo para mim. Nesta corrida, contei com o apoio da minha esposa, Rosemary, e do meu personal trainer, Sandro, que vem me ajudando a evoluir e a superar muitos desafios.
Já na largada custei a acreditar que estava ali, no meio de tantos atletas. Naquele momento, um filme de toda a minha história passou pela minha cabeça. Pura emoção! Passo a passo fui vencendo o trajeto e deixando para trás o sedentarismo, avançando em direção a uma vida mais saudável. Reta final. Cruzei o Viaduto do Chá, tomado por uma profunda emoção. Relembrei cada etapa do meu emagrecimento, desde os primeiros e tão sofridos dias até aquela hora de intenso prazer. Cruzei a linha de chegada como se tivesse vencido as olimpíadas. Era a minha medalha de vitória contra os maus hábitos.
Sou um vencedor
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| Marcelo em mais uma maratona (no destaque), e durante treinamento semanal |
Desde então, a frase de São Francisco de Assis passou a ser o meu lema: "comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível e, de repente, você estará fazendo o impossível". Agora, com 56 quilos a menos, não perco uma única prova organizada pela Corpore e até criei uma equipe da qual sou coordenador, a SLW RUNNING TEAM. Já corri em duas provas da maratona de São Silvestre e, neste ano, pretendo correr a meia maratona de Chicago, nos Estados Unidos. Descobri que emagrecer não é tão difícil se encararmos este desafio de forma diferente da maioria das pessoas. Ou seja, fazer exercícios, buscar se alimentar melhor e cultuar hábitos mais saudáveis não devem ser objetivos com prazo de validade, mas, sim, um processo que pode nos impulsionar a mudar completamente a vida - e para melhor, é claro!"