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Edição 41 - Março/2007
 
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sete perguntas para um especialista
  DIABETES: cuidado com os pés
Cerca de 70% dos diabéticos sofrem com distúrbios que acometem os membros inferiores e que podem levar à amputação dos pés. Veja por que isso ocorre e o que fazer para evitar complicações

POR LILIAN HIRATA

1- O QUE É 'PÉ DIABÉTICO'?
Por conta das próprias características do diabetes (altas taxas de açúcar no sangue), o diabético fica mais propenso a desenvolver alguns males que acometem os pés, como a neuropatia e a doença arterial periférica. A primeira provoca a perda de sensibilidade local, ou seja, o indivíduo passa a não sentir mais dor e a não perceber alterações de temperatura (se está quente ou frio), o que facilita o surgimento de feridas.

Já a doença arterial periférica diminui a circulação do sangue nos membros inferiores (pernas e pés), devido ao estreitamento, ou mesmo à obstrução por placas de gordura, dos vasos sangüíneos, e isso prejudica a cicatrização de qualquer machucado que apareça nessas regiões. A explicação é simples: já que os glóbulos brancos (células de defesas do organismo) são os responsáveis pela regeneração da pele, quanto menos sangue passar pelos vasos, menor será a capacidade de recuperação daquela área.

2- O PROBLEMA OCORRE COM TODOS OS DIABÉTICOS?
Não, o 'pé diabético' está diretamente relacionado à falta de tratamento adequado do diabetes. Pacientes que controlam corretamente seus níveis de açúcar no sangue (a glicemia), bem como as taxas de triglicéride e de colesterol, e que ainda se mantêm dentro do peso considerado normal, muito provavelmente não terão complicações.

3- QUAIS OS SINTOMAS DESSE MAL?
Um diabético que não se cuida pode desenvolver tanto neuropatia (falta de sensibilidade local) quanto doença arterial periférica ou ainda ambas (aumentando as probabilidades de problemas com o pé diabético). No geral, os sintomas são formigamento, dormência, queimação, cãibras e falta de sensibilidade nos membros e em suas articulações. A pele também pode descamar, e as unhas e os pêlos apresentarem crescimento anormal. A boa notícia é que a neuropatia pode regredir e desaparecer, se o paciente começar a cuidar de seu diabetes corretamente. Já a doença arterial periférica (o acúmulo de placas de gordura nas artérias), por se tratar de um problema crônico, precisa de tratamento específico para que desapareça ou mesmo para que não evolua, atingindo inclusive outros órgãos além dos pés. As placas de gordura nas artérias podem levar ao infarto.

4- O QUE O DIABÉTICO DEVE FAZER AO SE FERIR?
Toda e qualquer ferida deve ser tratada. Esqueça a idéia de que ela irá cicatrizar sozinha. Se o ferimento for superficial, a primeira providência é lavar o local com água e sabonete neutro. Depois,desinfete com álcool ou água oxigenada.

Quando o corte for profundo e necessitar de um curativo, faça-o com material limpo e esterilizado, como gaze umedecida com soro fisiológico. Para evitar qualquer contaminação, ao abrir o soro, faça um furo em sua embalagem com uma agulha descartável. Procure, então, a ajuda de um profissional de saúde e lhe avise que você é diabético. Última dica: se precisar trocar o curativo com freqüência, seguindo a indicação de seu médico, e quiser dedicar essa tarefa a um profissional, não procure um pedicuro ou farmacêutico. Saiba que existem podólogos especializados em cuidar do pé diabético.

5- É POSSÍVEL QUE, MESMO COM TODOS OS CUIDADOS, UMA FERIDA SE AGRAVE?
Sim. Por isso a observação e o cuidado diários do local machucado são muito importantes. Até porque a simples ausência de dor não significa que tudo esteja bem.

Alguns sinais dão pistas de que a ferida piorou: inchaço, sensação de latejo, vermelhidão, queimação e formação de pus. Ao perceber qualquer um desses sintomas, o diabético deve procurar seu médico. Uma simples lesão nos diabéticos, especialmente nos que estão no grupo de risco, pode se agravar rapidamente, levando à gangrena (morte dos tecidos, ou seja, eles apodrecem). E a única solução, nesse caso, é a amputação parcial ou total do membro.

6- O QUE É PÉ DE CHARCOT?
Suas causas ainda não são bem conhecidas, apesar de a doença estar ligada ao diabetes malcontrolado, mas já se sabe que pequenos traumas podem provocar o pé de Charcot. A doença faz com que os ossos dos pés ou dos tornozelos entortem e até se quebrem, mas a pessoa não percebe, já que ela não sente dor, por causa da perda de sensibilidade. Como muitas vezes os ossos quebrados se calcificam naturalmente, o pé vai ficando, gradualmente, achatado e deformado, e também pode inchar. Em casos mais graves, a imobilização (feita geralmente com gesso), o uso de órteses (aparelhos usados para endireitar os ossos) e até cirurgias são necessários

7- QUE OUTROS CUIDADOS OS DIABÉTICOS DEVEM TER COM SEUS PÉS?
Ele deve examiná-los diariamente para verificar se há lesões ou qualquer outra alteração (como calos, verrugas e micoses) e consultar o médico quando há suspeita de que algo está errado.

Outra dica é hidratar diariamente a região para afastar o risco de fissuras e ressecamento. Nunca tente retirar calos em casa. As unhas devem ser cortadas periodicamente no formato quadrado para evitar que encravem e infeccionem, sem a retirada da cutícula. Recomendo a visita freqüente a podólogos especializados.

Os calçados e meias também merecem atenção. Os sapatos devem ser de modelos fechados, macios e que acomodem os pés, sem machucá-los. O diabético não deve andar descalço. Os pés precisam ser lavados com sabonete neutro e, depois, muito bem secos. As meias também não devem apertar e nem ter qualquer ponto de atrito com a pele, como costuras.

FOTO: ARQUIVO PESSOAL Fadlo Fraige Filho, endocrinologista e presidente da Associação Nacional de Assistência ao Diabético (Anad)


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