Há muito tempo que o trabalho voluntário já não é mais associado à caridade. Nas últimas décadas, este tipo de atividade conquistou muito mais seriedade e também notoriedade. Até mesmo grandes empresas privadas têm estimulado seus funcionários, de várias maneiras, a dedicar-se à prática do altruísmo e da solidariedade. E, segundo um levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU), após o ano Internacional do Voluntariado (em 2001), o número de voluntários no Brasil passou dos 22 milhões para nada menos do que 42 milhões. Um crescimento para lá de impressionante e digno de comemoração.
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nome: Olinete Alves Gomes
idade: 57 anos
atividade: trabalha na brinquedoteca da APAE |
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nome: Nidelce Bulgueroni
idade: 60 anos
atividade: ajuda na cozinha da APAE (SP) |
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nome: Célia Aparecida Borsari Costa
idade: 43 anos
atividade: coordenadora da AACD na Moóca (SP) |
SEGUNDO A ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU), O VOLUNTÁRIO É ALGUÉM QUE DEDICA PARTE DE SEU TEMPO A ATIVIDADES DE BEM-ESTAR SOCIAL, SEM GANHAR REMUNERAÇÃO ALGUMA
E o que será que tem motivado essas pessoas? O livro The Healing Power of Doing Good - The Health and Spiritual Benefits of Helping Others (O poder curativo de fazer o bem - Os benefícios à saúde e espirituais de ajudar os outros), escrito pelo americano Allan Luks, ex-diretor do Instituto para o Avanço da Saúde de Nova York, dá uma pista. Segundo o autor, este tipo de tarefa faz uma pessoa se sentir bem espiritualmente e ainda contribui para melhorar a sua saúde física, mental e emocional. Aliás, o autor reuniu diversos estudos sobre os benefícios proporcionados pelo altruísmo do trabalho voluntário e identificou uma clara relação de causa e efeito entre ajudar os outros e ter boa saúde. Essas pesquisas concluíram que os participantes tiveram um aumento da sensação de bem-estar após realizar ações filantrópicas e, conseqüentemente, apresentaram uma redução em seus níveis de estresse e maior equilíbrio emocional.
Mas, talvez, o resultado mais curioso foi o relato dos entrevistados, após iniciar esses trabalhos, sobre a melhora e até desaparecimento de problemas como insônia, úlceras, dores de cabeça e nas costas, depressão, gripes e resfriados.
E as revelações não param por aí. Outras pesquisas, conduzidas pelas Universidades de Michigan e Cornell, também nos EUA, sugerem que indivíduos que vêm dedicando um longo período ao voluntariado vivem mais do que aqueles que não participam de nenhuma ação voltada a ajudar outras pessoas. A explicação para tal longevidade seria a melhoria geral da qualidade de vida, fruto da interação social que o comprometimento regular com atividades sociais propicia. Pesquisadores também constataram, ao acompanhar voluntárias do sexo feminino, durante 30 anos, que elas têm uma capacidade maior de manter suas habilidades e aptidões físicas e mentais, natas ou desenvolvidas, ao longo da vida. "O altruísmo faz com que a pessoa se sinta realizada, traz bem-estar, especialmente quando ela pode ver os resultados dessa ação. Além disso, trata-se de algo que se está fazendo por iniciativa própria, não por obrigação, e por isso é prazeroso", explica o psicoterapeuta Geraldo Possendoro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
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