Esses "inquilinos" costumam chegar sem convite e com malas prontas para viver em nossos lares. E pior, essas pragas urbanas, uma vez bem instaladas, são difíceis de ser "despejadas". No entanto, a bióloga Lucia Schüller (SP), especialista em saúde pública, alerta para o fato de que elas 'carregam em suas bagagens' uma série de microrganismos prejudiciais à saúde. "Isso já foi comprovado cientificamente no caso das baratas e formigas. Elas representam um alto risco, principalmente para crianças, idosos e enfermos", explica. Para a sua proteção e a de sua família, conheça, a seguir, um pouco mais sobre esses bichos e aprenda a afastar, de vez, esses visitantes indesejáveis.
"LA CUCARACHA"
As baratas são os insetos mais presentes em nosso dia-a-dia. Há cerca de quatro mil espécies. Surpreendentemente, menos de 1% delas buscam o convívio com o homem. São as domésticas ou caseiras e as baratas de esgoto (conhecidas popularmente por francesinhas) que se espalham facilmente pelas casas, circulando com agilidade pelas estruturas, em busca de abrigo e alimento. Acredite, elas podem viver de seis meses a três anos. CURIOSIDADE: essas pragas, consideradas repugnantes, asquerosas e nojentas, são tão resistentes que até sobrevivem a ataques nucleares. A quantidade de radiação que as baratas suportam é equivalente a de uma explosão termonuclear.
RISCO À SAÚDE: elas podem provocar intoxicação alimentar, diarréia, infecções (inclusive respiratórias), contaminação por salmonela e outras doenças.
XÔ, BARATA!
Mantenha os alimentos guardados em recipientes fechados.
Conserve armários e despensas lacrados e sem resíduos de alimentos.
Verifique, periodicamente, frestas e cantos de armários e paredes em busca de pistas que revelem a presença dessas inoportunas.
Embale restos de alimentos em sacos de lixo adequados.
Não amontoe caixas de papelão, jornais e lixo em casa.
Tampe os ralos não sifonados (aqueles que não têm um sistema de canos em forma de 'S', que impedem a passagem de mau cheiro).
Coloque borrachas de vedação na parte externa inferior das portas.
Não deixe que se formem buracos nas paredes, inclusive entre os revestimentos de concretos e pisos.
Limpe periodicamente a parte de trás de quadros e painéis.
Evite comer na mesa de trabalho, mas, se for preciso, proteja os teclados dos computadores, para que não acumulem restos de comida.
Mantenha bem limpos e desengordurados os móveis e eletrodomésticos da cozinha.
OS REIS DAS PRAÇAS PÚBLICAS
Justiça seja feita. Não são todas as cidades do país que já tiveram suas praças invadidas pelos pombos. Mas, na maioria dos principais centros urbanos, eles se confundem com a população que passa de um lado para o outro.
E essa relação tem pelo menos 10 mil anos. Essas aves tornaram-se um grande tormento, pois costumam se alojar nas sacadas dos apartamentos e nos telhados das casas, depositando nesses locais seus excrementos e espalhando doenças.
A espécie urbana mais comum, chamada Columba Lívia, vive cerca de quatro anos. Sua alimentação é à base de sementes e grãos, mas, com o passar dos anos e a necessidade de sobrevivência no "mundo civilizado", elas tiveram que se adaptar e hoje aproveitam tudo o que encontram nas ruas, inclusive lixo.
CURIOSIDADE:
elas são originárias do leste europeu e vieram, para o Brasil, de carona nos navios portugueses, dentro de gaiolas, para servir de alimento durante a viagem.
RISCO À SAÚDE:
sua presença está relacionada a várias doenças. Entre elas a histoplasmose, um mal que provoca desde uma infl amação nos brônquios até uma pneumonia. Se não for tratada, pode levar à morte. Os pombos também transmitem a bactéria salmonela, que causa problemas no sistema digestivo, e o fungo criptococose, que atinge o sistema nervoso, podendo desencadear até a meningite.
A bióloga Mônica Ribeiro, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), descobriu, depois de analisar as fezes dessas aves, que elas também têm transmitido parasitas como o bicho geográfico, a lombriga e a giárdia. Entretanto, dá para se conviver com os pombos de maneira saudável, desde que sejam adotados cuidados básicos de higiene e manutenção das residências. Um alerta: "os alimentos oferecidos aos pombos provocam uma superpopulação e eles começam a disputar espaço, brigando uns com os outros, além de aumentar a disseminação de doenças", explica a bióloga.
CHEGA PARA LÁ, POMBAL!
Nunca alimente os pombos.
Mantenha sua casa limpa e, quando for remover as fezes dessas aves, use equipamento de proteção individual, como máscara, luvas de borracha e óculos de proteção.
Fixe fios de nylon no parapeito das janelas e/ou varandas, para que os pombos não consigam pousar.
Ao colocar as telas de proteção, por causa das crianças, o ideal é não deixar espaço suficiente para que as aves possam se instalar.
Outra opção é usar espículas, agulhas de aço ou espirais do lado de fora da janela, que acabam machucando as garras dos pombos e impedindo que fiquem por ali.
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