Considerada um grão sagrado na China antiga, ao lado do arroz, milho e de outros cereais, a soja tem feito parte da alimentação dos orientais há milênios.
A partir do século 19, no entanto, começou a ser cultivada no Ocidente e no século seguinte teve os seus derivados industrializados e consumidos em escala global, integrando- se à dieta regular de milhões de pessoas.
Hoje, há uma infinidade de produtos feitos com esse alimento, que podem ser encontrados tanto em supermercados quanto em lojas de produtos naturais, como hambúrguer, sorvete, leite, queijo, carne, bebidas, molhos, salgados, óleos, farinhas, biscoitos e até chocolates.
E nem o seu gosto e aroma, considerados fortes por algumas pessoas, têm sido mais empecilho para continuar ampliando a sua presença nas refeições diárias. A indústria está se desdobrando para deixar o alimento cada vez mais agradável ao paladar ocidental - inclusive com opções para o público infantil.
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), por exemplo, desenvolveu, por meio de cruzamento com várias plantas de maior teor de sacarose e ácido glutamínico - substâncias que melhoram o sabor -, uma soja mais adocicada do que os grãos tradicionais. Batizada de BRS 267, ela já está disponível para o cultivo na safra deste ano e de 2008.
A nova versão apresenta sementes grandes e é ideal para a produção de queijo de soja (tofu), farinhas e extrato de soja (leite). Outras espécies também desenvolvidas pela Embrapa, nos últimos 10 anos, têm como principal característica a ausência de lipoxigenase, uma enzima que confere o gosto amargo à soja.
Por essas e outras mudanças, o consumo desse alimento está crescendo também no Brasil, embora ainda seja bem menor do que no resto do mundo. No Japão, a ingestão diária do grão é de 55 g por habitante e, nos EUA, de 3 g a 5 g. "Em nosso país, esse índice não passa de um grama", revela o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).
Não foi apenas a enxurrada de opções nas prateleiras que chamou a atenção dos consumidores por aqui.
A constatação da baixa incidência de determinados males na população oriental motivou, nos últimos 30 anos, uma série de pesquisas para comprovar a influência e o poder da soja (alimento predileto do povo desse continente e consumido desde cedo), sobre a saúde.
AJUDA A EMAGRECER
O consumo regular de soja contribui para a manutenção ou mesmo para a perda de peso. Pesquisas norte-americanas concluíram que a proteína do grão, comparada à proteína do leite de vaca, engordaria menos. A fração da soja, chamada betaconglicinina, reduziu o ganho de peso em animais. Alguns especialistas, porém, ainda apontam a falta de resultados conclusivos desse benefício para os humanos. Mas é por conta da sua capacidade de produzir uma sensação de saciedade (graças à grande quantidade de fibras) que os nutricionistas vêm indicando sua ingestão durante as dietas de emagrecimento. Um recente estudo demonstrou que dietas para emagrecer, que agregam o consumo de proteína da soja ao cardápio diário, tornam-se mais eficazes do que aquelas que visam a simples restrição de calorias. Quando se trata de emagrecimento, no entanto, o acompanhamento e a indicação da soja por um especialista torna-se fundamental.
Resultado: graças à conclusão de alguns estudos, a soja ganhou status e passou a ser vista não apenas como um ingrediente a mais na culinária vegetariana, mas como um alimento completo, capaz até de prevenir doenças.
Tendo sido, inclusive, o primeiro a inaugurar a lista dos agora conhecidíssimos alimentos funcionais - aqueles que, além de suprir as necessidades nutricionais básicas, produzem, comprovadamente, efeitos metabólicos e fisiológicos no organismo, capazes de afastar alguns males.
Sua natureza faz jus à fama
A soja é uma leguminosa, como o feijão e o grão-de-bico, e alternativa alimentar de alto valor nutricional. Seu grão é composto por aproximadamente 40% de proteína, 20% de óleo (ácidos graxos insaturados - gorduras do bem), 35% de carboidratos e 5% de sais minerais (cálcio e ferro, etc), além de outras substâncias importantes como vitaminas e fibras.
Além desses nutrientes essenciais ao bom funcionamento do organismo, é na proteína que se encontram as isoflavonas, as substâncias-alvo da maioria dos estudos e pesquisas com a soja. Também chamadas de fitohormônio ou fitoestrogênio, por apresentar estrutura química semelhante ao do hormônio feminino estrogênio, elas seriam responsáveis por oferecer inúmeros benefícios à saúde: desde o alívio dos sintomas da tensão pré-menstrual (TPM) e menopausa (os fogachos), até a diminuição dos riscos de osteoporose, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer, como o de mama.
Embora não haja estudos brasileiros que comprovem esse poder, as conclusões de pesquisas internacionais, realizadas com animais, são bastante sugestivas sobre a importância de se incluir a soja na alimentação regular.
O único problema é que as pessoas ainda não sabem como tirar o melhor proveito deste grão, para garantir todos os benefícios que ele oferece. Segundo o médico Daniel Magnoni, chefe da seção de nutrologia do Hospital do Coração (HCor), de São Paulo, não adianta sair por aí consumindo tudo que é produto à base de soja ou comer soja por seis meses seguidos e achar que dali para frente irá se curar de alguma doença.
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