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Edição 40 - Fevereiro/2007
 
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  De volta às aulas
Seja para adquirir novos conhecimentos ou seguir um novo rumo profissional, muita gente decide retomar os estudos na maturidade. Independentemente dos objetivos, todos esses alunos ampliam os horizontes, exercitam a mente, melhoram a auto-estima e dão um upgrade na saúde

POR EULINA OLIVEIRA

A escolaridade média da população acima de 60 anos no Brasil ainda é muito baixa (veja quadro). Mas esta situação - que já foi mais crítica - tende a melhorar. Está cada vez mais freqüente encontrar pessoas mais velhas estudando, em uma fase da vida em que muita gente acredita que é hora de se preparar para descansar e se divertir. Essa tendência é amplamente apoiada por médicos. "Os benefícios são inúmeros, principalmente para a saúde mental", garante o geriatra Clineu de Mello Almada Filho, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

"Neste período, muitos se fecham em seu próprio mundo, adotando uma rotina em que deixam de se relacionar com outras pessoas", afirma Almada Filho. "Freqüentar cursos permite encontrar e conviver com inúmeras pessoas, inclusive de outras faixas etárias. Esse contato com novas idéias melhora a sensação de relação com o mundo e eleva a auto-estima", explica. De acordo com o geriatra, quando a pessoa se mantém ativa, a chance de apresentar um quadro depressivo é menor. E a depressão é uma doença freqüente na terceira idade.

MÚLTIPLA ESCOLHA
As opções de estudo na maturidade também se multiplicaram nos últimos anos. Essa é uma medida que vem sendo incentivada por políticas públicas e também pela iniciativa privada - empresas estão promovendo, em diversas regiões do país, programas para pessoas que já passaram da idade escolar.

Também se espalharam pelo Brasil as chamadas Universidades Abertas à Terceira Idade, a maioria mantida por instituições públicas e filantrópicas. Em geral, são oferecidos cursos de atualização cultural, que não exigem a realização de vestibular nem exames durante o ano letivo.

A Universidade Aberta à Terceira Idade da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo, oferece cursos para pessoas com mais de 60 anos na capital paulista e interior de São Paulo (Bauru, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto e São Carlos). A iniciativa permite que o aluno possa cursar disciplinas regulares em diversos departamentos da USP, bem como participar de atividades complementares didático-culturais e físico-esportivas. As inscrições para o primeiro semestre deste ano poderão ser feitas entre os dias 26 de fevereiro e 9 de março.

Outras instituições, como a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), entre muitas outras, também possuem Universidades Abertas à Terceira Idade. A procura por esses cursos, porém, costuma ser muito grande e normalmente há fila de espera.

Existe ainda a possibilidade de se estudar ao lado de colegas mais jovens, em supletivos e cursos superiores de graduação e pós-graduação. Vale também estudar idiomas, aprender artesanato, jardinagem etc. O importante é não ficar parado.

Além disso, estimular o raciocínio, o aprendizado, a memória, entre outras funções cognitivas, durante toda a vida, é fundamental para diminuir as perdas celulares que o cérebro humano sofre a partir dos 30 anos. Isso é importante para a preservação das funções cerebrais e o afastamento de certas demências.

Falar pelo menos dois idiomas, por exemplo, não é só um bom negócio para evoluir na carreira. Os cientistas do Instituto de Pesquisa Rotman, do Canadá, descobriram que pessoas bilíngües têm uma "reserva cognitiva", uma flexibilidade maior do cérebro, que compensa as perdas da função cerebral na terceira idade e, agora, é mais um fator para retardar em pelo menos quatro anos o mal de Alzheimer. O estudo foi realizado em 184 pacientes (93 deles bilíngües) com problemas cognitivos e mostrou que a idade média do início dos sintomas de demência no grupo que falava apenas um idioma era de 71,4 anos e no bilíngüe, de 75,5 anos. Mesmo depois de verificados vários outros fatores, como nível cultural, escolaridade e sexo, essa diferença se manteve.

Para o geriatra Fernando Bignardi, coordenador do Centro de Estudos do Envelhecimento da Unifesp, grande parte das pessoas deixa de fazer o que mais gosta ao longo da vida.

"E quanto mais se distanciam de sua natureza, mais doentes elas ficam", afirma o médico. "Isso é comum em casos de doenças de causa desconhecida, como a hipertensão".

De acordo com Bignardi, quando chega a aposentadoria e os filhos saem de casa, a pessoa normalmente fica sem rumo. Por isso, é importante encarar a maturidade como uma oportunidade para fazer o que se gosta e que não foi possível realizar antes. E isso pode ser obtido por meio do estudo. "Se a escolha for bem-alicerçada, pode estar aí um novo elixir para viver", garante o especialista Fernando Bignardi.

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