Viva Saúde
Edição 4 - Agosto/2004
 
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  "Tive um tumor no tórax"
Apesar do medo do câncer, próximo ao coração, Cristina Niero, de 34 anos, não se deixou abater

Foto: Fernando Gardinali."Estava na praia, em abril de 2003, quando meu marido, que é médico patologista clínico, desconfiou que a minha artéria jugular parecia inchada e achou que algo não ia bem. Fomos para a Universidade de Campinas (Unicamp), onde fui examinada por um colega dele, um oncologista. Passei por uma série de exames e descobri que tinha um linfoma de mediastino, localizado no tórax. Na hora fiquei sem reação, parecia que não era comigo. Só um tempo depois é que me apavorei. Sou farmacêutica, sabia que a coisa era séria. Passei noites em claro, pensando que ia morrer.

Na semana seguinte, os testes revelaram que o linfoma não estava presente no líquor (substância que se colhe da medula para verificar se há contaminação do sistema nervoso central) e tampouco na medula. Felizmente o tumor não havia se espalhado e podia ser combatido. Confiante, iniciei o tratamento. O câncer sumiu após 12 sessões de quimioterapia. Como prevenção, fiz outras 18 de radioterapia.

Mas durante esse período nunca me senti doente. Não enjoei com a medicação nem me incomodei com a queda de cabelo. Até saía careca na rua. Acredite, encarei tudo numa boa. Tanto que fiz questão de tirar fotos da evolução da minha saúde. Queria registrar aquele momento de reflexão e a mudança de estilo de vida.

Cura completa
Hoje estou muito bem. Faço controle a cada três meses, mas só depois de cinco anos sem apresentar nenhum comprometimento poderei dizer que estou curada. Em abril deste ano defendi minha tese de doutorado na área de microbiologia. Agora quero fazer pós-doutorado e trabalhar. A lição que tirei dessa experiência foi a transformação. Eu era muito exigente comigo e com as outras pessoas. Queria que tudo fosse do meu jeito, era impaciente. Hoje tenho uma nova visão da vida e aprendi a dar tempo para que as coisas aconteçam."

DEPOIMENTO A ISABEL TARANTO

ENTENDA BEM
 
Ilustração: Marcelo Garcia.
O mal atingiu o mediastino, local de difícil acesso, entre os pulmões e onde fica o coração.
O oncologista Waldec Jorge David Filho (SP), do Hospital do Câncer, explica que existem diferentes tipos de tumor de mediastino - espaço localizado na região do tórax entre os pulmões e onde fica o coração. Um deles é o linfoma.

Por ser uma doença sistêmica (que pode se espalhar facilmente), o tratamento se dá por meio de sessões de quimio e radioterapia. Ele costuma se desenvolver silenciosamente e sem apresentar sintomas. Na verdade, manifestações como tosse e dificuldade para respirar só aparecem quando a doença já está em um estágio mais avançado. Uma simples radiografia do tórax pode acusar o mal em fase inicial.

Contudo, devido à sua baixa incidência - segundo o Ministério da Saúde, de cada 3.400 casos de câncer, apenas um é de mediastino -, os médicos não recomendam a exposição a exames radiológicos freqüentes com o objetivo de detectá-lo.

   


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