“Sou a cuidadora do meu marido, Alexandre de Souza, de 58 anos, portador de Alzheimer, diagnosticado há quatro anos. O caso dele não é muito comum, pois começou com sintomas de depressão aos 50 anos. Sou professora, e como todo cuidador, tive que abrir mão de muita coisa, inclusive do emprego. Tivemos uma perda financeira significativa e, conseqüentemente, uma qualidade de vida comprometida. Tive que assumir toda a responsabilidade em relação às necessidades da família, principalmente o controle do dinheiro para arcar com as despesas, que aumentaram muito em função da doença de meu marido.
Procurei ajuda na Associação Brasileira de Alzheimer e, por meio deles, consegui tratamento gratuito para o meu marido com uma equipe da Universidade Federal de São Paulo e os remédios de alto custo na farmácia do Sistema Único de Saúde. O Alexandre precisa de supervisão 24 horas por dia. Se eu faltar, ele não tomará banho nem mesmo se alimentará. Sinto falta do meu marido, meus filhos sentem falta do pai. Procuro viver um dia por vez, mas a dor da perda é vivenciada todos os dias. Costumo brincar e dizer que tenho um filho temporão, mais velho do que eu.”
Eliane Bonetti Moreira Souza, 54 anos, de São Paulo