Atualmente, é notável o crescimento de espaços dedicados à prática das artes marciais por crianças e adolescentes. Esta tendência é fruto da intenção de melhorar a qualidade de vida, a saúde e o bem-estar desses jovens por meio de técnicas consagradas, muitas vezes, por milhares de anos. O fato é que as promessas de benefícios que essas lutas oferecem, apesar de muitas vezes bem-intencionadas, ocultam aspectos nem sempre positivos.
A verdade é que estamos ensinando nossas crianças, com idades a partir de três ou quatro anos, a chutar, dar socos, provocar lesões umas nas outras e a golpear e derrubar o "adversário". Preocupado com este movimento e suas possíveis conseqüências, convido pais, educadores e profissionais envolvidos no ensino das artes marciais a fazerem algumas perguntas em relação ao que essas práticas realmente transmitem. Será que essas lutas competitivas ensinam de verdade a disciplina, o respeito às regras sociais e orientam as crianças a serem críticas ou solidárias?
A verdade é que estamos ensinando nossas crianças, com idades a partir de três ou quatro anos, a chutar, dar socos, provocar lesões umas nas outras e a golpear e derrubar o "adversário". Preocupado com este movimento e suas possíveis conseqüências, convido pais, educadores e profissionais envolvidos no ensino das artes marciais a fazerem algumas perguntas em relação ao que essas práticas realmente transmitem. Será que essas lutas competitivas ensinam de verdade a disciplina, o respeito às regras sociais e orientam as crianças a serem críticas ou solidárias?
Para tal, precisamos rever os conceitos atuais e inserir as artes marciais como parte de um programa didático e pedagógico, com perspectivas educacional mais relevantes e de acordo com a nossa realidade.
PRECISAMOS PARAR DE ENSINAR NOSSAS CRIANÇAS A CHUTAR, DAR SOCOS, PROVOCAR LESÕES UMAS NAS OUTRAS E A GOLPEAR ATÉ DERRUBAR O "ADVERSÁRIO"
Os pais, principalmente, ficam encantados de ver seus filhos receberem troféus e "faixas" (entregues ao aluno quando ele passa de um nível de dificuldade a outro). Orgulham-se de saber que suas crianças finalmente sabem como "se defender". Mas contra quem? Em favor de quem? Onde? Nas ruas? Meu conselho é que esses mesmos progenitores busquem informação, participem e observem as propostas oferecidas pela instituição (escola, clube, academia, etc) onde seu filho tem aulas.
Vale ressaltar que a maioria dessas técnicas não foi criada ou planejada especialmente para as crianças. Aliás, nem todas surgiram no oriente e muitas delas não são milenares e nem ao menos têm uma "filosofia" que prega o bem. Elas, em si, não exaltam a paz (talvez apenas alguns de seus adeptos o façam). Também não ensinam a disciplina adequada para ser usada fora do ambiente de luta e competição no qual estão inseridas. Outro ponto importante é que muitas delas foram desenvolvidas para confrontos de guerra, em sociedades que viviam em regime feudal (onde os donos de terras cediam suas propriedades em troca do trabalho), por exemplo.
Dentro deste novo ponto de vista, as escolas, academias e associações que oferecem lutas marciais para a garotada precisam repensar o que esperam ao acrescentar essas aulas em suas programações. Para um bom começo, o ensino das artes marciais, primeiramente, deve se adaptar ao desenvolvimento saudável (físico e psicológico) das crianças e dos adolescentes do século XXI, para que possamos educar jovens capazes de pensar e agir racionalmente e com atitudes positivas diante da vida.
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WALTER ROBERTO CORREIA DOUTOR EM EDUCAÇÃO PELA PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO |