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Edição 39 - Janeiro/2007
 
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  Quem cuida precisa de cuidados
A maioria das pessoas que se dedica integralmente a um familiar doente acaba se esquecendo da própria saúde. Mas é preciso (e possível) investir no bem-estar físico e emocional destes cuidadores

POR EULINA OLIVEIRA FOTO FERNANDO GARDINALI

Eles passam boa parte do seu tempo se dedicando a outras pessoas que, sem a ajuda deles, não conseguiriam atender às próprias necessidades básicas, como comer, trocar de roupa, tomar remédios e fazer a higiene pessoal. De tão dedicados, esquecem-se da própria saúde e sofrem desgastes físicos e emocionais. São os chamados cuidadores, que podem ser formais (profissionais remunerados) e informais (geralmente um parente da pessoa a ser cuidada). São estes últimos, aliás, os sujeitos às maiores cargas de estresse, especialmente por causa do vínculo afetivo com o paciente.

“Há cuidadores homens, que em geral são maridos e voluntários, e até mesmo crianças. Mas, em sua grande maioria, os cuidadores informais são mulheres, principalmente esposas e filhas de pacientes com doenças que causam algum grau de dependência em suas atividades diárias”, afirma o geriatra Ciro Augusto Floriani, professor da Faculdade de Medicina do Centro Universitário Serra dos Órgãos (Unifeso), de Teresópolis (RJ).

Uma característica freqüente é que esses indivíduos quase sempre de - sempenham sozinhos esta função. Muitos têm de abrir mão do emprego e da própria vida pessoal para se dedicar 24 horas à pessoa que depende totalmente de seus cuidados, e acabam ficando sobrecarregados.

“Os problemas mais comuns são os relacionados à exaustão física, emo - cional, social, financeira, materi al e existencial”, destaca Floriani. E ele aler ta. “Já existem estudos consistentes que mostram um risco aumentado de morte e de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, entre mulheres cuidadoras de seus maridos, somente pelo fato de exercerem essa tarefa.”

Mesmo no caso dos cuidadores formais é preciso preparo físico e psicológico para exercer esta atividade. “Muitas pessoas simplesmente não agüentam desempenhar esta função, pois o desgaste é muito grande”, diz Regina Célia Popim, doutora em enfermagem e professora da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

De acordo com Regina Célia, coautora do livro O cuidar em oncologia (Ed. Unesp), a pessoa que toma conta de uma outra deve procurar oportunidades para não se exaurir. “É muito importante ter uma atividade paralela que traga prazer e bem-estar, como fazer ginástica, ler livros e ouvir música clássica”, sugere. “Uma outra possibilidade é fazer terapia ou buscar grupos de apoio.”

Alguns indivíduos parecem mais fortes que outros para cuidar integralmente de alguém. Na avaliação do geriatra Ciro Floriani, não se trata de vigor, mas de decisão e disponibilidade. “É importante registrar que esta disponibilidade pode ter um limite, e a família deve oferecer meios de ajuda a este cuidador. Caso contrário, teremos duas pessoas adoecidas: aquela que está dependente de cuidados e o cuidador”, garante o geriatra.

O ideal é que o cuidador divida, na medida do possível, a tarefa com outras pessoas, e busque tempo para se dedicar a si mesmo — o que inclui seu bem-estar e sua saúde.

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