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Edição 39 - Janeiro/2007
 
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Sete perguntas para um especialista
  DROGAS na adolescência: como identificar e afastar o vício
Caso você desconfie que seu filho usa drogas, tenha um diálogo franco com ele e procure imediatamente ajuda especializada

POR VERA LIGIA RANGEL

1 O QUE OS PAIS DEVEM FAZER PARA DESCOBRIR SE O FILHO É USUÁRIO DE DROGAS?

Se eles desconfiam de algo, em geral é porque o adolescente tem dado sinais há algum tempo. Ou seja, apresenta mais dificuldades na escola, mudou o grupo de amigos, se isola da família, tem comportamentos agressivos, não consegue manter uma conversa mais longa e muitas vezes dorme fora de casa, sem avisar. Nesse momento, a conversa franca sempre é bem-vinda, e, se os pais estimulam o diálogo desde a infância, terão mais facilidade de enfrentar a situação. O primeiro passo, portanto, é comentar sobre a mudança observada e sobre a hipótese do uso de drogas. O filho, naturalmente, vai negar, como todos negam. O adulto, o adolescente e até mesmo a criança sabem muito bem a distinção entre o certo e o errado. Por isso é natural que o usuário não queira que os pais saibam o que ele está fazendo. Além disso, a maioria não pretende interromper o consumo da droga. Como vivem a fase da onipotência juvenil, eles acreditam que podem parar quando quiserem e que nada vai lhes acontecer de mal.

2 EXISTEM EXAMES PARA DETECTAR E COMPROVAR O VÍCIO?

Sim. Há exames de urina que podem ser feitos em casa mesmo: são auto-testes vendidos por empresas especializadas (não são adquiridos em farmácias). Eles conseguem detectar todo tipo de substância entorpecente, até 15 a 30 dias após seu consumo. Há também um exame do fio de cabelo, feito em laboratórios (e geralmente caros), que apontam vestígios de drogas consumidas até um mês antes. Caso o filho negue o consumo, os pais podem propor esses exames imediatamente. Mas, além de ter certeza do que está acontecendo, é fundamental agir.

3 QUANDO PROCURAR AJUDA PROFISSIONAL ESPECIALIZADA?

Quanto mais rápida for a intervenção, maiores serão as chances de sucesso do tratamento. Durante o diálogo com o filho, os pais devem propor a consulta a um especialista em dependência química: psicólogo ou médico. Se o adolescente refutar a idéia, os pais devem questioná-lo sobre a possibilidade de ele estar fugindo da situação.

4 MAS COMO PROPOR ISSO AOS FILHOS SEM CAUSAR TRAUMAS?

Cabe aos pais cuidarem de seus filhos. Os adolescentes podem não desejar mudar a situação nesse momento, mas é o que fará a diferença para um bom prognóstico. Os adolescentes 'crescem' a voz, mas os pais devem 'crescer' nos cuidados e resgatar a autoridade - que não precisa ser agressiva. A indicação é procurar ajuda sempre, mesmo que seja apenas para obter uma orientação. Existem serviços que acolhem os pais e os orientam a agir em diversas situações. Na Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas, da Universidade Federal de São Paulo (UNIAD/UNIFESP), dispomos desse serviço e cada vez mais observamos que os pais saem de lá fortalecidos e seguros de suas atitudes. Os filhos sentem essa segurança e acabam vindo espontaneamente. Os pais estão dando uma mensagem ao filho. "Nós também procuramos ajuda. Ajuda faz bem".

5 TROCAR O FILHO DE COLÉGIO OU PROIBIR CERTAS AMIZADES AJUDA?

Os pais têm mania de dizer que são as companhias que levaram seu filho para o mau caminho. Sejamos realistas, nós escolhemos as amizades com as quais nos identificamos, temos algo em comum. Isso só reforça o quanto as amizades são importantes e nos dizem muito a respeito dos nossos filhos, desde pequenos. Toda interferência, portanto, deve ser cuidadosa e equilibrada. Até porque há uma diferença enorme entre o uso eventual da droga e a dependência química. A conduta e o prognóstico nos dois casos são completamente diferentes. No caso do dependente químico, o afastamento dos amigos usuários de drogas é essencial para que o tratamento possa seguir adiante. É fundamental que os pais monitorem a rotina do adolescente, não como um investigador, mas como alguém que participa de sua vida, que se interessa pelas suas amizades, dificuldades e programas.

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