Apesar da intensidade dos movimentos, o kinomichi não é um tipo de defesa pessoal. Alguns poderiam até pensar que fosse uma dança. Mas isso também não seria uma boa definição. Segundo Christiana Cavalcanti, professora e pioneira da técnica oriental no Brasil, onde ainda é pouco conhecida, o kinomichi é uma combinação de exercícios para o corpo e a mente, inspirados na arte marcial japonesa do aikido e em algumas atividades ocidentais, como as coreografias de ginástica, que lhe dão leveza e graça.
Criada em 1979, na França, pelo japonês Masamichi Noro, que até hoje dirige o principal centro de treinamento kinomichi naquele país, a técnica pode ser praticada desde a infância até a mais avançada idade, sem qualquer restrição.
“Meus filhos se iniciaram no kinomichi dentro de minha barriga, pois eu pratiquei durante toda a gravidez.
Já que não há contra-indicação nem mesmo para gestantes”, conta Christiana Cavalcanti.
Assim como no aikido, o kinomichi não promove a competição entre seus praticantes, mesmo que durante as aulas os alunos utilizem o Jô, um bastão de 1,20 metro aproximadamente, e o Boken, um sabre (tipo de espada) de madeira. Esses objetos, armas da cavalaria japonesa, são simplesmente para aperfeiçoar as manobras.

Ambas as técnicas acreditam que a beleza e a perfeição dos movimentos são muito mais importantes do que derrotar um adversário. Aí entra um outro pilar importante do kinomichi: o incentivo ao desenvolvimento de um contato harmonioso com o próxi mo. Por isso, não dá para praticá-lo sozinho. São necessárias duas pessoas ou mesmo grupos de alunos.
Essa promoção à relação social pode auxiliar indivíduos tímidos a se integrarem melhor. “Durante a aula, as duplas podem e devem variar de par”, explica Christiana Cavalcanti, que se formou no Centre Internacionale Noro Kinomichi, em Paris, junto com seu marido, Victor Labouret.
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| PARA SER PRATICADA EM DUPLAS OU GRUPOS, A TÉCNICA ORIENTAL ESTIMULA O CONTATO E A INTERAÇÃO ENTRE OS PARTICIPANTES |
A semelhança com a arte da dança cativa bailarinos, atores, coreógrafos, músicos, entre outros profissionais. A própria Christiana era coreógrafa e estudava dança-teatro em Paris, na França, quando conheceu o kinomichi. Após ter aulas com o mestre Noro, apaixonou-se pela técnica. “Procurava uma prática corporal complementar à dança”, conta a professora.
Outra adepta é a atriz Camila Caputti, que fez aulas durante quatro meses como preparação pa ra encenar uma peça infantil. “O kinomichi nos coloca em estado de presença (de si mesmo) plena”, afirma. Heitor Martinez, colega de trabalho de Camila, acrescenta: “a prática criou uma unidade corporal com o elenco tão grande que a harmonia em cena é notória”.
CORPO
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| EQUILÍBRIO, FORÇA E MELHORA DA COORDENAÇÃO MOTORA SÃO BENEFÍCIOS DO KINOMICHI |
Por exigir agilidade e coordenação, o kinomichi proporciona flexibilidade, fôlego e resistência física. A técnica mexe com o corpo todo, nada fica parado. Para se ter uma idéia, ao movimentar um braço, outros membros são envolvidos, como pés, pernas, quadril e costas.
E isso é bom para se evitar lesões em pontos específicos, já que a força dos exercícios é compartilhada por várias partes do corpo. Todos os movimentos praticados no kinomichi têm como base a forma de uma espiral.
Nele, o praticante gira em torno de si mesmo, indo para todas as direções, o que demanda equilíbrio e força, principalmente da coluna vertebral. Isso ajuda (e muito) a aliviar as tensões.
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