De repente a criança perde o apetite, não tem mais ânimo nem para brincar, vive pálida e já não é mais a mesma aluna nota 10 na escola.
A anemia é mesmo bastante comum na infância, não poupa nem recém-nascidos. Mas esse distúrbio ainda está cercado por lendas que acabam atrapalhando a prevenção, o diagnóstico e o tratamento correto. Para esclarecer de vez as principais dúvidas sobre esse mal silencioso, Viva Saúde entrevistou o médico Gustavo Vilela, hematologista do Hospital Israe lita Albert Einstein (SP) e especialista em transplante de medula óssea pela Universidade de Paris. Veja abaixo tudo o que é necessário saber para identificar uma criança anêmica e protegê-la.
O que é
Ela não é uma doença, mas um distúrbio caracterizado pela diminuição no sangue dos glóbulos vermelhos ou de uma substância presente dentro deles, a hemoglobina. Os glóbulos vermelhos são células que circulam nos vasos sangüíneos. “São células cheias de hemoglobina, uma molécula avermelhada que, além de dar cor ao sangue, tem a função vital de transportar o oxigênio dos pulmões para os órgãos e tecidos”, esclarece o especialista. Quando a anemia ocorre é porque a produção de glóbulos vermelhos é insuficiente ou então porque a destruição deles é maior que a produção. “Qualquer forma de anemia sempre acaba nesta regra”, simplifica o médico.
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sintomas típicos
• Palidez
• Dor de cabeça
• Tontura
• Desânimo
• Cansaço fácil
• Palpitações
no peito
• Falta de ar
• Perda de
apetite
• Excesso
de sono
• Tristeza
• Falta de
concentração
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A DEFICIÊNCIA DE FERRO É A FORMA MAIS COMUM DE ANEMIA NO PLANETA, SENDO CONSIDERADA UM PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA, ACOMETENDO DE 30% A 70% DAS PESSOAS NOS PAÍSES EM DESENVOLVIMENTO
É hora de tirar suas dúvidas
A doença é causada pela falta de ferro?
EM TERMOS. Nem sempre ela é causada pela falta desse nutriente ou de outros. “Muitas vezes ouço no consultório: ‘doutor, todos os dias alimento meu filho com vitaminas, frutas, legumes, mingau reforçado... e nada resolve a anemia’”, relata o hematologista Gustavo Vilela, do Albert Einstein. Ele explica que é comum não existir qualquer deficiência nutricional associada ao problema, e, neste caso, uma dieta balanceada não vai levar à cura. “Inúmeros males não ligados à alimentação podem desencadear uma anemia, como infecções, intoxicações, leucemias, distúrbios glandulares e renais, doenças imunológicas... Há ainda as anemias congênitas (relacionadas a defeitos genéticos) e as provocadas por alguns medicamentos.
Quando se trata das anemias por má alimentação, elas são decorrentes da falta de ácido fólico, vitamina B12 e ferro. A combinação do ácido fólico (vitamina do complexo B encontrada em abundância nas folhas verdes) com a vitamina B12 (que só existe em alimentos de origem animal) é fundamental para a proliferação dos glóbulos do sangue. Já o ferro (do feijão, beterraba, espinafre, carnes vermelhas, do fígado...) é indispensável à produção da hemoglobina. Uma pessoa pode ser deficiente em apenas um desses nutrientes ou pode ter uma carência combinada de dois ou mais deles. “Em um país como o nosso, em que uma enorme parcela da população não tem acesso a uma alimentação saudável, é mais comum vermos anemias por má nutrição”, diagnostica.
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