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Edição 38 - Janeiro/2007
 
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  a arte de viver melhor
Após os 60 anos, a expressão artística costuma aflorar e deve ser estimulada. Médicos atestam que pintar, esculpir, dançar, cantar, interpretar... pode ser um ótimo remédio para manter o corpo e a mente sãos

POR EULINA OLIVEIRA
FOTOS CARLOS VILLALBA

Nome: Herta Kaufmann
Idade: 74 anos
Atividade: artesanato

ARTE É A EXPRESSÃO MAIS PURA QUE HÁ PARA A DEMONSTRAÇÃO DO INCONSCIENTE DE CADA UM. É A LIBERDADE DE EXPRESSÃO, É SENSIBILIDADE, CRIATIVIDADE, É VIDA

CARL GUSTAV JUNG (1875-1961), PSIQUIATRA SUÍÇO, FUNDADOR DA PSICOLOGIA ANALÍTICA

Imagine poder passar horas se dedicando à atividade que mais lhe dá prazer... Só este privilégio, garantem os especialistas, já pode proporcionar diversos benefícios à saúde. E, se o passatempo favorecer habilidades artísticas, melhor ainda. “Toda forma de expressão da arte é positiva, tanto do ponto de vista social e intelectual quanto emocional e físico”, garante Milton Luiz Gorzoni, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia e chefe do setor de Geriatria da Santa Casa de São Paulo.

Sorte, portanto, das pessoas que já nasceram com algum talento ou que acreditam que nunca é tarde para se dedicar a novos desafios. Neste último grupo estão os idosos mais ativos que encaram a terceira idade como uma fase de oportunidades e não apenas como um descanso.

Nome: José Shunji Takabayashi
Idade: 73 anos
Atividade: pintura e escultura

Depois dos 60 anos, quando os filhos já saíram de casa e o tempo de lazer fica maior por conta da aposentadoria, muitos resolvem finalmente realizar os sonhos que ficaram em segundo plano na juventude (‘como escrever aquele livro’, por exemplo). É nesta hora que a manifestação artística começa a ganhar uma dimensão especial. Resultado: bem-estar e vida longa para os novos artistas.

Assim como outras atividades que favorecem a auto-estima e o prazer, a arte funciona como um mecanismo para a prevenção de doenças em geral. “A qualidade de vida é um fator modulador do estado de saúde. Quando as pessoas estão motivadas e felizes, elas adoecem menos”, explica o psiquiatra Jerson Laks (RJ), coordenador do Departamento de Psiquiatria Geriátrica da Associação Brasileira de Psiquiatria.

Nome: Maria Leônia Lopes
Idade: 67 anos
Atividade: pintura
Vencedora do Concurso
Banco Real Talentos da Maturidade 2006

Na prática, por exigir atenção e concentração, as diversas formas de arte acionam as regiões do cérebro responsáveis por funções cognitivas, tais como percepção, raciocínio e memória. Segundo o psiquiatra Jer son Laks, a atividade estimu la o mecanismo de criatividade e a pren dizado, essenciais para fortalecer as conexões entre os neurônios e manter a saúde mental. Além disso, o aperfeiçoamento e a des coberta de habilidades desenvolvem a coordenação motora, os reflexos e o equilíbrio. “Isso é bom, porque, com o passar dos anos, a pessoa perde a noção da real posição de seu corpo no espaço e os reflexos ficam mais lentos”, afirma o geriatra Clineu Almada Filho, professor de Geriatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Outra vantagem: ao estimular a coordenação, o risco de queda e fraturas é bastante reduzido.

Uma forma de terapia

Na opinião do médico Clineu Al mada, da Unifesp, os idosos, às vezes, têm dificuldade de expressar suas angústias, e isso acaba sendo feito por meio de uma tela de pintura, do canto, ou da atuação em um palco. Em ge ral, a depressão diminui ou até de sa pa re ce quando a pessoa se dedica a uma atividade prazerosa.

“Uma no va ocupação pode melhorar ainda a so cia bi lização por facilitar o contato com outras pessoas”, explica Clineu Almada. Para completar, o fato de descobrir talentos escondidos estimula a au to-estima do idoso, que costuma perder a identidade após se apo sentar e ver os filhos saírem de casa. “A pessoa se sente valorizada e motivada a fazer projetos para o fu turo”, conclui o médico.

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