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| Realizada, Daniela agora curte a companhia de seus filhos |
"Eu e meu mari do, Marcelo, nos conhecemos na faculdade, em São Carlos, SP, em 1990, mas o casamento só aconteceu em 1999. Meu desejo de ser mãe começou no final de 2001. Demorei alguns meses para engravidar por causa de um tratamento para síndrome dos ovários policísticos. Após quase um ano de tentativas, eu e minha médica decidimos juntas que a melhor solução naquele momento seria a indução da ovulação através de medicamentos. E logo no primeiro ciclo engravidei.
Minha alegria e da família, porém, durou poucas semanas, pois já no segundo ultra-som não foram detectados batimentos cardíacos do bebê. Isso aconteceu em abril de 2002. Como era de se esperar, fiquei muito decepcionada, mas a médica tomou esse episódio como um fato isolado, algo ‘mais comum de acontecer do que se pensa’. Deixei passar os necessários três meses e voltei a investir nas tentativas. No segundo ciclo de indução da ovulação veio a notícia: o exame deu positivo. Pouco antes de completar os três meses de gestação, próximo ao Natal, a festa duplicou: eram gêmeos! Um merecido presente para nós, principalmente depois do sofrimento do primeiro aborto.
Em fevereiro de 2003, entre a 14ª e a 18ª semanas, no entanto, tive um sangramento, ameaça de parto prematuro e perda de líquido. Tive de permanecer uns dias internada e depois só deitada, tomando litros de líquido por dia, e a família rezando sem parar, esperando que os bebês resistissem. Vieram as dores e se foi o primeiro bebê. Nova internação: o segundo resistia bem e até cresceu de uma semana a outra, mas uma infecção piorou as coisas. E perdi o segundo neném uma semana antes do meu aniversário. Era uma menina.
Não pude aguardar mais de um mês para procurar a ajuda de outro médico. Foi então que começou a história que mudaria o rumo de nossas vidas. Eu e meu marido fizemos os exames necessários e o crossmatch (ou prova cruzada, exame que detecta a compatibilidade imunológica) confirmou que o nosso problema era imunológico. Minhas esperanças se renovaram. Nos submetemos a duas séries de vacinas para contornarmos essa questão imunológica e assim que o especialista nos liberou para novas tentativas, em setembro de 2003, eu engravidei naturalmente logo no primeiro ciclo.
As primeiras semanas foram cercadas de emoção, alegria, mas também de muita angústia. Pensava: será que vai ser mesmo diferente? Será que vou agüentar a ansiedade? A atenção do médico foi importantíssima para nós e sua tranqüilidade e firmeza me acalmavam. Também fiz terapia, além de me agarrar à fé. Neste período de incertezas, encontrei, em um fórum sobre infertilidade, outras mulheres que faziam o tratamento imunológico e que já haviam sofrido abortos. Ali, troquei informações, pude descobrir outros detalhes e recebi muito apoio nos momentos de medo.
Esta gestação foi muito diferente das anteriores. Apesar da preocupação, tudo correu serenamente. Tomei outras doses de reforço da vacina e continuei a levar minha vida, trabalhando, sem grandes restrições — só as recomendações comuns a toda grávida. Em 23 de maio de 2004, com 39 semanas e dois dias, nosso amado filho Miguel nasceu, perfeito e saudável, por meio de uma cesárea.
E nossa história continua
Queríamos ter mais um filho e quando o Miguel estava para completar um ano, assim que parei de amamentá- lo, meu ciclo se regularizou. Em três meses consegui engravidar. Eu sabia que seriam indicadas outras doses de reforço da vacina e jamais arriscaríamos tentar outra gravidez sem elas. Feito isso veio a notícia: seria uma menina. A gestação da Sofia seguiu tranqüila. E assim, em 17 de abril de 2006, Sofia surpreendeu a todos, chegando às 4h17 da madrugada, de parto normal, com 38 semanas. Lá estava a minha pequena: doce, meiga e muito saudável, completando nossa família. Conto tudo isso com grande alegria, pois há esperança para os casais que sofrem como nós sofremos. Há sempre um outro caminho a seguir. De uma história triste podem brotar muitas alegrias.”
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Entenda bem
Mulheres que tiveram duas ou mais perdas gestacionais ou falhas em programas de reprodução assistida podem apresentar alterações imunológicas, hoje tratadas com vacinas. Na gravidez normal, um tipo especial de atividade imunológica se desenvolve na gestante, impedindo que o seu útero rejeite o feto. Caso haja alguma falha imunológica, seu corpo não entende a mensagem, desenvolve uma espécie de alergia ao feto ou às células da placenta e ocorre o aborto. “O tratamento estimula a resposta imunológica apropriada na mulher”, afirma o médico Ricardo Barini, professor do Departamento de Tocoginecologia da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (Unicamp). A realização de exames específicos, como o crossmatch (que identifica a resposta imune ao feto), permite verificar se a mulher produz anticorpos contra as células do marido. Neste caso, o tratamento é feito com a coleta de sangue do marido para fracionamento e centrifugação. Os leucócitos (células de defesa) são então purificados e injetados na futura mamãe por via intradérmica.
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